
Milho segue operando em margens estreitas na CBOT; volatilidade no dólar impacta preços no Brasil
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- USDA estima estoques menores para a safra 2025/26 a nível global;
- Exportações seguem fortalecidas nos Estados Unidos;
- Perspectivas de menor área plantada nos EUA em 2026;
- Bearish
- Avanço de área plantada 2025/26 no Brasil;
- Estoques finais maiores nos Estados Unidos.
Nota: nas próximas duas semanas, a publicação do Resumo Semanal de Milho estará suspensa, em razão das festas de final de ano.
CBOT
Apesar de um início de semana em baixao, os futuros do milho na CBOT acumularam uma alta semanal, com o março/26 sendo negociado a US¢443,75/bu (+0,7%).
Intraday (15 min) contrato de mar/26 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
O desenvolvimento das safras sul-americanas tem oferecido algumas resistência ao mercado. Na Argentina, onde o plantio já atingia 70% da área na semana passada, 88% das lavouras estão em condições boas/excelentes. Dessa forma, o mercado acompanha a possibilidade de uma produção grande no país. Além disso, no Brasil, a safra de verão se desenvolve bem, embora concentre uma parcela menor da oferta total do país em comparação à safrinha.
Esse bom desenvolvimento nas culturas de verão sul-americanas se somou a uma forte depreciação do trigo na semana passada para resultar em ampla pressão no complexo de grãos.
Ainda assim, com o passar da semana, o mercado foi confrontado novamente por bons indicativos no mercado exportador, sendo reportadas vendas de 1,8 milhões de tonealadas para ambas as semanas encerradas em 20 e 27 de novembro (hoje pela manhã, o anúncio de vendas de 1,5 milhões de toneladas na semana encerrada em 04 de dezembro corrobora esse cenário de exportações fortes nos EUA).
Além de boas exportações, a EIA divulgou os dados semanais de produção de etanol no país, sugerindo o maior volume de uso de milho semanal na história. Com isso, a demanda por milho segue encontrando pilares para se sustentar, aumentando o apetite comprador no mercado.
Também vale citar que na sexta-feira houveram boatos de que a China teria comprado volumes de milho dos portos do noroeste americano (PNW). No Relatório Semanal de Milho do dia 03/nov, abordamos essa possibilidade de retorno da China ao mercado internacional por problemas com excesso de umidade em sua estação de colheita de milho. À época, os produtos americanos estavam fortemente tarifados, o que tornaria os Estados Unidos uma origem menos atrativa e isso poderia, portanto, beneficiar o Brasil. Com a diminuição das tarifas em meados de novembro, os Estados Unidos voltaram a ser uma origem preferida em função do valor mais baixo do seu milho. Dessa forma, hoje, faz todo sentido essa compra de milho americano pela China. Ainda assim, há dúvidas se ela se sutentará, dado que, apesar da carência de qualidade, a China ainda dispõe de amplos volumes de milho em seu mercado doméstico.
Brasil
No Brasil, os preços também registraram alta na semana passada, com o março/26 encerrando a semana a R$75,57/saca (+0,8%).
Intraday (15 min) contrato de mar/26 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
A dinâmica cambial tem exercido forte influência na direção dos preços do milho brasileiro. Mesmo em um contexto em que o dólar perde força frente a outras moedas, o real tem apresentado um desempenho fraco, tendo recuado 3,6% em dezembro até o momento. As incertezas relacionadas às eleições do ano que vem tem pesado no mercado, somando a uma volatilidade comum para o mês de dezembro.
A desvalorização do câmbio torna as commodities brasileiras mais caras em reais, dando apoio para as altas do milho. Ainda assim, isso não significará uma repentina maior atratividade brasileira no palco internacional, dado que o milho americano ainda se mostra bastante atrativo, o que significa dizer que dificilmente teremos muitas diferenças de peso no balanço doméstico em função dessa movimentação cambial.
A Inpasa anunciou a construção de uma nova usina de etanol de milho em Rondonópolis – MT e a expansão da sua planta em Nova Mutum – MT. Isso é mais um indicativo da ampla atratividade do setor que, mesmo em um ano que teve períodos de milho mais caro no mercado doméstico, as margens de produção no Mato Grosso se mantiveram bastante positivas. Ainda assim, o consumo do cereal não para de crescer, e ficará a cargo da produção acompanhar. Por isso, é crucial acompanhar o desenvolvimento da safrinha, que começará a ser plantada dentro de algumas semanas, para determinar a disposição do balanço doméstico no ano que vem.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
