- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- USDA estima safra brasileira 23/24 em 154 milhões de toneladas;
- Conab eleva safra de soja 23/24;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Perspectivas de crescimento de área nos EUA.
- Fatores altistas
- Impacto das chuvas no ritmo de plantio dos EUA;
- Perdas de safra nos Rio Grande do Sul, devido a inundações;
- Fundos especulativos reduzem posição vendida;
- USDA continua apostando em importações chinesas muito aquecidas.
As cotações da soja em Chicago oscilaram bastante nos pregões da semana passada, com uma tendência de alta predominando, com o mercado seguindo o plantio no EUA, a consolidação da safra 23/24 na América do Sul, além de dados de demanda. O vencimento para julho terminou a sexta-feira (dia 24) em 1248 cents por bushel, avanço semanal de 1,6%.
A ocorrência de chuvas nos EUA tem sido acompanhada de perto, com o registro, inclusive, de tornados em regiões do Meio Oeste, situação que tem deixado os trabalhos no campo mais lentos, após um início bastante acelerado do plantio da safra 24/25. Até o domingo, dia 19, foram semeados 52% da safra de soja do país, percentual ainda acima da média de cinco anos para o período, em 49%, mas abaixo dessa mesma semana no ano passado, em 61%. Como hoje (dia 27), é feriado nos EUA, a próxima atualização de safra dos EUA será divulgada somente no final da tarde de amanhã, sendo muito aguardada. Um plantio atrasado usualmente não tem impactos diretos na produtividade da safra de soja dos EUA, apesar de aumentar os riscos associados ao cultivo. Por outro lado, as janelas de plantio definidas para cada região estão atreladas ao seguro agrícola e, quando as datas limite vão sendo ultrapassadas, a cobertura diminui gradativamente. Assim, começa a haver mais especulações quanto a áreas de “plantio impedido” à medida que o mês de junho se aproxima.
No Brasil, a situação do Rio Grande do Sul continua sendo monitorada, com a colheita da soja no estado tendo alcançado 92% do total na última sexta-feira (dia 27), segundo a StoneX. Os prejuízos, incluindo os à cadeia da soja, como os relacionados à armazenagem, ao processamento, à logística, ainda não são plenamente conhecidos, mas, em relação à safra, a StoneX mantém sua estimativa de uma perda de 3 milhões de toneladas. De qualquer forma, além dos impactos sobre a oferta, a demanda também vai ser afetada. Por exemplo, a mistura obrigatória de biodiesel foi temporariamente flexibilizada no estado, passando de 14% para 2%, com essa medida devendo ser reavaliada no começo de junho. Cabe lembrar que o Rio Grande do Sul é o maior produtor nacional de biodiesel.
Na Argentina, a colheita da soja alcançou 77,9% do total na última quarta-feira (dia 22), segundo a Bolsa de Buenos Aires, um avanço semanal de 14,2 p.p., com os rendimentos se estabilizando, ainda de acordo com a instituição. Com isso, a estimativa para a safa do país se mantém em 50,5 milhões de toneladas.


Pelo lado da demanda, as exportações norte-americanas continuam no radar, com as vendas da safra 23/24 tendo alcançado 279,4 mil toneladas na semana encerrada em 16/05, volume no piso das estimativas, que iam de 275 a 550 mil toneladas. No acumulado, foram negociadas 42,8 milhões de toneladas, com esse ritmo, ainda sendo suficiente para atingir a estimativa de exportações do USDA até agosto, que atualmente está em 46,3 milhões de toneladas. Destaca-se que as ofertas brasileiras para a China continuam mais competitivas que as dos EUA, com as exportações originadas no Brasil se mantendo muito aquecidas, mesmo com a safra menor por aqui.
A demanda doméstica dos EUA também é monitorada, com o seguimento de diesel renovável, que tem recebido muitos investimentos nos últimos anos, incentivando a ampliação da capacidade de esmagamento de soja, no centro das atenções. Em abril, como já destacado em relatório anterior, a Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês) divulgou um processamento de soja consideravelmente abaixo do esperado enquanto, pelo lado das exportações, os dados e óleo de soja estão no radar, uma vez que se as negociações e embarques do óleo vegetal aumentam, poderia ser um indicativo de um desempenho mais fraco do setor de diesel renovável, que estaria absorvendo menos da matéria-prima. A última divulgação indicou um cancelamento líquido de vendas de exportação de óleo de soja, o que foi bem recebido pelo mercado, pois não confirmaria a possibilidade de uma sobreoferta de óleo internamente. Mesmo assim, a demanda por óleo para biocombustíveis no país deve continuar central para o equilíbrio do balanço de oferta e demanda de soja.

Como é feriado nos EUA nesta segunda-feira (dia 27), a falta da referência da Bolsa de Chicago deve deixar o mercado mais parado hoje, com as divulgações de dados norte-americanos voltando a ocorrer a partir de amanhã, sempre com muita expectativa em relação ao andamento da safra do país.
Pelo lado da demanda, o ritmo das compras chinesas também deve continuar no radar, com o país concentrando suas importações na soja brasileira, enquanto há dúvidas sobre qual será o tamanho das importações anuais, com o USDA mais otimista e divergindo em relação aos dados da Alfândega da China.





