
Mercado de milho em alta com boas perspectivas na relação EUA-China
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- USDA estima estoques menores para a safra 2025/26 a nível global;
- Exportações fortalecidas nos Estados Unidos;
- Melhoria na relação EUA-China.
- Bearish
- Avanço de área plantada 2025/26 no Brasil;
- Safra potencialmente recorde nos Estados Unidos;
- Estoques maiores nos Estados Unidos.
CBOT
A semana foi de alta para o milho negociado em Chicago. O dezembro/25 encerrou a sexta-feira no patamar dos US¢422,50/bu (+0,2%).
O otimismo do mercado se justifica pelo desaquecimento nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China. Havia grande ansiedade com o encontro que aconteceu neste domingo (26) entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent , e o representante comercial Jamieson Greer com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng. Ao longo da semana, as pistas apontavam que o encontro seria produtivo, o que se confirmou ontem, com Bessent apontando que foi pautada a estrutura de um acordo comercial entre as duas potências, que potencialmente envolveria a não implementação de limitação de exportações de metais terras-raras.
Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
O secretário também declarou que a China se comprometeu a comprar volumes “substanciais” de soja americana. Esse direcionamento era bastante aguardado pelo mercado americano de grãos e, em reação, a soja já sobe cerca de 2% nas primeiras negociações desta segunda-feira.
Tudo aponta para uma resolução momentânea dos conflitos comerciais, o que permite um respiro ao mercado. As atenções agora estarão voltadas ao encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, que acontecerá na quinta-feira, bem como a como as negociações do acordo comercial vão avançar após a reunião.
Ao longo de sua viagem pela Ásia, Trump está hoje no Japão, onde pretende-se costurar novos acordos comerciais. A nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, já deu indicativos que o país pode expandir suas compras de soja dos Estados Unidos. No entanto, é claro que o país tem muito mais a oferecer ao mercado americano de grãos, como o aumento de importações de milho e arroz.
No campo dos fundamentos, a safra americana segue sendo colhida. No entanto, sem grandes atualizações em função do shutdown do governo americano, o mercado segue vendo poucas novidades nas perspectivas de colheita. Além disso, a produção de etanol tem crescido nos Estados Unidos nas últimas semanas, o que amplia o otimismo com o consumo de milho neste ano-safra, o que dá força para os futuros em Chicago.
No campo dos fundamentos, a safra americana segue sendo colhida. No entanto, sem grandes atualizações em função do shutdown do governo americano, o mercado segue vendo poucas novidades nas perspectivas de colheita.
Olhando para a demanda, embora não vejamos dados de exportação, o mercado espera que o escoamento os embarques de milho sigam fortes, embora as preocupações de seca no rio Mississippi ainda estejam no radar.
Ainda na demanda, a produção de etanol tem crescido nos Estados Unidos nas últimas semanas, o que amplia o otimismo com o consumo de milho neste ano-safra, o que também dá força para os futuros em Chicago.

EUA | Produção semanal de etanol (mil barris/dia) Fonte: EIA
Brasil
Os preços de milho na B3 observaram um forte recuo na semana passada, quando o vencimento de novembro/25 fechou a R$67,20/lb (-1,9%). O mercado tem apresentado fundamentos bastante estáveis nas últimas semanas, com as variações estando associadas majoritariamente a fatores técnicos do mercado e ao mercado de câmbio, conforme será mais bem explorado a frente.
Sobre as safras de verão, poucas novidades. O plantio, de forma geral, avança bem tanto para a soja quanto para o milho verão, aumentando o otimismo com a produção brasileira em 2026. As exportações em outubro também têm apresentado um bom ritmo, com embarques registrados em 3,6 milhões de toneladas na primeira quinzena. Dessa forma, podemos ver um mês de maiores volumes embarcados do que outubro de 2024, quando foram exportadas 4,7 milhões de toneladas de milho.
Intraday (15 min) contrato de nov/25 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Câmbio
Na semana passada, o mercado cambial reagiu a dados de inflação nos Estados Unidos e no Brasil, que vieram ambos abaixo do esperado pelo mercado. Nos EUA, o CPI mais fraco pavimenta o caminho para novos cortes de juros, que devem acontecer nas próximas duas reuniões do FOMC até o final do ano. No Brasil, embora a inflação mais controlada também tenda a fortalecer a tese de corte de juros, vemos falas de autoridades monetárias destacando o fato de que a inflação segue acima da meta, o que reforça o comportamento mais contracionista pelo Copom até vermos preços mais controlados.
Dessa forma, a ampliação do diferencial de juros deve seguir um fator de valorização do real nos próximos meses.
Além disso, o presidente Lula se encontrou com Donald Trump na Malásia neste domingo (26). O encontro, ao que tudo indica, foi positivo e as autoridades brasileiras e americanas devem seguir negociando um acordo comercial, o que é positivo para o real.
-
Especial | Argentina
-
A Argentina deve plantar 7,8 milhões de hectares de milho na temporada 2025/26, avanço de 700 mil hectares em relação ao que foi plantado em 2024/25. Com a manutenção dos níveis produtivos da safra passada, esse avanço de área poderá entregar uma produção próxima das 54 milhões de toneladas no ano que vem. Até o momento, o plantio do milho alcançou 33,8% da área total, ritmo bastante acelerado em comparação ao ano passado, quando apenas 28,9% da safra tinha sido plantada na mesma semana de referência.
Embora o plantio acelerado tenda a fortalecer a perspectiva de uma safra boa na Argentina, os produtores ainda devem se mostrar bastante temerosos com o La Niña neste ano, que tende a resultar em um clima mais seco nas lavouras argentinas, o que, se confirmado, pode ser um fator de queda de produtividade no país.
De qualquer forma, no curto prazo vemos um sistema se formando no sul do continente que tende a trazer um regime climático mais instável para as lavouras da província de Buenos Aires, o que deve ser seguido de temperaturas menores, o que pode afetar o desenvolvimento de algumas lavouras.
Se concretizada uma safra robusta, o mercado argentino pode ser uma importante origem para sustentar parte da demanda brasileira de milho em caso de escassez no primeiro semestre do ano que vem, o que pode ocorrer em função do aquecimento do consumo doméstico.
-
Plantio de milho na Argentina (%)
Fonte: StoneX.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
