- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Avanço da colheita nos EUA;
- StoneX estima nova safra recorde 2023/24 para o Brasil;
- El Niño pode favorecer safra na América do Sul;
- Vendas de exportações acumuladas fracas dos EUA.
- Importações chinesas poderiam superar estimativas atuais;
- Consumo doméstico norte-americano aquecido;
- Corte de produtividade e produção da safra dos EUA;
- Argentina pode ficar sem soja para esmagamento nas próximas semanas;
- Chuvas ainda irregulares em parte das área produtoras brasileiras.
As cotações da soja em Chicago alternaram entre altas e baixas no começo da semana, ganhando força nos últimos pregões do período e fechando a quarta semana consecutiva com ganhos. O vencimento para janeiro encerrou a sexta-feira (dia 03) em 1351,75 cents por bushel, alta de 2,4%.
Apesar de o avanço da colheita nos EUA continuar sendo um período de pressão sobre os preços, o mercado de farelo, em meio com a preocupações com a oferta argentina movimentou os preços. Além disso, preocupações com o esmagamento na Argentina e com questões climáticas e um maior otimismo em relação às importações chinesas de soja norte-americana foram fatores de suporte.
Até o domingo (dia 29), 85% das lavouras de soja dos EUA já estavam colhidas, levemente aquém do que o mercado esperava, com um avanço semanal de 9 p.p. Esse resultado ficou abaixo dos 87% registrados no mesmo período do ano passado, mas superaram a média de cinco anos, em 78%. O aumento da disponibilidade de soja no período de colheita da safra tende a pesar sobre os preços, mas, neste ciclo, com as estimativas apontam para um balanço mais apertado nos EUA, o andamento do consumo é acompanhado de perto.


No mercado doméstico norte-americano, as perspectivas para o diesel renovável e, consequentemente, para o esmagamento, se mantêm positivas enquanto os dados de exportação são acompanhados de perto, com o USDA estimando que os embarques na safra 2023/24 cairão no comparativo anual e com as vendas de exportação também mais atrasadas.
Na semana passada, comentários de algumas empresas de grãos na China, indicando que as importações do país poderiam ser maiores que o volume estimado pelo USDA para o ciclo 2023/24, em 99 milhões de toneladas, animaram os mercados, pois poderiam reforçar as exportações dos EUA neste quarto trimestre de 2023, uma vez que sazonalmente esse é o melhor período de embarques do país. Foi comentado que as importações da China poderiam superar a estimativa do USDA em 4 milhões de toneladas.
Contudo, por enquanto, os dados de vendas de exportação dos EUA não refletem esses rumores. Na semana encerrada em 26/10, a negociação de soja da safra 2023/24 atingiu pouco mais de 1 milhão de toneladas, levando o acumulado para 23,3 milhões de toneladas, contra 32,2 milhões de toneladas no ano passado, sendo que a estimativa de exportação está 6,45 milhões de toneladas mais baixa frente ao alcançado no ciclo 2022/23.
Por outro lado, os embarques estão mais aquecidos, mas ainda é muito cedo e mudanças importantes podem acontecer. Na mesma semana, foram inspecionadas para embarques 1,9 milhão de toneladas de soja norte-americana, abaixo da mesma semana do ano passado, mas que levou o acumulado da safra 2023/24 para 10,2 milhões, levemente acima do volume nessa época em 2022, quando alcançava 9,9 milhões de toneladas.

Em relação ao esmagamento na Argentina, as preocupações com a falta de soja até o final de novembro continuam, lembrando que o país concentra suas exportações no farelo e no óleo e não no grão. Como a quebra de safra foi muito importante no ciclo 2023/24, de cerca de 60%, mesmo com importações mais aquecidas, há o risco de faltar soja para processamento. Com isso, o mercado de farelo registrou fortes altas, e correções, o que movimentou também as cotações da soja.
O plantio da soja começa mais tarde na Argentina e, consequentemente, a disponibilidade do grão no ano que vem só aumenta entre março e abril, o que reforça as preocupações com esmagamento até lá. Para a safra 2023/24, as expectativas são de recuperação da produtividade e aumento da área plantada, com a Bolsa de Buenos Aires estimando 17,1 milhões de hectares. O plantio está em seu início, tendo começado principalmente no norte da província de Córdoba e no noroeste de Buenos Aires.
No Brasil, o clima se mantém no radar, em meio às irregularidades das chuvas. No Mato Grosso, o fim de semana foi de boas chuvas em várias regiões, incluindo as áreas mais ao norte. Nos próximos dez dias, há previsão de precipitação em grande parte da região produtora de soja, mas os volumes ainda podem ser leves na área central do Brasil. Com isso, o plantio vai continuar sendo seguido de perto, destacando os atrasos. Até a última sexta-feira (dia 03), foram semeados 50,7% da área de soja nacional prevista para o ciclo 2023/24, de acordo com a StoneX, contra 59,5% nessa mesma semana do ano passado.
A segunda semana de novembro traz divulgações importantes para o mercado de soja, com destaque para o Levantamento de Safra da Conab e o Relatório de Oferta e demanda do USDA, ambos na próxima quinta-feira (dia 09). O relatório WASDE de novembro geralmente não traz maiores surpresas, mas sua divulgação é sempre muito aguardada.





