- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda sem aperto nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Dúvidas sobre subsídios para biocombustíveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Cobertura de posições vendidas pelos fundos;
- Corte da produção norte-americana 24/25;
- Clima mais seco no Sul do Brasil e na Argentina;
- Estimativas de safra argentina abaixo de 50 milhões de toneladas.
As cotações da soja em Chicago alternaram entre altas e baixas na semana passada e terminaram o período em queda, com o vencimento para março encerrando a sexta-feira (dia 31) em 1042 cents por bushel, recuo de 1,3% no período.
O mercado continuou acompanhando o andamento da safra da América do Sul e as tensões geopolíticas dos EUA com outros países, como a Colômbia, os vizinhos México e Canadá e a China.
No Brasil, a última semana foi de chuvas mais generalizada nas regiões produtoras de soja, situação que amenizou as preocupações com as regiões mais secas, que vinham sofrendo com a falta de precipitações desde o final de dezembro. Destaque para o Rio Grande do Sul, onde o ciclo da soja é mais tardio e a menor umidade já afetou o potencial produtivo. O estado recebeu mais chuvas na última semana, mas é necessária a ocorrência de mais precipitações, para garantir o desenvolvimento das plantas. Por outro lado, apesar do registro de chuvas em praticamente todo o país, os volumes foram menos pesados em regiões do Centro-Oeste, que estavam enfrentando atrasos no campo devido ao excesso de umidade. A colheita da soja ainda está atrasada em comparação ao ano passado, mas houve um avanço importante na última semana, com a média nacional alcançando 9,7% na sexta-feira (dia 31), segundo levantamento da StoneX. Mesmo assim, destaca-se que a colheita no Mato Grosso está em 17,8%, contra 33,1% no mesmo período um ano atrás. Para as próximas duas semanas, estão previstas chuvas em todo país, mas, no geral, em volumes mais leves, com as precipitações mais pesadas ficando concentradas da metade norte do Mato Grosso para cima. De qualquer forma, as expectativas estão muito positivas para a safra de soja em vários estados do país, como Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, por exemplo. Veja mais na Estimativa de safra da StoneX, que acabou de ser atualizada, nesta segunda-feira (dia 03).


Na Argentina, também foram registradas precipitações na última semana, mas os volumes ainda continuaram mais leves. A Bolsa de Buenos Aires indicou que o plantio da soja no país foi finalizado, com a condições hídrica adequada/ótima tendo aumentado somente 3 p.p., atingindo 58% das lavouras, enquanto 42% ainda enfrentam condições regulares/secas. Quando às condições das lavouras, houve um recuo do percentual bom/excelente, de 22% para 20%, com o aumento da classificação normal, de 50% para 52%, enquanto a participação das lavouras em condição ruim ficou estável, em 28%. Nos próximos 14 dias, são esperadas chuvas no país, mas concentradas principalmente a partir do dia 10/02. As precipitações em fevereiro são fundamentais para garantir uma boa produção no país, que já sofreu algumas revisões negativas de produtividade.
Nos EUA, as vendas de exportação da safra 24/25, na semana encerrada em 23/01, alcançaram 438 mil toneladas, volume abaixo do piso das estimativas, que iam de 450 mil a 1,7 milhão de toneladas. No acumulado, foram negociadas 42,7 milhões de toneladas. Mesmo com essa queda semanal das negociações, o acumulado ainda está no ritmo necessário para alcançar o nível de embarques estimado pelo USDA, em 49,7 milhões de toneladas.

Com a colheita avançando no Brasil e a soja brasileira já estando mais competitiva que a norte-americana, as negociações da soja dos EUA devem continuar no radar, principalmente considerando as tensões geopolíticas. O governo Trump definiu a imposição de tarifas de 25% sobre produtos importados do Canadá e do México, e de 10% sobre produtos importados da China, com vigência a partir do último sábado (01). Ainda há muitas dúvidas sobre essas tarifas, mas os países afetados já confirmaram que vão retaliar. No caso da China, se houver uma taxação da soja norte-americana, a exemplo do ocorrido no primeiro mandato Trump, o produto brasileiro poderá ganhar ainda mais competitividade.
Ainda em relação às tarifas do novo governo dos EUA, no final de semana anterior, houve um atrito com a Colômbia, após o país recusar o pouso de aviões militares norte-americanos, trazendo imigrantes. Com isso, houve ameaças de tarifas e retaliações, o que trouxe preocupações quanto às exportações de farelo de soja dos EUA para a Colômbia. Contudo, os dois governos se acertaram e as potenciais tarifas não entraram em vigor.
Além disso, os incentivos aos biocombustíveis nos EUA também continuam no radar. Mesmo com incertezas, o anúncio da tarifa de 25% sobre importações do Canadá pode ser benéfico para o mercado norte-americano de óleo de soja, pois tenderia a prejudicar a competitividade do óleo de canola canadense. Leia mais no Semanal de Óleos Vegetais.
Nesta semana, o andamento da safra de América do Sul deve continuar sendo acompanhado de perto, além da questão das tarifas impostas pelos EUA e possíveis retaliações dos países afetados.





