fatores baixistas
- Produção mundial 2022/23 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Combate à inflação pode gerar recessão;
- Possibilidade de recorde absoluto de produção no Brasil;
- Sinas de desaceleração econômica na China e aumento dos surtos de PSA;
- Fórum Agrícola traz crescimento da produção 23/24 nos EUA.
fatores altistas
- Relaxamento das medidas anti Covid na China;
- Perdas consideráveis de safra na Argentina, devido ao clima;
- Balanço dos EUA estimado no Fórum Agrícola não indica folga;
- Aumento da mistura obrigatória de biodiesel no Brasil, a partir de abril de 2023.
A semana anterior foi de baixa para as cotações da soja em Chicago, com o vencimento para maio terminando a sexta-feira (dia 24) em 1428,25 cents por bushel.
Registrou-se uma considerável atuação dos fundos no lado da venda, o que condicionou o recuo semanal, num momento em que a aversão ao risco continuou presente, após a quebra de bancos nos EUA.
Mesmo assim, o mercado continuou de olho no resultado da safra da América do Sul e também na demanda pela oleaginosa.
A Bolsa de Buenos Aires (BCBA) informou que os primeiros lotes de soja começaram a ser colhidos na Argentina, na área central da região agrícola do país, registrando rendimentos muito ruins, abaixo dos mínimos históricos e também do que era esperado para o ciclo. Com isso, a BCBA alerta que se essa situação se mantiver, novos cortes da estimativa de produção do país, atualmente em 25 milhões de toneladas, não estão descartados.
Destaca-se que não se espera que as chuvas registradas recentemente no país sejam suficientes para melhorar a perspectivas para a safra de soja 22/23, que caminha para um resultado quase 50% inferior às estimativas iniciais, em 48 milhões de toneladas.
As condições das lavouras argentinas continuam, no geral, bastante ruins, com 73% das plantas nessa categoria, enquanto somente 2% estão classificadas em boas/excelentes condições.
Intraday semanal - maio/23 (CME)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Por outro lado, o avanço da colheita aqui no Brasil, que atingiu 69,2% do total na última sexta-feira (dia 24), de acordo com a StoneX, está mostrando resultados excelentes na maior parte da região produtora da oleaginosa, mais que compensando as perdas registradas no Rio Grande do Sul.
A StoneX irá atualizar sua estimativa para a safra brasileira 22/23 na próxima segunda-feira (dia 03/04), mas o resultado acima de 150 milhões de toneladas está praticamente consolidado. Destaca-se que outras consultorias privadas também estão atualizando seus números e trazendo, inclusive, novos aumentos para a produção do Brasil.
Com isso, o mercado absorve como ficará o equilíbrio do balanço de oferta e demanda mundial da oleaginosa. A safra brasileira será capaz de compensar as perdas argentinas? Qual será o tamanho das importações argentinas de soja e do esmagamento do país? O Brasil vai aumentar sua participação no mercado mundial de farelo de soja, diante das perdas argentinas?
Além do mais, a demanda chinesa continua sendo acompanhada de perto, em meio ao registro de um número mais significativo de casos de peste suína africana no país, com perspectivas de que afetará a quantidade de carne produzida, mais para frente, como resultado do sacrifício de animais, incluindo matrizes, para impedir a propagação da doença.
De qualquer maneira, as importações chinesas de soja aumentaram em janeiro e fevereiro, no comparativo anual, e as perspectivas são de que o país continue recebendo muita soja, principalmente brasileira nos próximos meses. Desde o começo de março, até o dia 17, o Brasil embarcou 7,3 milhões de toneladas de soja (para todos os destinos). Os dados semanais serão atualizados hoje à tarde, mas março caminha para ser um mês de exportações muito elevadas da oleaginosa. Os dados de line-up de navios indicam que os embarques em março podem ficar próximos a 15 milhões de toneladas.
Ao mesmo tempo em que as exportações brasileiras ganham força, as vendas e os embarques dos EUA tendem a ficar mais fracos, seguindo a sazonalidade usual observada no mercado exportador da oleaginosa.
Na semana encerrada em 16/03, as vendas líquidas de soja 22/23 dos EUA ficaram em apenas 152,5 milhões de toneladas, abaixo do piso das estimativas, que iam de 400 a 900 mil. No acumulado, as vendas estão em 49,5 milhões de toneladas, abaixo do registrado nesse mesmo período do ano passado, quando alcançavam 54 milhões. Já os embarques atingiram 43,5 milhões de toneladas, enquanto, no ano passado, encontravam-se no intervalo das 42 milhões de toneladas.
Vendas semanais de exportação - EUA (mil toneladas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.