As cotações da soja em Chicago registraram uma oscilação mais limitada na última semana, ficando em torno da estabilidade até quinta-feira (dia 05). Na sexta-feira (dia 06), houve uma queda um pouco maior, o que condicionou o encerramento semanal em baixa com o vencimento para novembro caindo para 1266 cents por bushel, recuo de 0,7% na semana.
O período de colheita da safra norte-americana sazonalmente pressiona os preços, mesmo com as perspectivas de um balanço de oferta e demanda mais apertado nos EUA. Até o domingo (dia 01), a colheita da soja nos EUA estava 23% completa, percentual pouco acima da média de cinco anos, em 21%.
Em relação ao tamanho da oferta nos EUA, apesar das perdas na safra 2023/24, devido ao clima mais quente e seco que predominou principalmente na segunda metade de agosto, há dúvidas sobre qual será o número final, com o relatório mensal do USDA sendo muito aguardado nessa semana. A StoneX atualizou seu levantamento de safra para o país na segunda-feira (dia 02) e trouxe um aumento da produção, que ficaria em 113,6 milhões de toneladas, acima do último número do USDA, de 112,8 milhões. Essa revisão positiva da StoneX foi motivada pelo incremento na produtividade esperada, que passou de 3,37 para 3,39 toneladas por hectare, considerando-se o número oficial de área.


Pelo lado da demanda, as vendas de exportação e embarques dos EUA continuam sendo acompanhados de perto. Com a safra recorde neste ano aqui no Brasil, a soja brasileira disponível colocada na China tem se mantido mais competitiva que a norte-americana. O Brasil terminou o mês de setembro com exportações de 6,4 milhões de toneladas, levando o acumulado desde janeiro para 87,3 milhões. Além disso, as perspectivas para outubro, segundo dados de lineup apontam para exportações ao redor de 7,5 milhões de toneladas.
Dessa forma, as preocupações com possíveis impactos das exportações brasileiras aquecidas sobre os volumes que serão exportados pelos EUA se mantêm. Usualmente o melhor período de embarques da soja norte-americana é o último trimestre do ano, entre outubro e dezembro. Além disso, o nível baixo do Rio Mississipi também preocupa, já que é uma das principais rotas para as exportações de grãos norte-americanos.
As vendas de exportação na semana encerrada em 28/09 alcançaram 808,5 mil toneladas, volume dentro das expectativas do mercado, mas mais próximo do teto, levando o acumulado do ano safra 2023/24 para 18,6 milhões de toneladas. Há preocupações com o ritmo de negociações, em especial com a China, que está aproveitando a disponibilidade da soja brasileira nesse ano.

Ainda pelo lado da demanda, por mais que as perspectivas de crescimento da produção de diesel renovável nos EUA sejam positivas, a recente queda dos preços dos RINs (Renewable Identification Numbers), que são créditos gerados ao se produzir biocombustíveis no país, traz alguma preocupação. A oferta de RINs da categoria D4 (relativos à produção de diesel renovável e biodiesel) tem aumentado rapidamente, à medida que a produção de diesel renovável cresce e o spread entre o óleo de soja na CBOT e o diesel na NYMEX diminui. Como a negociação desses papéis é importante na receita dos produtores de biocombustíveis, a atividade acaba ficando menos atrativa, com RINs a preços mais baixos, o que poderia afetar a demanda por óleo de soja e, dessa forma, eventualmente, o esmagamento da oleaginosa.
Destaca-se que o último pregão da semana anterior, em meio a perspectivas de avanços significativos da colheita nos EUA, foi influenciado também pelos temores de que o Fed possa reforçar, ainda mais, sua política contracionista, com novos aumentos dos juros norte-americanos, após os dados mostrando um mercado de trabalho aquecido no país. Essa situação favorece a busca por segurança e acaba sendo um fator baixista paras as commodities.
Nesta semana que está começando, a Conab divulga seu levantamento mensal de safra, incluindo números para o ciclo 2023/24. Destaque também para o relatório mensal do USDA, sempre muito aguardado pelo mercado, e que será divulgado na quinta-feira (dia 12).
Além disso, a colheita nos EUA, as vendas de exportação do país, o nível do Rio Mississipi e o plantio e o clima no Brasil devem continuar no radar, influenciando as cotações.





