- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Boa condição das lavouras norte-americanas;
- Avanço da colheita no Brasil (safrinha) e Argentina.
- Fatores altistas
- Atraso no ritmo de comercialização no Brasil e nos Estados Unidos;
- Seca na Ucrânia impactando o desenvolvimento da safra 24/25;
- Redução na área estimada para os EUA.
Chicago iniciou a semana passada em alta, com o mercado repercutindo os números trazidos pelo WASDE na segunda-feira. O mercado já estava precificando uma produtividade maior para as lavouras norte-americanas, conforme a safra vem se desenvolvendo em condições melhores do que a média, conforme vem sendo repercutido nos relatórios dos últimos meses. A grande surpresa, que fez com que o vencimento de setembro encerrasse o pregão da segunda-feira acumulando uma alta superior aos 2% foi uma revisão para a área plantada nos EUA. A estimativa do USDA agora aponta para 36,71 milhões de hectares semeados na safra 2024/25, quase 300 mil a menos do que era estimado em julho. A área menor poderia resultar em uma perda de mais de 3 milhões de toneladas mantido o rendimento médio de julho. No entanto, a revisão para a produtividade mais do que compensou as perdas de área, resultando em uma estimativa de produção que ficou em 384,75 milhões de toneladas, 1,2 milhão a mais do que o número anterior.
A estimativa de agosto para a produtividade estadunidense ficou em 11,49 ton/ha. O número veio acima das estimativas do mercado, que apontavam para um número próximo da estimativa da StoneX, que era de 11,44 ton/ha. Como foi dito no semanal de milho da semana passada, caso o clima de agosto seguisse favorável nas regiões produtoras, os valores da produtividade poderiam superar o patamar das 11,44 ton/ha, e o USDA acredita que isso já é um cenário consolidado. Com o desenvolvimento da safra nos EUA se encaminhando para a reta final com uma porcentagem das lavouras Boas/Excelentes que se mantêm em 67%, acima da média dos últimos 5 anos, a boa produtividade nos campos norte-americanos é cada vez mais um fato.
Em escala global, o aumento das estimativas para a safra norte-americana foi ofuscado por reduções na União Europeia e na Ucrânia, que vêm enfrentando problemas climáticos ao longo da safra de primavera que está se desenvolvendo nesses países.
Por mais que Chicago tenha reagido positivamente aos fatos da última segunda-feira (12) - principalmente no que tange a revisão de área nos EUA –, fazendo com que os contratos operassem boa parte da semana no verde, com o desenvolvimento caminhando e uma supersafra já precificada, o mercado deverá observar se todo esse milho encontrará um destino.
Voltando as atenções para a demanda, o relatório do USDA também trouxe algumas novidades. Começando pelo ano safra 2023/24 para os Estados Unidos, que se encerrará no final de agosto, o USDA aumentou sua estimativa para as exportações de 56,52 milhões de toneladas para 57,15 milhões. Foi a 3ª vez nos últimos quatro meses que as estimativas de exportação foram ajustadas para cima, sinal de que as vendas norte-americanas de milho no exterior estão surpreendendo positivamente. Já para o consumo dos setores de etanol e de rações, o USDA manteve suas estimativas praticamente inalteradas, com o consumo doméstico ficando em 320,43 milhões de toneladas (diminuição mensal de 0,1%).
Para o ano safra 2024/25, ainda para começar, o USDA também aumentou sua estimativa para as exportações norte-americanas, sendo agora esperado o embarque de 58,42 milhões de toneladas. Já o consumo doméstico passou de 322,08 milhões de toneladas para 321,7 milhões.
Apesar de todas as mudanças nas estimativas de oferta e demanda, a conclusão é que as perspectivas seguem sendo de estoques elevados nos Estados Unidos, tanto ao final do ano safra 2023/24, como ao final do ano 2024/25, fator baixista para as cotações do milho.
Intraday (15 min) contrato de setembro/24 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
No Brasil, o USDA não trouxe revisões em suas estimativas em comparação ao número de julho, mantendo os números da safra 23/24 em 122 milhões de toneladas e da safra 24/25 em 127 milhões de toneladas. No entanto, semana passada tivemos também os números da Conab para as safras de milho no país, que trouxeram uma ligeira redução da produção no agregado da safra 23/24, que ficou em 115,65 milhões de toneladas, 200 mil a menos do que o número anterior. As estimativas da StoneX seguem mais otimistas do que a da companhia, colocando a produção 23/24 em 121,8 milhões de toneladas. O destaque foi para um aumento significativo das exportações brasileiras, que foram revisadas em 2,5 milhões de toneladas para alcançar as 36 milhões de toneladas nas estimativas da companhia.
Ainda sobre as exportações de milho, dados do Comex Stat mostram que, por enquanto, elas estão mais fracas que no ano passado. Em agosto de 2023, as exportações alcançaram 9,363 milhões de toneladas; já em agosto de 2024, foram exportadas 1,938 milhões de toneladas nos sete primeiros dias úteis e os dados de lineup indicam que ao final do mês os embarques terão alcançado apenas 4,281 milhões de toneladas.
O fator que melhor explica essa diminuição nas exportações é a própria diminuição da safra de milho 2023/24 quando comparada a 2022/23, que foi a maior da história brasileira. O aumento expressivo da demanda das usinas de etanol de milho e o aumento constante do consumo do setor de rações também tem um papel nesta redução.
Intraday (15 min) contrato de setembro/24 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Por fim, falando de China e União Europeia, os maiores importadores de milho do mundo, o USDA não projetou mudanças em suas importações no ano safra 2024/25, mantendo as compras em 23 e 18 milhões de toneladas, respectivamente.
Tabelas de preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)





