- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 consideravelmente acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda confortável nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Clima favorável na América do Sul;
- Dúvidas sobre subsídios para biocombustíveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Cobertura de posições vendidas pelos fundos especulativos;
- Produção e consumo de diesel renovável aquecidos nos EUA;
- Corte da estimativa de produção dos EUA, que já não é recorde;
- Importações aquecidas de óleos vegetais pela Índia.
As cotações da soja em Chicago oscilaram entre altas e baixas na semana passada, mas sem grandes variações, terminando o período m leve alta. O vencimento para janeiro encerrou a sexta-feira (dia 6) em 993,75 cents por bushel, alta de 0,4% no período.
Além da safra da América do Sul, que mostra um bom andamento, com perspectivas favoráveis, o mercado acompanha a política de biocombustíveis dos EUA, em meio a indefinições que podem prejudicar os investimentos previstos para os próximos anos.
A falta de uma definição de se os créditos de biocombustíveis a partir de janeiro irão englobar matérias-primas de origem estrangeira, como o óleo de cozinha usado, que competem diretamente com o óleo de soja norte-americano e outras opções disponíveis internamente, continua presente. Além disso, especula-se sobre a previsibilidade de programa de créditos, ainda não havendo nenhum anúncio de sua extensão, com a expiração prevista para o final de 2027, o que deixa o setor mais cauteloso em fazer investimentos, que acabam tendo um prazo longo de maturação.
Ainda em relação aos biocombustíveis, a Argentina aumentou os preços do etanol e do biodiesel no país, o que deve incentivar um maior consumo das matérias-primas no mercado interno, como o óleo de soja, reduzido o excedente exportável tanto do óleo vegetal, quanto dos próprios biocombustíveis.


O dado de importação indiana de óleos vegetais em novembro animou o mercado, representando um crescimento mensal de 20% e o pico de três meses para o óleo de soja, alcançando 410 mil toneladas. As importações de óleo de girassol avançaram 43%, para 340 mil toneladas, enquanto as compras de óleo de palma também cresceram, atingindo 850 mil toneladas, variação positiva de 5%. A Índia é o maior importador mundial de óleos vegetais e essa demanda aquecida está relacionada a uma preparação para o período de festas.
Nos EUA, as vendas de exportação de soja na semana encerrada em 28/11 alcançaram 2,3 milhões de toneladas para a safra 24/25, nível mais próximo do teto das estimativas, que iam de 1,1 a 2,5 milhões de toneladas. Apesar de a China continuar comprando menos soja norte-americana que no ano passado, outros países acabam compensando, com compras mais aquecidas, e as vendas totais estão no ritmo necessário para atingir a estimativa de exportações do USDA, em 49,67 milhões de toneladas.

De qualquer, forma as perspectivas positivas para a safra na América do Sul continuam limitando a possibilidade de ganhos mais sustentados de preços. O clima nas regiões produtoras de Brasil e Argentina se mantém, no geral, favorável, com o registro de chuvas em bons volumes. As previsões para os próximos 14 dias indicam acumulados de precipitação significativos para as regiões produtoras dos dois países, lembrando que a produção mundial de soja é muito concentrada em Brasil, Argentina e EUA, com as estimativas favoráveis no Hemisfério Sul garantindo que a produção global se mantenha consideravelmente acima do consumo, pelo menos por enquanto, já que a safra norte-americana também foi robusta.
A StoneX atualizou sua estimativa para a safra brasileira de soja na semana anterior, mas não trouxe mudanças, com a produção nacional esperada em 166,2 milhões de toneladas, diante dessas perspectivas positivas. O plantio está caminhando para o final, tendo alcançado 95,7% da área total na última sexta-feira (dia 6), segundo acompanhamento da StoneX, com vários estados já tendo finalizado os trabalhos no campo, como Mato Grosso e Paraná. Com isso, o clima nas próximas semanas e meses deve se manter no radar, com a fase chave de enchimento de grão, que precisa de bons níveis de umidade, e com o período final de maturação e colheita, quando o excesso de chuvas pode resultar em prejuízos.
Na Argentina, o plantio da soja alcançou 53,8% do total, de acordo com a Bolsa de Buenos Aires, um avanço semanal de 9,4 p.p. Destaca-se que 100% da área já cultivada está classificada em condições normais ou excelentes, confirmando o bom andamento da safra até o momento.
Nesta semana que começa, a principal divulgação relacionada ao mercado de soja deve ser o relatório mensal de oferta e demanda do USDA, sempre muito aguardado pelo mercado, agendado para amanhã, às 14h. A Conab também atualizará seu levantamento de safra, previsto para quinta-feira (dia 12). Ao mesmo tempo quaisquer novidades climáticas e pelo lado da demanda também estarão no radar.





