
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Crescente percepção de uma recessão econômica em 2023 pode resultar em uma busca por ativos de segurança, fortalecendo a moeda americana.
Aumento das incertezas fiscais caso a PEC da Transição não consiga ser aprovada na Câmara dos Deputados, prolongando os receios de investidores com os fundamentos fiscais no Brasil e enfraquecendo o real.
Possibilidade de enxugamento da PEC da Transição em função das resistências de congressistas e do prazo exíguo para sua aprovação, o que poderia reduzir a percepção de riscos fiscais no próximo governo Lula e colaborar para o fortalecimento do real.
Fala de autoridades do Federal Reserve pode reforçar a sensação de que ele está moderando seu aperto monetário ao sinalizar que reduzirá a velocidade das altas de juros deste ponto em diante, ampliando o apetite por ativos arriscados.
Expectativa que o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) em novembro nos Estados Unidos modere sua aceleração pode reforçar a interpretação que há espaço para o Fed moderar seu aperto monetário, enfraquecendo o dólar.
Contínuo relaxamento das medidas de tolerância zero contra a Covid-19 na China pode aumentar o apetite por ativos arriscados e fortalecer moedas de países exportadores de produtos primários, como o real.
O dólar negociado no mercado interbancário encerrou a sessão desta sexta-feira (16) cotado a R$ 5,295, alta de 0,9% na semana, 1,8% no mês, porém recuo de 5,0% no ano. Já o dollar index fechou o pregão cotado a 104,7 pontos, variação de -0,1% na semana, -1,1% no mês e +9,5% no ano. A semana foi marcada pela estagnação do avanço das pautas econômicas do futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, visto que a Proposta de Emenda à Constituição da Transição (PEC 32/2022) se manteve na estaca zero na Câmara dos Deputados. No exterior, os destaques foram a leitura abaixo do esperado para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de novembro nos Estados Unidos e as diversas decisões de Política Monetária de bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa.

Cenário Externo
O foco das atenções da semana deve ser sobre o estado da conjuntura econômica global. Na semana que se passou, os analistas ampliaram seus receios da possibilidade de uma recessão prolongada em 2023 após uma sequência de decisões de Política Monetária de bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa. Embora alguns índices de preços comecem a dar indícios de que possam estar começando uma desaceleração, tal como o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos Estados Unidos, as autoridades monetárias foram, de forma geral, consensuais em apontar que ainda é necessário se elevar substancialmente os juros nas economias avançadas a fim de recuperar a estabilidade de preços.
Tal mensagem alarmou investidores, que apostavam na possibilidade de uma suavização dos apertos monetários por estas autarquias. O Federal Reserve (Fed), por exemplo, projetou que antevê a taxa federal de juros (fed funds rate) em um intervalo entre 5,00% e 5,25% a.a. em dezembro de 2023, ao passo que o mercado futuro de juros aposta majoritariamente em uma faixa entre 4,25% e 4,50% para o mesmo período. Já o Banco Central Europeu comunicou a possibilidade de outros três reajustes seguidos de 50 pontos base, o que traria a taxa de juros de depósito do bloco para 3,50% a.a., no mínimo. O quadro foi completado, sexta-feira (16), com as prévias dos Índices Gerentes de Compra (PMI) de novembro sinalizando contração tanto para a área do euro como para os Estados Unidos, ampliando as percepções de que o novo ano será de muito juros, pouco crescimento e, com sorte, preços elevados, mas declinantes. Será por esta ótica que os dados econômicos da próxima semana serão observados, particularmente sob o prisma da recessão.


Desta forma, o dado econômico mais relevante da semana será o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), medida mais utilizada pelo Fed para acompanhar preços ao consumidor e que pode confirmar – ou refutar – as hipóteses de que os preços começaram a moderar nos EUA e que há espaço para o banco central estadunidense ser mais pausado em suas altas de juros.

Cenário Doméstico
No Brasil, a semana será leve em indicadores. O foco das atenções deve permanecer sobre a PEC da Transição na Câmara dos Deputados. Após uma semana de muita resistência e nenhum progresso, o prazo hábil para que a emenda tenha efeito em janeiro de 2023 é cada vez mais exíguo, visto que as atividades legislativas se encerram na próxima quinta. Dessa forma, a PEC precisaria ser aprovada em duas instâncias no Plenário da Câmara e, depois, o Orçamento precisaria ser aprovado dentro desse prazo. Os congressistas, por outro lado, aguardam pela definição do julgamento do chamado “orçamento secreto” pelo Superior Tribunal Federal (STF), agendado para a segunda-feira (19), que, na prática, se constitui em importante medida de apoio parlamentar em troca de liberação de verbas públicas. Com o prazo se esgotando, a expectativa de investidores é de que o governo de transição aceite ceder e reduza o valor que se propõe aumentar para o teto de gastos, atualmente em R$ 145 bilhões, ou diminua o prazo de validade da emenda constitucional, de dois para um ano. Caso não haja consenso, a última saída seria publicar uma Medida Provisória (MP) para liberar créditos extraordinários a fim de financiar o aumento de despesas, que seriam contabilizados fora do teto de gastos.
Por fim, é digno de nota que o desarranjo orçamentário do fim do governo de Jair Bolsonaro é tão grave que o Ministério da Economia precisou publicar uma MP de R$ 7,56 bilhões em créditos extraordinários – ou seja, fora do teto de gastos – para conseguir quitar os benefícios previdenciários de fim de ano, uma despesa recorrente e previsível. Tal fato evidencia a necessidade de se reajustar o Orçamento de 2023, ainda que se possa discutir o montante necessário.

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O conteúdo a seguir foi disponibilizado ao vivo aos clientes membros do programa Focus, da consultoria StoneX, no âmbito da videoconferência mensal sobre câmbio, realizada em sexta-feira, 07 de agosto de 2026, às 10h30.


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