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Resumo Semanal de Soja

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Perdas de safra na Argentina dão suporte às cotações da soja em Chicago
 
Ana Luiza Lodi
 
por outro lado, ritmo da demanda chinesa pode contrabalançar as perdas de produção
 
fatores baixistas
  • Produção mundial 2022/23 estimada acima do consumo;
  • Combate à inflação pode gerar recessão;
  • Possibilidade ainda de recorde de produção no Brasil;
  • Covid-19 em alta na China e sinas de desaceleração econômica.
 
fatores altistas
  • Preocupações com o clima para a safra 2022/23 da América do Sul, já com cortes da produção no Brasil;
  • Relaxamento das medidas anti Covid na China;
  • Plantio da soja atrasado na Argentina e corte de safra;
  • Possibildiade de aumento da mistura obrigatória de biodiesel no Brasil, a partir de abril de 2023.

 A semana passada foi de alta para as cotações da soja em Chicago, com o vencimento para março encerrando a sexta-feira (dia 13), em 1527,75 cents por bushel. Além das preocupações com a safra da América do Sul, destaca-se a divulgação do relatório do USDA.

O Departamento de Agricultura dos EUA divulgou seu relatório mensal de oferta e demanda, sempre muito aguardado, mas com especial destaque para a revisão da safra norte-americana, que ocorre em janeiro. Houve um corte da produção do país de quase 2 milhões de toneladas, passando de 118,27 para 116,38 milhões. Esse recuo foi motivado por uma pequena redução da área colhida, mas principalmente pela queda da produtividade média, saindo de 3,38 para 3,33 toneladas por hectare. Mesmo assim, destaca-se que os estoques finais estimados recuaram marginalmente, ficando em 5,72 toneladas por hectare, já que houve cortes pelo lado da demanda, com destaque para as exportações esperadas, que passaram de 55,66 para 54,16 milhões de toneladas.

Para a safra da América do Sul, o USDA elevou a produção brasileira em 1 milhão de toneladas, alcançando 153 milhões. Destaca-se que, com esse ajuste, o Departamento ficou bem em linha ao dado revisado da Conab. Também na quinta-feira, a Companhia atualizou seu Levantamento de Safra, reduzindo a produção brasileira de 153,48 para 152,71 milhões de toneladas, diante de um pequeno corte da produtividade média nacional, devido à falta de chuvas em áreas do Sul do Brasil.

No caso da Argentina, o USDA diminuiu a produção de soja em 4 milhões de toneladas, ficando em 45,5 milhões, situação que deve impactar diretamente os embarques de grão do país, que já tendem a ser baixos, com o foco sendo em exportar farelo e óleo. Mesmo com esse corte, o número do USDA ainda está consideravelmente mais elevado que o das bolsas argentinas, que também promoveram revisões em suas estimativas. A Bolsa de Rosário trouxe o ajuste mais agressivo, com uma redução de 12 milhões de toneladas na produção de soja 22/23 do país, que ficaria em 37 milhões de toneladas. A Bolsa de Buenos Aires também promoveu um corte significativo, de 7 milhões de toneladas, com a produção esperada ficando em 41 milhões. Além dos impactos adversos da falta de chuvas no país, a Bolsa de Buenos Aires promoveu um corte de 500 mil hectares na área plantada, passando para 16,2 milhões de hectares, em consequência das perdas registradas devido a temperaturas muito elevadas e do encerramento da janela de plantio nas regiões do centro da área agrícola do país.

Essa menor produção argentina, mesmo que ainda haja dúvidas sobre qual será o tamanho da safra, começa a preocupar quanto ao equilíbrio do balanço mundial de oferta e demanda da oleaginosa, destacando-se que já há um movimento mais significativo de importação de soja brasileira pelos argentinos. Com isso, a demanda chinesa deve ficar ainda no centro das atenções.

Intraday semanal - março/23 (CME)    

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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Há preocupações quanto ao ritmo de importações da China, uma vez que a economia do país tem dado sinais de desaceleração e ainda sente os impactos da política de Covid zero, mesmo com o relaxamento das medidas. O USDA reduziu a estimativa de importação chinesa 22/23 para 96 milhões de toneladas, recuo de 2 milhões frente ao número anterior. Por outro lado, em dezembro o país importou 10,56 milhões de toneladas da oleaginosa, o maior volume desde junho de 2021.

Mesmo com essa reação no último mês de 2022, o acumulado do ano ficou em 91,1 milhões, nível mais baixo que o registrado no ano calendário anterior, em 96,6 milhões. Por outro lado, destaca-se que os estoques de farelo do país continuam baixos, o que tenderia a incentivar a importação e o esmagamento do grão, principalmente após o relaxamento das medidas anti Covid-19. Contudo, a criação de animais não está avançando como se esperava, após a recuperação da peste suína africana, e têm sido adotada composições de ração com menor uso do farelo de soja.

Dessa forma, uma possível demanda chinesa mais fraca poderia aliviar o aperto no balanço de oferta e demanda mundial resultante das perdas de safra na Argentina. Assim, por mais que o clima e a produção menor na América do Sul sejam um importante fator altista para os preços, uma vez que produção de soja é extremamente concentrada em Brasil, EUA e Argentina, a demanda, também muito concentrada, vai definir o equilíbrio do balanço da soja.

Esse cenário de dúvidas sobre a demanda chinesa também está relacionado à redução das exportações dos EUA, comentada anteriormente. Os embarques de soja norte-americana 22/23 alcançaram 29,7 milhões de toneladas até o dia 05/01, cerca de 2 milhões a menos que um ano atrás.

Por outro lado, destaca-se que as vendas de soja dos EUA estão mais aquecidas que no ano passado, atingindo 44,4 milhões, contra 42,4. E a China é a responsável por essa diferença positiva, tendo comprado 2,7 milhões de toneladas a mais que nessa mesma época um ano antes. Na semana encerrada em 05/01, as vendas líquidas da safra 22/23 dos EUA ficaram em 717,4 mil toneladas, dentro do intervalo das estimativas, que iam de 500 mil a 1,2 milhão de toneladas.

Vendas semanais de exportação - EUA (mil toneladas)

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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

Nessa semana que começa, o clima continuará no central aqui na América do Sul, com previsões indicando que a Argentina deve registrar pouca chuva e temperaturas elevadas, situação que pode piorar ainda mais as condições das lavouras do país. 

 
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