- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Registro de chuvas mais abundantes nas áreas de soja do Brasil e boas expectativas para próximas semanas;
- Apesar de alguns danos serem irreversíveis, caso bons volumes de chuva sejam confirmados, áreas plantadas mais tarde podem apresentar melhora;
- Potencial de safra cheia na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Vendas de exportações acumuladas fracas dos EUA.
- Consumo doméstico norte-americano aquecido;
- StoneX corta produção de soja 2023/24, que já não é recorde;
- Cortes da produção estimada por Conab e USDA.
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro;
- Exportações brasileiras acima de 100 milhões de toneladas em 2023.
Na última semana, marcada pela celebração do Dia de Martin Luther King Jr. na segunda-feria (15), os contratos futuros da soja encerraram o período no campo negativo em Chicago. O contrato com vencimento em março de 2024 finalizou a sexta-feira (19) cotado a 1.213,25 cents/bu, queda de 0,9% na semana. Além de toda a discussão sobre a produção de soja, em especial na América do Sul, a demanda também é alvo de debates, principalmente a pela soja dos EUA. Em relação à procura pela oleaginosa norte-americana, a variável que mais vem recebendo atenção é a exportação. O país tem registrado níveis abaixo do esperado de vendas e embarques de soja, fator que vem impondo limites às cotações do grão. Os baixos níveis no Canal do Panamá seguem dificultando a chegada do produto estadunidense nos mercados asiáticos e contribuindo para um ritmo de embarques e negócios menos aquecido que o esperado.


Inspeções de exportação dos EUA: As inspeções de exportação de soja, apesar de trazerem um número melhor no comparativo semanal e uma significativa revisão para cima no número referente à semana do dia 4/jan, não foram capazes de resultar em um maior otimismo entre os agentes. Segundo os dados do USDA, 1,26 milhão de toneladas foram carregadas na semana encerrada em 11 de janeiro, acima das 1,04 milhão de toneladas embarcadas na semana anterior – no relatório anterior, o Departamento havia indicado que 674,75 mil toneladas haviam sido exportadas nessa semana –, mas abaixo das 2,2 milhões na mesma semana de 2022. Isso posiciona os embarques acumulados na safra 23/24 dos EUA 6,85 milhões de toneladas atrás do registrado no mesmo período de 22/23.
Esmagamento nos EUA: Na última semana, dia 16 de janeiro, a NOPA divulgou seus dados mensais de esmagamento de soja. A Associação informou que seus membros esmagaram 5,32 milhões de toneladas de soja em dezembro, acima do registrado em novembro (5,1 milhões), do observado (4,8 milhões de toneladas) e da média das estimativas (5,26 milhões). Os estoques de óleo de soja também surpreenderam. A NOPA informou que em dezembro os EUA haviam 616,9 mil toneladas de estoque, número acima do mês anterior (550,7 mil toneladas) e da média das estimativas (585,6 mil). Contudo, os estoques em dezembro de 2023 ficaram abaixo do registrado no mesmo mês de 2022 (812,4 mil toneladas).
Vendas de exportação dos EUA: O relatório de vendas de exportação do USDA também não deu grandes motivos para o mercado se empolgar. O Dartamento informou que os EUA registraram 781,3 mil toneladas de vendas líquidas na semana encerrada no último dia 11, contra 280,4 mil na semana anterior, um grande avanço, mas abaixo das 986,2 mil toneladas vendidas na semana equivalente de 2023 e dentro da faixa das expectativas do mercado, que variavam entre 400 mil e 900 mil toneladas. No acumulado, as vendas da safra 23/24 totalizaram 37,4 milhões de toneladas, contra 45,3 milhões no mesmo período de 22/23.

Safra no Brasil : O debate sobre a produção na América do Sul segue com um dos principais direcionadores dos preços da soja. Por mais que ao longo do mês várias consultorias privadas e instituições tenham promovido cortes em suas estimativas para a safra brasileira, visto que alguns dos danos às lavouras plantadas mais cedo são irreversíveis, o elevado volume de chuvas ao longo das últimas duas semanas pode ter beneficiado as áreas plantadas mais tarde. Além disso, bons volumes de chuva são esperados nas próximas duas semanas e, caso sejam confirmados, áreas plantadas mais tarde podem apresentar melhora. Segundo acompanhamento da StoneX, a colheita da oleaginosa alcançou 5,1%, contra 2,3% no mesmo período do ano passado.
Safra na Argentina : Se por um lado a perda de potencial produtivo da safra brasileira é alvo de discussões e divergências de opiniões, por outro, pode-se dizer que é unanimidade a ideia de reuperação da safra argentina. Na semana passada, a Bolsa de Cereales de Buenos Aires (BCBA) indicou um aumento das lavouras classificadas em condição boa/excelente, para 55%, 4 p.p. acima do observada na semana anterior e 51 p.p. a mais que no mesmo período do ano passado, fortalecendo a ideia de uma robusta safra argentina. A BCBA estima a safra 23/24 de soja dos nossos vizinhos em 50 milhões de toneladas, contra 21 milhões de toneladas ano passado. Contudo, a oferta argentina não está livre de incertezas. Por mais que o país deva produzir quase 30 milhões de toneladas a mais do que em 2023, não se sabe qual será o nível de disponibilidade do grão no mercado internacional, visto que se espera um reconstrução dos estoques da soja no país, movimento que pode ser impulsionado também caso o produtor resolva guardar o produto como forma de se proteger da inflação.
Demanda chinesa: A China tem dado sinais de uma menor demanda por grãos, o que contribuiu para a queda observada recentemente nos preços da soja. As maiores empresas de produção de suínos no gigante asiático indicam que estão em vias de reduzir o tamanho do rebanho nos próximos meses, o que pode pressionar a procura do país por grãos importados, dentre eles a soja.
Importações chinesas: A china importou 9,8 milhões de toneladas de milho em dezembro, aumento de 24% em relação a novembro, mas queda de 2,8% em comparação comdezembro de 2022. Com isso, o país importou ao todo 99,4 milhões de toneladas em 2023, 10 milhões a mais do que em 2022. Do total importado pelo gigante asiático no último ano, o Brasil foi responsável por 70,4% (70 milhões de toneladas), sendo o principal parceiro comercial da China no mercado de soja. Os EUA ocuparam a segunda colocação, com uma participação de 24,3% ( 24,2 milhões de toneladas).





