- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda sem aperto nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Melhora das condições de safra na Argentina;
- China taxa soja norte-americana em 10%.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Clima quente e seco em pare da América do Sul;
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- Perda de potencial da safra argentina;
- StoneX corta safra brasileira para abaixo de 170 milhões de toneladas.
As cotações da soja em Chicago terminaram a primeira semana de março praticamente estáveis, após terem sido pressionadas por questões geopolíticas ao longo do período. O vencimento para maio encerrou a sexta-feira (dia 07) em 1025 cents por bushel, quase o mesmo fechamento de uma semana antes, que ficou em 1025,75 cents por bushel.
A confirmação de que as tarifas anunciadas pelo governo Trump sobre México, Canadá e China estrariam em vigor desencadeou respostas dos países, com o anúncio de medidas retaliatórias. Esse contexto acabou pesando sobre os preços das commodities, considerados ativos mais arriscados.
No caso da soja, a China anunciou uma tarifa de 10%, a partir de 10 de março. Apesar desse percentual ser mais baixo em comparação ao registado no primeiro mandato Trump (25%) a competitividade do grão dos EUA tende a ser prejudicada. Com isso, a soja brasileira pode ter sua demanda reforçada, destacando que o Brasil já exporta mais de 100 milhões de toneladas para todos os destinos em anos de safra favorável, como deve ser o resultado do ciclo 24/25.
É importante destacar, contudo, que por mais que a procura pela soja brasileira deva ser reforçada nesse contexto de guerra tarifária, com sustentação dos prêmios nos portos por aqui, a China já vem reduzindo sua dependência do produto norte-americano nos últimos anos, com uma nova rodada de guerra comercial devendo tomar uma proporção menor no que se refere ao mercado de soja. Além disso, o país asiático tem realizado esforços para reduzir o componente proteico das rações, o que se reflete diretamente no farelo de soja.
De qualquer forma, caso a China compre ainda mais soja brasileira, outros destinos devem se deslocar para o mercado norte-americano, havendo uma reorganização dos fluxos internacionais da oleaginosa e não, necessariamente, uma grande “sobra” de soja dos EUA. Assim, não “faltaria” soja para outros destinos, caso a China compre ainda mais o grão brasileiro, mas, pelo menos num primeiro momento, essa mudança nos fluxos da oleaginosa, tenderia a favorecer o produto brasileiro, pelo qual a procura seria maior.


Destaca-se que ao longo da semana passada, houve discussões entre os países envolvidos nas taxações e México e Canadá ganharam mais um mês de prazo, com a entrada em vigor das tarifas sendo postergada para o dia 2 de abril. No caso da China, não houve concessões em nenhum dos lados, e, por enquanto, a tarifa de 10% sobre a soja norte-americana está em vigor.
Mesmo assim, passado o impacto inicial desse acirramento das tensões comerciais, os preços da soja recuperaram as perdas, refletindo esse contexto de que não necessariamente vai faltar demanda pela soja norte-americana, mas deverá haver uma reorganização dos fluxos mundiais da oleaginosa. Ademais, é preciso lembrar que entre 2018 e 2019, a China sofreu com a peste suína africana, que reduziu seu rebanho de porcos quase pela metade, diminuindo consequentemente a demanda mundial por soja. Atualmente, o contexto é diferente e a demanda global pela oleaginosa deve continuar avançando anualmente, à medida que a população cresce e passa a consumir mais proteína.
A safra da América do Sul também continua no radar, com as expectativas de uma produção robusta, a despeito de alguma perda de potencial produtivo devido ao clima.
No Brasil, como destacado no relatório da semana passada, as estimativas apontam para uma safra recorde, com o último número da StoneX em 168,3 milhões de toneladas. Apesar de um volume menor que o potencial inicial, principalmente devido à quebra no Rio Grande do Sul, ainda representaria um crescimento de 12,1% no comparativo anual.
Na Argentina, após a melhora recente do clima, com o registro de maiores volumes de precipitação, as estimativas de safra se estabilizaram ao redor de 49 milhões de toneladas, com a Bolsa de Buenos Aires indicando mais uma melhora das condições das lavouras, com o percentual bom excelente passando de 24% para 29%. As condições hídricas também apresentaram melhora, com o percentual das lavouras que ainda enfrentam alguma situação de seca caindo de 31% para 21%.
Nas próximas semanas, com o avanço da colheita, o tamanho da safra brasileira vai ficar cada vez mais consolidado, destacando que até a sexta-feira passada, a StoneX apontou 60,1% das lavouras colhidas. Na Argentina, a colheita ocorre mais para frente, com o clima ainda no radar. As previsões para as próximas duas semanas indicam chuvas mais leves para o país, enquanto para o Brasil, a entrada de uma frente fria deve resultar em precipitações na região mais central, com alguma queda também das temperaturas.
Nesta semana, destaque para os relatórios mensais do USDA e da Conab. Essa divulgação de março do departamento de agricultura dos EUA não deve trazer maiores surpresas, mas alterações na safra da América do Sul podem ocorrer.





