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Resumo Semanal de Soja

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Soja volta a cair em Chicago, mesmo com perdas na Argentina
 
Ana Luiza Lodi
 
preocupações com o lado da demanda acabam pesando sobre os preços da oleaginosa
 
fatores baixistas
  • Produção mundial 2022/23 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
  • Combate à inflação pode gerar recessão;
  • Possibilidade de recorde absoluto de produção no Brasil;
  • Sinas de desaceleração econômica na China e aumento dos surtos de PSA;
  • Fórum Agrícola traz crescimento da produção 23/24 nos EUA.
 
fatores altistas
  • Relaxamento das medidas anti Covid na China;
  • Perdas consideráveis de safra na Argentina, devido ao clima;
  • Área da safra dos EUA 23/24 não deve crescer e estoques em 01/03 ficam abaixo do esperado;
  • Aumento da mistura obrigatória de biodiesel no Brasil, a partir de abril de 2023.

As cotações da soja voltaram a registrar perdas na semana passada em Chicago, com o vencimento para maio encerrando a quinta-feira (dia 06) em 1492,50 cents por bushel, destacando que na sexta-feira (dia 07) o mercado estava fechado, devido ao feriado da Sexta-feira da Paixão.

O andamento da safra argentina continua sendo acompanhado de perto, mas mesmo com as perdas estimadas em quase 50% da produção de soja no ciclo 2022/23, as cotações da soja não têm encontrado um suporte duradouro. Além da safra brasileira estar se confirmando como um recorde absoluto, há preocupações pelo lado da demanda, com o desempenho econômico mais fraco ao redor do mundo, incluindo a China, que é a maior consumidora e importadora da oleaginosa.

De qualquer maneira, em seu último relatório semanal, divulgado na quinta-feira (dia 06), a Bolsa de Buenos Aires (BCBA) indicou que a colheita da soja argentina alcançou 2,8% da área total, com uma produtividade média, até o momento, de 1,48 tonelada por hectare. Apesar de ainda estar muito no começo, a BCBA mantém sua estimativa para a produção do país, em 25 milhões de toneladas. 

Além disso, a Bolsa não descarta novas atualizações em seu número de safra, uma vez que o que foi plantado mais tarde (soja de segunda) ainda está passando por fases-chave de desenvolvimento.

Já aqui no Brasil, o avanço da colheita da soja, que alcançou 82,1% do total na última quinta-feira (dia 06), segundo acompanhamento da StoneX, tem mostrado produtividades excelentes, ou mesmo recordes, em grande parte do país.

Diante desse cenário, em sua revisão de abril, a StoneX aumentou consideravelmente sua estimativa para a produção brasileira de soja 2022/23, que ficou em 157,7 milhões de toneladas, 3 milhões acima do número anterior.

Novamente, essa produção nacional maior ocorre mesmo com o ajuste negativo da safra do Rio Grande do Sul, que caiu para 15 milhões de toneladas (devido a questões climáticas). Por outro lado, como destacado, os resultados nos outros estados produtores têm surpreendido, como no Centro-Oeste, no MATOPIPA (Maranhã, Tocantins, Piauí e Pará) em São Paulo e no Paraná. Ademais, houve ainda ajustes positivos de área plantada, que levou o total do Brasil para o recorde de 44,17 milhões de hectares.
 

Intraday semanal - maio/23 (CME)    

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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Dessa forma, o Brasil tem plena capacidade de fazer frente a um crescimento da demanda doméstica e das exportações. No caso das vendas externas, as expectativas são de que a Argentina compre volumes significativos de soja do Brasil, para conseguir manter seu complexo esmagador funcionando. Mesmo assim, o nosso vizinho deve perder espaço nas exportações mundiais de farelo e óleo, em meio à oferta doméstica muito menor.

Enquanto isso, destaca-se que as exportações brasileiras de soja estão ganhando força, com o país tendo embarcado 13,2 milhões de toneladas em março, volume acima das 12,1 milhões exportadas no mesmo mês de 2022. Mesmo assim, o acumulado desde janeiro ainda está mais fraco, atingindo 19,1 milhões de toneladas, contra 20,9 milhões no mesmo período do ano passado. Nesses próximos meses, os embarques de soja brasileira devem ganhar ainda mais força, podendo alcançar recordes mensais. Os dados de lineup de navios, atualizados em 05/04, indicavam que as exportações de soja programadas para abril já superavam 11 milhões de toneladas, somadas a 1,34 milhão que já tinham deixado os portos, com esse volume podendo ainda crescer.

Por outro lado, nos EUA, as vendas líquidas de exportação de soja da safra 2022/23, na semana encerrada em 30/03, ficaram em 155,3 mil toneladas, volume abaixo do piso das estimativas do mercado, que iam de 200 a 600 mil toneladas. No acumulado, foram negociadas 49,9 milhões de toneladas de soja, contra 56 milhões nessa mesma época do ano passado. Os embarques totalizaram 45 milhões de toneladas até o dia 30/03, pouco acima do registrado um ano antes, na casa das 44 milhões de toneladas.

Vendas semanais de exportação - EUA (mil toneladas)

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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Nessa semana, destacam-se o Relatório de Oferta e Demanda do USDA (WASDE, na sigla em inglês) e o Levantamento de safra da Conab. No caso do WASDE, ainda não serão divulgados os dados da safra nova, 2023/24, mas ajustes para o ciclo 2022/23 ainda devem ocorrer, como a produção aqui na América do Sul e o balanço dos EUA, que deve incorporar as informações do relatório de posição trimestral dos estoques.
 
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