- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- Recorde absoluto de produção no Brasil e falta de armazenagem;
- Mandatos de biocombustíveis nos EUA frustram expectativas;
- Anos de El Niño podem ser benéficos para a safra dos EUA.
- Perdas consideráveis de safra na Argentina, devido ao clima;
- Importações recordes de soja pela China em Maio;
- Margens de esmagamento positivas na China;
- Aumento da mistura obrigatória de biodiesel no Brasil
- Previsões de clima seco persistente em parte do Meio Oeste dos EUA.
Após as altas recentes expressivas, na semana passada as cotações da soja em Chicago registraram uma correção, com realização de lucros. O vencimento para julho ainda registrou ganhos no período, encerrando a sexta-feira (dia 23) em 1494,5 cents por bushel, enquanto os contratos mais distantes, referentes à safra nova dos EUA recuaram O contrato para novembro terminou em 1310 cents por bushel, queda semanal de 2,4%.
De qualquer maneira, as condições meteorológicas para os EUA continuaram sendo o fator de destaque a movimentar o mercado da oleaginosa, o que é usual nesse momento.
As comparações com o 2012, quando o país registrou uma quebra de safra muito grande, continuaram presentes, mas o clima ainda precisa ser acompanhado nas próximas semanas e meses, lembrando que a fase mais crítica da soja, o enchimento de grão, se concentra em agosto.
Mesmo assim, as condições de seca em regiões importantes do Meio Oeste têm predominado. O último Monitor de Seca do país, que é atualizado toda semana, continuou mostrando uma piora das condições nos estados produtores no centro e no oeste do cinturão de grãos. Por outro lado, além de ainda ser cedo, um ponto positivo em comparação a 2012 é que não têm predominado temperaturas muito altas, acima do normal para o período.
Nesse último final de semana, foram registradas chuvas benéficas mais ao norte do Meio Oeste, mas as áreas mais ao centro e ao sul continuaram sob estresse. Para os próximos 10 dias, as previsões climáticas trazem preocupações para as áreas no noroeste do cinturão, que já inclui regiões com condições de seca importantes.
O último acompanhamento de safra dos EUA, referente ao domingo (dia 18), trouxe nova piora expressiva das condições das lavouras, com o percentual bom/excelente caindo 5 p.p., para 54%, abaixo do registrado nessa semana de 2022 e da média de 5 anos, que estavam em 68% em ambos os casos. Destaque para o estado de Illinois, que alterna com Iowa no primeiro lugar da produção nacional e onde o percentual caiu de 47% para 33% em uma semana.
Hoje no final da tarde, o USDA vai atualizar os dados de condições das lavouras norte-americana e as perspectivas são de que haja uma nova queda do percentual bom excelente, ainda que menos expressiva. Mesmo assim, como comentado, como ainda há um tempo para o desenvolvimento das plantas e para se passar por fases chave, se as condições melhorarem nas próximas semanas, há espaço para uma boa safra, mesmo que a produtividade estimada atualmente pelo USDA, em 3,5 toneladas por hectare já não seja alcançada.


Ainda nos EUA, apesar de as notícias sobre o clima predominarem, a atualização dos mandatos de biocombustíveis pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) frustrou as expectativas do mercado. A EPA não irá aumentar as exigências para o RIN D4 (Diesel à base de biomassa) em 2023, mantendo em 2,82 bilhões de galões, ampliando para 3,04 bi em 2024 e 3,35 bi em 2025. Esses volumes ficaram abaixo do que as refinarias esperavam, apostando-se em aumentos já neste ano. Mesmo assim, destaca-se que volumes recordes de combustível renovável devem ser misturados à gasolina e ao diesel nos próximos 3 anos. Essa atualização da EPA pesou fortemente nos preços do óleo de soja em Chicago, enquanto a soja e o farelo continuaram respondendo às questões climáticas para a safra dos EUA.
As vendas de exportação dos EUA, na semana encerrada em 15/06, ficaram dentro do esperado para as safras 2022/23 e 2023/24, com volumes líquidos em 457,5 e 167,8 mil toneladas, respectivamente. Como tem sido ressaltado nos relatórios anteriores, as vendas da safra atual estão mais fracas que no mesmo período do ano passado e os EUA têm, inclusive, revisado o número de exportação estimado para o ciclo 2022/23. Contudo, por mais que ainda seja cedo, é importante ressaltar também que as negociações acumuladas da safra 2023/24 estão consideravelmente abaixo do registrado nessa mesma época em anos anteriores.

Destaca-se que a soja brasileira se mantém mais competitiva que a norte-americana colocada na China e que os embarques totais do Brasil em junho caminham para um resultado que pode ser recorde para o mês. Até o dia 16/06, foram embarcadas 8,75 milhões de toneladas, contra 10 milhões no mês como um todo em 2022. Hoje (dia 26), serão divulgados os dados da semana encerrada na última sexta-feira (dia 23).
Mesmo com os volumes aquecidos de exportação, os prêmios continuam pressionados no mercado brasileiro, lembrando da associação da colheita recorde e falta de armazenagem, que contribui para esse cenário. Com o avanço da colheita da segunda safra de milho, já há relatos de grandes pilhas do cereal deixadas a céu aberto, o que ilustra a falta de capacidade estática, cujo crescimento não acompanha o forte aumento da produção de grãos que o Brazil registra.
Nesta semana que começa, o clima deve continuar sendo o principal fator a movimentar os preços na CBOT, além do relatório de posição dos estoques e de área plantada dos EUA, que será divulgado na sexta-feira (dia 30). Usualmente, esses relatórios trazem forte movimentação para os preços em Chicago.





