- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- USDA corta safra do Brasil em apenas 1 milhão de toneladas;
- Safra deve ser favorável na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Vendas de exportações fracas dos EUA;
- Cortes da produção estimada por Conab, USDA e Abiove;
- USDA revisa exportações chinesas para cima;
- Clima quente e seco afetou condições de safra na Argentina;
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro.
Na semana passada, em Chicago, houve uma predominância da tendência de alta para as cotações da soja, com o vencimento para maio encerrando a sexta-feira (dia 11) em 1184 cents por bushel, ganhos de 2,8% no período.
Esses ganhos podem ser explicados principalmente por uma correção, com cobertura de posições vendidas, e com a revisão de dados chineses pelo USDA. De qualquer forma, não houve maiores alterações no cenário de oferta e demanda mundial.
A safra da América do Sul deve registrar um saldo positivo, com a produção argentina mais que compensando as perdas brasileiras.
Como ressaltado no relatório da semana passada, a StoneX Brasil atualizou a sua estimativa de safra 2023/24, elevando a produção para 151,55 milhões de toneladas (0,8% superior ao último relatório). Houve ajustes positivos em estados do Norte e Nordeste e em Goiás, onde bons níveis de precipitações mais tardias beneficiaram as lavouras, favorecendo um melhor rendimento.
Com isso, apesar das perdas de safra, lembrando que as estimativas iniciais apontavam 165 milhões de toneladas, esse resultado, somado ao esperado para a Argentina, garante que o balanço de oferta e demanda mundial continue apontando para um cenário mais folgado.
É importante ressaltar que há alguma divergência entre as estimativas de safra divulgadas por várias instituições do mercado, com, em média, a maior parte dos números girando em torno de 150 milhões de toneladas para a produção brasileira 23/24. Destaca-se que a Conab atualizará seu levantamento mensal amanhã, enquanto o USDA continua trazendo um número maior, em 155 milhões de toneladas, mesmo com a última revisão, de sexta-feira (dia 08).
Na Argentina, a Bolsa de Buenos Aires estima a safra 23/24 em 52,5 milhões de toneladas, destacando as chuvas benéficas recentes, com 82% das lavouras em condições boas/excelentes. Por outro lado, o número da Bolsa de Rosário está em 49,5 milhões, com a instituição tendo realizado um ajuste negativo devido ao padrão mais quente e seco registrado em janeiro. Mesmo assim, a despeito dessa diferença entre os números, o país caminha para um resultado robusto, recuperando-se da forte quebra registrada no ciclo 22/23.


O relatório mensal do USDA, divulgado na sexta-feira (dia 08), trouxe um corte pequeno para a safra brasileira, de apenas 1 milhão de toneladas, mantendo-se no teto dos números do mercado, em 155 milhões de toneladas. Para a Argentina, a produção esperada neste ciclo 23/24 foi mantida em 50 milhões de toneladas.
Para os EUA, não houve alterações nas variáveis de oferta e demanda em relação ao mês passado, enquanto o USDA revisou números chineses das últimas três safras, com destaque para o esmagamento e as exportações. Com isso, o Departamento indicou uma maior resiliência da demanda chinesas por soja, mesmo durante a pandemia. Por outro lado, com o aumento dos números de importação, há uma diferença importante em relação aos dados oficiais da alfândega chinesa, com o USDA indicando importações cerca de 5 milhões de toneladas acima do registrado pelo governo da China. Enquanto o USDA elevou as importações chinesas, fontes oficiais cortaram o número da safra 22/23, de 100,85 para 99 milhões de toneladas.
Usualmente, não há grandes divergências entre o USDA e os dados oficiais no que se refere a importação e exportação da China, mas essa revisão altista animou os mercados, com as cotações subindo na sexta-feira (dia 08).
Mesmo com essas revisões para o balanço chinês, a produção mundial 23/24 continua cerca de 15 milhões de toneladas acima do consumo estimado, mantendo o cenário mais confortável.
Em relação às exportações, a soja brasileira continua mais competitiva que a norte-americana, o que, aliado a compras mais fracas da China do produto dos EUA, alimenta as expectativas mais negativas para os embarques estadunidenses no ciclo 23/24.
As vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 29/02 alcançaram 613,5 mil toneladas, no teto das estimativas, que iam de 175 a 600 mil. Mesmo com esse resultado, no acumulado, as vendas do país estão em 39,4 milhões de toneladas, contra 48,7 milhões no mesmo período do ano passado. O USDA espera que as exportações norte-americanas fiquem 7,4 milhões de toneladas mais baixas que no ciclo 22/23. Assim, mesmo considerando-se a estimativa mais baixa, o acumulado ilustra o ritmo mais fraco das vendas norte-americanas.

Nesta semana que começa, destacam-se as divulgações do mensal da Conab, nesta terça-feira (dia 12) e os dados de esmagamento dos EUA, pela NOPA, na sexta-feira (dia 15), além dos dados usuais de exportação.





