- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- Recorde absoluto de produção no Brasil e falta de armazenagem;
- Mandatos de biocombustíveis nos EUA frustram expectativas;
- Anos de El Niño podem ser benéficos para a safra dos EUA.
- Perdas consideráveis de safra na Argentina, devido ao clima;
- Importações recordes de soja pela China em Maio;
- Margens de esmagamento positivas na China;
- Aumento da mistura obrigatória de biodiesel no Brasil
- Área plantada muito abaixo do esperado nos EUA.
As cotações da soja em Chicago registraram forte alta na semana passada, reagindo principalmente ao número surpreendente de área plantada nos EUA. O vencimento para julho terminou a sexta-feira (dia 30) em 1557,25 cents por bushel, ganhos semanais de 4,2%. Por outro lado, as perspectivas climáticas para o país nas primeiras semanas de julho melhoraram.
Ainda pelo lado da alta, destaca-se que a semana anterior começou com ganhos do óleo de soja, numa correção após as quedas devido aos novos mandatos divulgados pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) nos EUA. Apesar das perspectivas frustradas quando ao nível de mistura, os volumes de combustível renovável adicionado na gasolina e no diesel devem ser recordes nos próximos 3 anos.
De qualquer maneira, o mercado continuou muito centrado no clima nos EUA, que abriu espaço para recuos das cotações ao longo, com as previsões indicando um começo de julho bastante úmido nas regiões que sofreram com a falta de chuvas nas últimas semanas. No caso da soja, é preciso destacar também que a fase mais importante de desenvolvimento, o enchimento de grão, quando a umidade é central, se concentra somente em agosto. Com isso, caso o clima daqui para frente fique dentro do esperado, a safra norte-americana ainda teria um bom potencial, com a seca até o momento resultando apenas em prejuízos pontuais para as lavouras.


Com a ocorrência dessas chuvas, espera-se também que as condições das lavouras comecem a melhorar nos acompanhamentos semanais do USDA. A última divulgação, referente à semana encerrada em 25/06 ainda trouxe uma piora das condições de safra dos EUA, com o percentual bom /excelente em 51%, recuo de 3 p.p. e abaixo da média de cinco anos, em 64%. O estado de Illinois apresentava somente 25% das lavouras em condição boa/excelente nesta data.
Nesse último final de semana, a ocorrência de chuvas favoreceu áreas importantes do Meio Oeste, incluindo partes importantes de Iowa, Missouri, Illinois e Indiana, melhorando as condições de umidade. Para os próximos 10 dias, as previsões continuam indicando bons volumes de precipitação, situação que alivia as preocupações com potenciais perdas de safra.
As vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 22/06 ficaram no limite inferior das estimativas do mercado, em 227,4 mil toneladas para a safra 2022/23 e em apenas 17 mil para o ciclo 2023/24. No acumulado, as vendas 2022/23 estão em 52,3 milhões de toneladas, contra quase 60 milhões nesse mesmo período do ano passado. Já o acumulado da safra nova está em apenas 3,35 milhões, nível também mais baixo que em anos anteriores.

De qualquer maneira, o grande condicionante dos ganhos da soja em Chicago na semana passada foi o relatório de área plantada dos EUA, divulgado na sexta-feira (dia 30).
O USDA divulgou a atualização do número, baseada em levantamento junto a produtores do país, que surpreendeu ao trazer uma queda importante em relação ao relatório do final de março. Segundo o Departamento, foram semeados 33,8 milhões de hectares de soja no ciclo 2023/24, nível consideravelmente abaixo das intenções de plantio em março e da média das expectativas do mercado, que apostava num pequeno aumento, para 35,65 milhões de hectares.
Com uma área quase 2 milhões de hectares abaixo das expectativas, crescem as preocupações quando ao tamanho da oferta, que pode acabar resultando em algum racionamento pelo lado da demanda. Apesar de ainda ser cedo e as variáveis de demanda também poderem ser ajustadas no futuro, essa área menor de soja deixa pouco ou nenhum espaço para perdas de produtividade na safra norte-americana, num ano em que as questões climáticas têm preocupado.
É importante destacar que essa área ainda pode ser revista no futuro e causou alguma estranheza que a área combinada de soja e milho caiu, mesmo num ano em que o plantio foi acelerado. De qualquer forma esses são os dados que o mercado tem para trabalhar no momento, com ajustes futuros sendo somente especulação.
Foi divulgado também o relatório de posição trimestral de estoques em 01/06/2023, com o resultado ficando em 21,65 milhões de toneladas, um pouco abaixo da média das expectativas, o que sinaliza um consumo mais aquecido no terceiro trimestre do ano safra 2022/23. Mesmo assim, esse resultado foi ofuscado pelo dado de área plantada.
Nessa semana que começa, a surpresa com a área plantada nos EUA continua influenciando o mercado. Destacam-se as divulgações do acompanhamento de safra norte-americano e das exportações brasileiras em junho, nesta tarde.





