FATORES BAIXISTAS
- Expectativa de estoques norte-americanos e mundiais menos apertados em 2021/22;
- Preocupação com novos casos de Covid-19 e lockdowns na China;
- Redução da preocupação com o plantio nos EUA
FATORES ALTISTAS
- Avanço da vacinação contra a Covid-19;
- Preocupação com safra de grãos na América do Sul;
- Conflito entre Rússia e Ucrânia e expectativa de menor plantio na Ucrânia.
Os futuros do cereal abriram a última semana em alta na CBOT, com o contrato com vencimento em julho de 2022 encerrando o pregão de segunda-feira (23) com uma valorização de 7,5 cents/bu no intradia. Um dos motivos desse movimento foi a divulgação do relatório de inspeções de exportação dos EUA, que trouxe um considerável volume embarcado pelos EUA.
Segundo dados do USDA, os EUA exportaram 1,7 milhão de toneladas de milho na semana encerrada em 19 de maio, 639 mil toneladas a mais que o volume embarcado na semana anterior, mas 47 mil toneladas abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. As exportações acumuladas totalizaram 40,83 milhões de toneladas, 8,24 milhões a menos que o registrado na mesma época da temporada anterior.
No final do dia, o USDA divulgou seu relatório semanal de acompanhamento de safra. Segundo dados do Departamento, a semeadura atingiu 72% até o dia 22 de maio, um avanço semanal de 23 p. p. No mesmo período de 2021, o plantio havia alcançado 89%, ao passo que a média dos últimos 5 anos é de 79%.
Intraday (15 min) contrato de julho/22 (CBOT)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Cotações do milho - CBOT (cents/bushel)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Na terça-feira (24), refletindo os dados de progresso de safra divulgados pelo USDA no dia anterior, os futuros do grão apresentaram recuos significativos em Chicago. O julho/22 finalizou a sessão com uma contração de 14,5 cents/bu no comparativo diário.
Outro fundamento que contribuiu para o recuo observado no dia foi a assinatura de um acordo fitossanitário entre China e Brasil para liberar as exportações de milho brasileiro para o país asiático. A expectativa desse acordo já existia há bastante tempo, mas destaca-se que as exportações não passam a ocorrer de maneira imediata, pois a China precisa realizar a habilitação de estabelecimentos exportadores e regulamentações de transgênicos ainda precisam ser definidas.
A China tem aumentado suas importações de milho nos últimos anos, movimento motivado pela recuperação do rebanho de suínos e problemas enfrentados na safra doméstica do país. Outro ponto a se observar é a preocupação com segurança alimentar, uma vez que o país detém a maior população do mundo. Com o conflito na Ucrânia e as incertezas quanto as exportações do país, que é uma das principais origens do milho importado pela China, a liberação da importação do milho brasileiro seria uma forma de se proteger de momentos de menor oferta do cereal.
Na quarta-feira (25), o julho/22 encerrou a sessão praticamente estável, com um avanço de apenas 0,5 cent/bu, ao passo que os demais contratos registraram leves quedas.
A Administração de Informação de Energia (EIA) relatou que a produção norte-americana de etanol avançou para 1.014 mil barris por dia (mbpd) na semana encerrada em 20 de junho, crescimento de 23 mbpd no comparativo semanal. Já os estoques do biocombustível recuaram para 23,71 milhões de barris, contração de 80 mil barris em relação à semana anterior.
Na quinta-feira (26), em função dos dados divulgados no relatório semanal de vendas de exportação dos EUA, que apontaram para uma demanda mais fraca pelo milho norte-americano, os preços do grão recuaram. O contrato com vencimento em julho/22 recuou 7,25 cents/bu em comparação com o fechamento anterior.
O USDA informou que as vendas líquidas referentes à safra 2021/22 totalizaram 151,6 mil toneladas na semana encerrada em 19 de maio, 262 mil toneladas a menos que o observado na semana anterior e 404,3 mil abaixo do registrado na semana equivalente de 2021. O volume ficou no limite inferior da faixa esperada pelo mercado, que variava entre 150 mil e 500 mil toneladas. Os compromissos de todos os destinos avançaram para 59,1 milhões de toneladas, contra 68,6 milhões no mesmo período do ano passado.
Vendas semanais de exportação 2021/22 – EUA
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Na sexta-feira (27), os futuros do cereal voltaram a avançar em Chicago, recuperando parte considerável das perdas registradas nos dias anteriores. O julho/22 acumulou uma valorização de 12,25 cents/bu no comparativo diário. Com isso, o contrato em questão encerrou a semana cotado a 777,25 cents/bu, registrando uma contração de 1,5 cent/bu, ou 0,2%, no período.
Na próxima quarta-feira, 1º de junho, a StoneX irá divulgar seu relatório mensal de estimativa de safra de graõs. No início de maio, a StoneX estimava a safra total em 2021/22 em 116,45 milhões de toneladas, com a primeira safra estimada em 26,25 milhões de toneladas, a 2ª em 88,14 milhões e a 3ª em 2,05 milhões.
PREÇOS FÍSICOS (R$/sc 60kg)
Fonte: StoneX, Aroglink e IMEA. Elaboração: StoneX.