- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Estimativa de produção recorde para os EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX estima produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Período de colheita nos EUA;
- Vendas de exportação acumuladas da safra 24/25 estão mais fracas que o necessário.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Fundos cobrindo posição vendida;
- Conversão de plantas para diesel renovável na Califórnia;
- EUA avaliam limitar importação de óleo de cozinha usado (UCO);
- Clima seco no Brasil atrasa início da semeadura;
- Início do ciclo de cortes de juros do Fed.
As cotações da soja em Chicago registraram queda na semana passada, após os ganhos recentes consideráveis, com o mercado monitorando o andamento da safra da América do Sul, além de novidades pelo lado da demanda. O vencimento para novembro encerrou a sexta-feira (dia 4) em 1037,75 cents por bushel, baixa de 2,6% no período.
Logo no início da semana, o USDA divulgou a posição dos estoques norte-americanos em 1/9, que corresponde aos estoques finais da safra 23/24. O resultado de 9,31 milhões de toneladas ficou muito próximo à última estimativa do USDA, em 9,55 milhões, não trazendo maiores surpresas ao mercado, mantendo a situação mais confortável do balanço de oferta e demanda.
Já a colheita da safra 24/25 dos EUA alcançou 26% do total no dia 29/9, avanço de 13 p.p. em uma semana, mantendo-se acima da média de cinco anos, em 18%, e também do registrado no mesmo período do ano passado, quando alcançava 20%. As perspectivas continuam muito positivas, com o resultado caminhando para um recorde. O percentual bom/excelente das lavouras se manteve em 64%, contra uma média de cinco anos em 57%.
A StoneX dos EUA atualizou sua estimativa para a safra norte-americana, por meio de levantamento de produtividade, considerando a área oficial do USDA. O rendimento médio nacional ficou em 3,6 toneladas por hectare, nível recorde e mais elevado que a estimativa oficial do USDA, em 3,58. Com essa produtividade de 3,6 toneladas por hectare, a produção iria para 125,55 milhões de toneladas, maior volume já registrado.
De qualquer forma, independentemente do número final da safra norte-americana, tudo indica que um nível recorde será confirmado, com as atenções pelo lado da oferta estando centradas, cada vez mais, na safra da América do Sul. Segundo acompanhamento da StoneX Brasil, até a sexta-feira (dia 4/10), a semeadura no Brasil alcançava 5,3% do total, contra 10,1% no mesmo período do ano passado. Destaque para o atraso em Mato Grosso, onde o plantio atingiu 2,3%, contra 15,3% no mesmo período do ano passado. Na última semana, as chuvas ainda ficaram mais concentradas no Sul e no Norte do país, mas as previsões estão mais favoráveis para os próximos 15 dias, indicando chuvas mais generalizadas em boa parte da região produtora de soja.
Dessa forma, por mais que essas questões climáticas tenham oferecido suporte aos preços no período recente, ainda é cedo para se estimar algum prejuízo, pois, mesmo com atrasos, se o clima ficar dentro do normal durante do desenvolvimento das lavouras, a safra ainda pode ser cheia. Assim, a StoneX atualizou sua estimativa para a safra brasileira 24/25, mantendo a produção esperada em 165 milhões de toneladas. Na próxima atualização, no começo de novembro, se o clima não se mostrar mais em linha com o usual para esse período do ano, as preocupações com possíveis prejuízos começam a aumentar.


Pelo lado da demanda, o mercado monitora o setor de biocombustíveis nos EUA, com medidas que poderiam limitar o uso do óleo de soja no radar, apesar de o momento atual ser favorável. Como já sinalizado anteriormente, o esmagamento do país em agosto alcançou 4,56 milhões de toneladas, 13,3% a menos que no mês passado, e 0,9% frente ao mesmo mês de 2023. Com isso, os estoques de óleo também recuaram, para 547 mil toneladas.
Já as vendas de exportação norte-americanas da safra 24/25 alcançaram 1,4 milhão de toneladas na semana encerrada em 26/9, nível dentro do intervalo das estimativas, que iam de 1 a 1,6 milhão de toneladas. Desse total, a China foi responsável por 730 mil toneladas, com o acumulado vendido para o país estando 500 mil toneladas abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Já o acumulado total de vendas dos EUA está em 18,9 milhões de toneladas, um pouco acima do registrado no ano passado, em 18,4 milhões, mas lembrando que o USDA estima um crescimento dos embarques no ano safra 24/25. Assim, o acumulado até o momento estaria cerca de 2 milhões de toneladas abaixo do necessário para se alcançar a estimativa de exportações em 50,35 milhões de toneladas.

Nesta semana, as atenções devem continuar bastante centradas no clima aqui na América do Sul, destacando que o plantio na Argentina está próximo de seu período de início, com o clima também sendo monitorado por lá. Na sexta-feira (dia 11), será divulgado o sempre aguardado relatório mensal de oferta e demanda do USDA. Usualmente, a divulgação de outubro não tende a trazer grandes surpresas para a produção da safra norte-americana, mas mudanças em outros players e também pelo lado da demanda sempre podem ocorrer.





