- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- USDA corta safra do Brasil em apenas 1 milhão de toneladas;
- Safra deve ser favorável na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Vendas de exportações fracas dos EUA;
- Corte mais acentuado de produção pela Conab;
- USDA revisa exportações chinesas para cima;
- NOPA traz esmagamento mais forte nos EUA em fevereiro;
- Clima quente e seco afetou condições de safra na Argentina;
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro.
Na semana passada, as cotações da soja deram continuidade ao movimento de alta recente e terminaram o período com ganho de 1,2%, para o vencimento para maio, que encerrou a sexta-feira (dia 15) em 1198,25 cents por bushel.
A safra da América do Sul continua no centro das atenções, com destaque para a divulgação do levantamento mensal de safra da Conab, que baixou a estimativa para a produção brasileira para 146,9 milhões de toneladas, volume consideravelmente mais baixo que o USDA, que promoveu um corte de apenas 1 milhão de toneladas, para 155 milhões. Além disso, há várias outras estimativas de instituições privadas, também com números diferentes.
A Conab destacou que os ajustes negativos de produtividade foram resultado do clima adverso que afetou as lavouras nos primeiros meses do ciclo, enquanto o que foi plantado mais tarde foi beneficiado pelas chuvas mais recentes, cenário em linha ao que vem sendo observado pela StoneX, com a diferença que a Conab está mais pessimista em relação aos impactos iniciais.
Por mais que ainda haja dúvidas sobre o tamanho da safra brasileira, o recuo da produção por aqui ainda é mais que compensado pelo avanço esperado para a produção argentina. A Bolsa de Rosário elevou seu número de safra de 49,5 para 50 milhões de toneladas, enquanto o número da Bolsa de Buenos Aires permanece em 52,5 milhões de toneladas.
De qualquer forma, esse número mais baixista da Conab contribuiu para o tom mais positivo do mercado, recentemente, lembrando que, como as posições vendidas estão muito elevadas, há espaço para movimentos de cobertura.


Pelo lado da demanda, destaca-se que a soja brasileira está se mantendo mais competitiva que a norte-americana, o que é usual para o período, com o avanço da colheita por aqui.
As inspeções de exportação dos EUA alcançaram 706,3 mil toneladas na semana encerrada em 07/03, volume mais baixo que uma semana antes, mas superior que o reportado na mesma semana do ano passado. No acumulado, os embarques do país atingem 35 milhões de toneladas, contra 43,3 milhões nessa mesma época de 2023. Contudo, é importante lembrar que o USDA estima exportações 7,4 milhões mais fracas no comparativo anual.
Em relação às vendas de exportação do país na mesma semana, as negociações líquidas da safra 23/24 ficaram em 376 mil toneladas, no intervalo das expectativas, que iam de 250 a 800 mil toneladas. Desse total, 230 mil foram negociadas com a China, mas destaca-se que o maior importador mundial comprou 7,9 milhões de toneladas a menos dos EUA que o registrado no mesmo período do ano passado. No total, as vendas acumuladas estão atrasadas em 9,7 milhões de toneladas, alcançando 39 milhões de toneladas.
Apesar de o USDA ter trazido perspectivas mais positivas para as importações chinesas no relatório divulgado no último dia 08, revisando, inclusive, safras anteriores, as preocupações com o ritmo da demanda do país continuam, além das perspectivas de maior introdução de sementes transgênicas, que devem impulsionar a produtividade das culturas no país, podendo afetar também a distribuição da área plantada.

Quanto ao consumo doméstico norte-americano, a Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês) divulgou um esmagamento de 5,07 milhões de toneladas em fevereiro, levemente acima do mês anterior, e consideravelmente acima da média das expectativas do mercado, em 4,85 milhões de toneladas. Esse ritmo de processamento de soja estaria, inclusive, mas forte que o necessário para atingir a estimativa anual do USDA. Por outro lado, os estoques também cresceram acima do esperado, para 766,6 mil toneladas, o que alimenta as preocupações com o segmento de diesel renovável, que já está diante de RINs com valores pressionados.
Nesta semana que começa, a safra do Brasil e da Argentina vão continuar no radar, além das exportações dos EUA. Destaca-se que o mercado já aguarda o dado de intenção de plantio nos EUA, que será divulgado no dia 28/03.





