- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Registro de chuvas mais abundantes nas áreas de soja do Brasil;
- StoneX ainda estima safra recorde 2023/24 para o Brasil;
- Potencial de safra cheia na Argentina, com boas chuvas previstas.
- Vendas de exportações acumuladas fracas dos EUA para a China.
- Consumo doméstico norte-americano aquecido;
- Argentina pode ficar sem soja para esmagamento;
- Necessidade de mais chuvas nas regiões produtoras do Brasil.
- Cortes da produção estimada por Conab e USDA.
- Corte da estimativa de produção da StoneX.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago alternaram entre altas e baixas e encerraram o período no campo positivo, com o vencimento para janeiro terminando a sexta-feira (dia 15) em 1315,75 cents por bushel, ganhos de 0,9% no período. Essa foi a primeira alta semanal, após cinco semanas de perdas.
O andamento da safra da América do Sul continua no centro das atenções, com o clima no Brasil ainda preocupando. Após os últimos meses terem sido bastante secos em grande parte da região central e norte do país, enquanto o Sul continuou registrando grandes volumes de precipitação, o registro de chuvas em dezembro é acompanhado de perto. Tem chovido mais, em praticamente todo cinturão agrícola da soja, mas algumas áreas ainda apresentam volumes aquém do necessário e irregularidades, em meio a temperaturas muito elevadas, que intensificam o estresse sobre as plantas.
Com isso, são aguardadas novas estimativas de safra, que podem trazer mais cortes do potencial produtivo, diante da falta de chuvas em volumes adequados em várias regiões. Para as próximas dias e semanas, as previsões indicam precipitações em toda a área produtora o que é muito bem-vindo. Destaca-se que em localidades de ciclo mais tardio, como partes do MATOPIBA e Rio Grande do Sul, o clima continuará sendo muito importante nos próximos meses também.
No Sul do Brasil, o excesso de chuvas tem trazido preocupações quanto ao aumento da proliferação de doenças. Já tem sido relatada a ocorrência de ferrugem asiática, que neste ano, se antecipou diante da combinação de umidade e calor. Com isso, estão sendo tomadas medidas de controle da praga, que, se não combatida, resulta em perdas importantes de produtividade.
Na Argentina, o plantio da soja alcançou 59,5% na última quarta-feira (dia 13), segundo a Bolsa de Buenos Aires. De maneira geral, a situação está bastante favorável para as lavouras do país, com 90% em condições de cultivo de normal a boa. Somente em algumas áreas de Entre Rios e Santa Fé que o excesso de chuvas traz alguma atenção.


Pelo lado da demanda, as exportações brasileiras de soja acumuladas desde janeiro alcançaram 99,2 milhões de toneladas até a sexta-feira (dia 08), com estimativas de que os embarques em janeiro possam superar 3 milhões de toneladas, o que levará o volume anual para acima de 100 milhões.
Com o Brasil continuando a embarcar volumes importantes da oleaginosa mesmo nos meses finais do ano, o que não é sazonalmente tão usual, mas que acabaram sendo favorecidos pelo recorde de produção no ciclo 2022/23, as vendas e exportações dos EUA estão no radar. Historicamente, o melhor período de embarques de soja norte-americana é o último trimestre do ano.
Na semana encerrada em 07/12, as inspeções de exportação dos EUA alcançaram 984,4 mil toneladas, quase a metade da mesma semana no ano passado. No acumulado, foram embarcadas 19,7 milhões, volume também abaixo de um ano antes, em 23,5 milhões de toneladas. Contudo, é importante lembrar que as estimativas de exportação do USDA para o ciclo 2023/24 estão 6,45 milhões de toneladas abaixo da safra 2022/23.
As vendas de exportação na mesma semana ficaram em 1,08 milhão de toneladas, no limite inferior do intervalo das estimativas, que iam de 900 mil a 1,8 milhão de toneladas. No acumulado, foram negociadas, 33,4 milhões de toneladas, abaixo das 41,7 milhões nesse mesmo período do ano passado. Desse atraso anual, a China é responsável por 6,4 milhões de toneladas a menos.

Na Argentina, o novo governo manteve as retenciones sobre as exportações de soja, tendo subido o percentual do milho e do trigo de 12% para 15%. O peso foi bastante desvalorizado e a inflação continua bastante alta, uma vez que para mudar esse cenário, vai levar tempo. Com isso, o comportamento do produtor do país em segurar a venda dos grãos não deve mudar dar noite para o dia, com a manutenção do volume físico sendo considerada como um seguro.
Nessa semana que começa, o clima no Brasil deve continuar sendo acompanhado de perto, com regiões importantes necessitando de boas chuvas até o final de dezembro. Hoje, também por aqui, serão divulgados os dados de exportação da última semana, com os volumes se mantendo consideráveis para um mês de dezembro.
Pelo lado, da demanda, as exportações dos EUA continuam sendo acompanhadas, com os atrasos e potenciais perdas de safra no Brasil podendo favorecer os embarques norte-americanos no início de 2024.





