- Fatores baixistas
- Produção mundial 25/26 ainda superando o consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Bons resultados da colheita na Argentina, com revisão da safra para cima;
- Plantio acelerado nos EUA;
- Focos de gripe aviária no Brasil.
- Fatores altistas
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- Possível aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Possível relaxamento/adiamento da taxação de navios chineses nos portos dos EUA;
- Recuo nas tarifas cobradas entre EUA e China;
- Chuvas excessivas na Argentina.
As cotações da soja em Chicago registraram queda na semana passada, com o vencimento para julho encerrando a sexta-feira (dia 30) em 1041,75 cents por bushel, queda de 1,7% no período. O mercado continua acompanhando as novidades sobre as políticas de biocombustíveis dos EUA, a safra do país, além da finalização da colheita na América do Sul. Outro ponto de atenção é o novo acirramento das tensões entre EUA e China.
Em relação aos biocombustíveis nos EUA, ainda permanecem muitas incertezas sobre andamento do projeto do 45Z, mesmo com as expectativas indicando um resultado favorável para o consumo de óleo de soja e, consequentemente, de soja. Espera-se que as matérias-primas locais sejam favorecidas em comparação às importadas, além da extensão do programa pelos próximos anos, dando previsibilidade para o segmento. Sobre a proposta para os RVOs (os mandatos para biocombustíveis) nos EUA, os rumores são de que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) teria indicado volumes mais baixos que os volume de 5,25 bilhões de galões solicitados pelo setor. Caso confirmada, a notícia poderia frustrar expectativas, uma vez que o mercado vinha apostando na aprovação de volumes mais robustos.
Outro ponto é a questão das isenções para pequenas refinarias no cumprimento dos mandatos, com rumores, a partir de uma notícia, indicando que o governo estuda aprovar parte dos pedidos referentes a 2024, feitos por 19 refinarias, e adiar decisões sobre os mais antigos, com o objetivo de evitar grandes impactos no mercado de créditos de biocombustíveis (RINs). Mais de 160 pedidos seguem pendentes. Também estaria em análise a possibilidade de obrigar refinarias maiores a compensarem os volumes isentos.


Já a safra norte-americana 25/26 continua mostrando um bom andamento, com o plantio tendo alcançado 76% do total no domingo, dia 25/05, percentual acima do último ano, em 66%, e da média, que estava em 68%. O plantio mais adiantado é considerado favorável e o mercado aguarda a divulgação dos dados de área plantada pelo USDA, no final de junho, que poderiam indicar mudanças de última hora. Um ponto de atenção é a ocorrência de chuvas mais pesadas no leste do cinturão de grãos do país, o que poderia resultar em atrasos no milho e uma migração de última hora para a soja. Contudo, é somente especulação, com revisões de área podendo ocorrer mesmo após o relatório do final e junho.
Na América do Sul, as atenções pelo lado da oferta estão na Argentina, após o país ter registrado chuvas excessivas nas últimas semanas. A colheita da soja 24/25 desacelerou um pouco, alcançado 80,7% na última divulgação da Bolsa de Buenos Aires, 5 p.p. abaixo do registrado no mesmo período do ano passado e 7 p.p. atrás da medida de cinco anos. De qualquer forma, a Bolsa de Buenos Aires continua indicando rendimento bastante favoráveis, mantendo a produção estimada em 50 milhões de toneladas, apesar das preocupações com possíveis impactos das chuvas.
No Brasil, as exportações continuam aquecidas, com o acumulado de maio até o dia 23 alcançando 11,1 milhões de toneladas. O número fechado para o mês será divulgado nos próximos dias. Com o recorde de produção de soja, as perspectivas são de que as exportações sejam também recordes em 2025 e os prêmios no Brasil se mantêm mais competitivos que nos EUA, o que é usual para esse período do ano. Um ponto a se acompanhar são as tensões entre EUA e China, com os dois países se acusando de não cumprimento dos termos do acordo negociado em maio na Suíça.
Por enquanto, não há novidades que impactem diretamente o mercado e soja, mas é sempre um fator a se acompanhar, principalmente se houver alguma taxação importante da China sobre a soja norte-americana mais no final do ano, quando a disponibilidade da oleaginosa dos EUA aumenta, levando ao melhor período de exportação do país, no último trimestre do ano.
Nesta semana, as atenções devem ficar bastante voltadas para relação entre EUA e China, além do acompanhamento das safras de EUA e Argentina.





