- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 consideravelmente acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda confortável nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Clima favorável na América do Sul;
- Dúvidas sobre subsídios para biocombustíveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Cobertura de posições vendidas pelos fundos especulativos;
- Produção e consumo de diesel renovável aquecidos nos EUA;
- Importações aquecidas de óleos vegetais pela Índia.
As cotações da soja tiveram mais uma semana de oscilações limitadas em Chicago, mantendo-se abaixo de USD 10,00 por bushel, diante do bom andamento da safra na América do Sul. O vencimento para janeiro encerrou a sexta-feira (dia 13) em 988,25 cents por bushel, queda de 0,6% no período.
No Brasil, o plantio da safra 24/25 está perto de ser finalizado, tendo alcançado 97,4% do total na última sexta-feira (dia 13), de acordo com a StoneX. Na Argentina, o plantio atingiu 64,7% do total, avanço de 11 p.p. em uma semana, mantendo-se acima do registrado no mesmo período do ano passado, segundo a Bolsa de Cereales de Buenos Aires. As condições continuam favoráveis, com 99% das plantas classificadas em estado normal ou excelente.
As previsões climáticas para as próximas semanas indicam a continuidade das chuvas em bons volumes em praticamente toda a região produtora do Brasil, o que deve favorecer o desenvolvimento das lavouras, principalmente as que passam por fases reprodutivas, fundamentais para garantir uma boa produtividade. Na Argentina, por outro lado, as previsões indicam um padrão mais seco, mas que ainda não preocupa, dada as condições do solo, com uma maior reserva de umidade. A província de Córdoba é a que inspira maiores preocupações. De qualquer forma, as previsões mais longas não sinalizam que essas condições mais secas serão muito duradouras.


Na semana passada, o Levantamento de Safra da Conab reforçou as boas condições das lavouras de soja no Brasil, com o número estimado para a produção 24/25 ficando praticamente estável em relação à divulgação anterior, esperando-se um resultado de 166,2 milhões de toneladas, nível recorde e que coincide com a estimativa da StoneX.
O USDA também atualizou seu relatório mensal de oferta e demanda. O Departamento continua mantendo a estimativa para a safra brasileira em 169 milhões de toneladas. Já para a Argentina, o USDA elevou a produção esperada da safra 24/25 de 51 para 52 milhões de toneladas, aumentando também o esmagamento no mesmo volume.
Não houve alterações para os balanços norte-americano e chinês, destacando que o USDA continua estimando importações da China acima dos números oficiais do país. Em novembro, as importações chinesas de soja alcançaram 7,15 milhões de toneladas, nível um pouco abaixo do registrado no mesmo mês de 2023, mas o acumulado de outubro e novembro, dois primeiros meses do ano safra de importações 24/25, está 1,2 milhão de toneladas acima do ano passado.
As vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 5/12 ficaram em 1,17 milhão de toneladas, nível no piso das estimativas, que iam de 1,1 a 2,5 milhões de toneladas. Mesmo assim, o acumulado para todos os destinos se mantém cerca de 4 milhões de toneladas acima do registrado nesse mesmo período do ano passado, lembrando que o USDA estima um crescimento anual das exportações do país de pouco mais de 3,5 milhões de toneladas.

Mesmo assim, é importante ressaltar que a soja brasileira tem ganhado competitividade no período recente, apesar de o produto norte-americano colocado na China ainda continuar mais vantajoso. Com a confirmação de uma safra recorde por aqui e o avanço da colheita no começo do ano, esse cenário deve ser reforçado, com a soja brasileira ficando mais competitiva.
Ainda nos EUA, permanecem as dúvidas relacionadas ao programa de biocombustíveis do país, como a renovação dos créditos após 2027 e quanto ao tratamento das matérias-primas importadas. O setor de diesel renovável recebeu muitos investimentos nos últimos anos, mas a continuidade de seu crescimento depende de previsibilidade quanto aos incentivos.
Nesta semana, as atenções devem continuar muito voltadas para o andamento da safra da América do Sul, além de qualquer novidade sobre os biocombustíveis nos EUA, nesse momento de troca de governo no país. Além disso, as especulações sobre possíveis tarifas a serem implementadas por Trump se mantêm.
Cabe lembrar também que o período de festas de final de ano tende a registrar um volume menor de negociações, mas com a safra da América do Sul no radar, qualquer surpresa poderá movimentar o mercado.
Nas próximas duas segundas-feiras (dias 23 e 30 de dezembro), a publicação do relatório semanal de soja estará suspensa, retornando no dia 6 de janeiro. Boas Festas!!





