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Resumo Semanal de Soja

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Soja volta para acima de USD 10,00/bu, com clima na Am. do Sul e corte de safra nos EUA
 
   Ana Luiza Lodi
 
 
 
StoneX já estima perdas de produtividade no Rio Grande do Sul
 
  • Fatores baixistas
  • Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
  • Balanço de O&D ainda sem aperto nos EUA;
  • Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
  • Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
  • Ainda se espera safra cheia na Argentina;
  • Dúvidas sobre subsídios para biocombustíveis nos EUA.
  • Fatores altistas
  • Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
  • Cobertura de posições vendidas pelos fundos;
  • Corte da produção norte-americana 24/25;
  • Clima mais seco no Sul do Brasil e na Argentina;
  • Corte da safra de soja 24/25 do RS por causa do clima

Na semana passada, as cotações da soja em Chicago registraram alta, em meio a preocupações climáticas na América do Sul e após a atualização do relatório mensal do USDA. O vencimento para março terminou a sexta-feira (dia 10) em 1025,25 cents por bushel, ganhos de 3,4% no período.

A safa da América do Sul está em andamento com perspectivas, no geral, positivas, com estimativas de recorde no Brasil e de safra cheia na Argentina. Contudo, o clima mais seco no Sul do Brasil, em São Paulo e Mato Grosso do Sul nas últimas semanas, e as previsões de que chuvas mais significativas só retornem mais no final de janeiro, têm preocupado e já são motivo de revisões do potencial produtivo em algumas áreas.

Atualmente, a situação do Rio Grande do Sul é especialmente monitorada, uma vez que o ciclo da soja no estado é mais tardio, com parte das lavouras em fases chave de desenvolvimento. De acordo com um levantamento feito pelo escritório de Passo Fundo da StoneX, estima-se que aproximadamente 30% da soja semeada no estado seja de ciclos super precoces e precoces e estejam em fases críticas de desenvolvimento, ou seja, pouco mais de 2 milhões de hectares dos 6,9 milhões plantados. As perdas de produtividade, no entanto, são distintas nas diversas regiões do estado, sendo, nesse momento, mais severas em regiões como o Noroeste, Missões e Região Central, que se destacam na produção de soja.

Dessa forma, o potencial da safra gaúcha, antes estimado em 23,4 milhões de toneladas, agora deve ficar em cerca de 20,98 milhões de toneladas, representando uma redução de 10,5%, ou mais de 2,4 milhões de toneladas. Ressalta-se, ainda, que esse potencial está sujeito a novas revisões, pois a necessidade de chuvas em várias regiões do estado permanece.

Cabe pontuar, contudo, que mesmo com esse corte na safra do Rio Grande do Sul, a safra brasileira 24/25 ainda alcançaria um recorde, ficando próxima a 169 milhões de toneladas. Além disso, por mais que novos cortes na região centro-sul do país não estejam descartados, outros estados ainda podem registrar níveis de produtividade e produção superiores aos estimados anteriormente. No começo de fevereiro, a StoneX divulgará sua atualização de safra, com revisões para todo o país, mas, considerando as informações até o momento, a produção brasileira esperada continuará em níveis recordes. A colheita da soja está em seu início, tendo alcançado 0,2% na média nacional na última sexta-feira (dia 10), segundo acompanhamento da StoneX, com os avanços nas próximas semanas começando a consolidar os números estimados.

Intraday Semanal - março/25
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Na Argentina, o clima recente mais seco também tem preocupado, com o país tendo um ciclo da soja também mais tardio. Atualmente, segundo a Bolsa de Buenos Aires, 47% das lavouras plantadas no início da temporada estão em fases reprodutivas, quando a necessidade e chuvas é fundamental. De qualquer forma, considerando a totalidade da safra do país, sujo plantio alcançou 97%, levantamento da instituição considera que 87% das lavouras estão em condições de normais a excelentes. Dessa forma, por enquanto as estimativas continuam apontando para uma safra dentro do esperado, mas com o clima se mantendo no radar.

Com a colheita no Brasil já iniciada e a soja brasileira mais competitiva que a americana para destinos da Ásia, a tendência é que nos próximos meses, cada vez mais o grão do Brasil retome a preponderância no mercado exportador, o que é usual considerando a sazonalidade.

Atualmente, as vendas de exportação acumuladas dos EUA para safra 24/25 estão em 40,4 milhões de toneladas superando o registrado no mesmo período do ano passado, com as negociações com outros destinos, exceto China, mas aceleradas. Na semana encerrada em 2 de janeiro, as vendas de soja norte-americana ficaram em 288,7 mil toneladas, volume abaixo do piso das estimativas, que iam de 400 mil a 1,3 milhão de toneladas. Dessa forma, como o USDA estima um aumento anual dos embarques, para 49,7 milhões de toneladas, as vendas devem continuar sendo acompanhadas.

Vendas de exportação EUA - safra 2024/25 (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

Na atualização mensal do USDA, divulgada na última sexta-feira (dia 10), não houve surpresas pelo lado da demanda dos EUA, mas a revisão da produção da safra 24/25 foi mais forte que o esperado. O relatório de janeiro traz o “número final” de safra para o país e já se esperava alguma redução, mas que surpreendeu pela magnitude.

A produção 24/25 do país caiu de 121,4 para 118,8 milhões de toneladas, se afastando dos níveis recordes projetados anteriormente, com o corte da produtividade média de 3,48 para 3,41 toneladas por hectares. Com isso, houve uma queda de cerca de 19% nos estoques finais esperados para o ciclo em andamento, ficando em 10,34 milhões de toneladas, com uma relação estoque/uso de 8,74%.

Destaca-se que o USDA não revisou a produção de Brasil e Argentina, nem o consumo chinês. Com isso, a menor produção dos EUA se refletiu em uma queda produção global de soja, para 424,26 milhões de toneladas, mas que ainda se mantém quase 19 milhões de toneladas acima do consumo mundial esperado.

Assim, por mais que o relatório tenha dado suporte aos preços da oleaginosa, a situação do balanço mundial continua folgada, com o principal fator que tem o potencial de alterar esse contexto sendo o resultado da safra da América do Sul.

Dessa forma, nessa semana, o mercado vai continuar acompanhando as condições climáticas no Brasil e na Argentina, com perspectivas de clima ainda mais seco na porção sul do continente, com as previsões indicando chuvas mais significativas a partir da próxima semana.

Preços Físicos (R$/saca de 60 kg)
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