- Fatores baixistas
- Produção mundial 25/26 ainda superando o consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Argentina encerra safra 24/25 acima de 50 milhões de toneladas;
- Boas condições de lavouras nos EUA nos EUA;
- Clima favorável nos EUA.
- Fatores altistas
- Queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- EPA anuncia aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Aprovação do crédito 45Z nos EUA, que deve favorecer o óleo de soja;
- Avanço nas negociações entre China e EUA;
- Aumento da mistura de biodiesel no diesel no Brasil.
As cotações da soja em Chicago terminaram a semana passada no campo negativo, com o vencimento para agosto encerrando a sexta-feira (dia 11) em 1004,25 cents por bushel, queda de 4,9% no período. O mercado continua monitorando o andamento da safra norte-americana, além da política tarifária dos EUA. Ademais, foram divulgados os relatórios mensais do USDA e da Conab, com atualizações das perspectivas de safra.
O governo Trump está enviando cartas a vários parceiros comerciais, com o anúncio de tarifas, previstas para entrar em vigor em agosto, incluindo o Brasil. Esse contexto tem trazido uma maior aversão ao risco ao mercado, o que acaba pesando sobre as commodities em geral. Contudo, o comportamento dos agentes é de aguardar, dado o histórico de adiamentos e acordos, que vem ocorrendo. No caso específico do mercado de soja, não são esperados impactos diretos das tensões entre Brasil e EUA, já que os dois países são exportadores líquidos da commodity. Contudo, o comportamento do câmbio está no radar, uma vez que logo após o anúncio das tarifas sobre o Brasil, o real se desvalorizou, o que acaba sendo favorável para a competitividade das exportações brasileiras em comparação às norte-americanas.
Quanto aos fundamentos de oferta e demanda do mercado da oleaginosa, não houve mudanças significativas, com o cenário indicando um balanço global sem restrições se mantendo. A safra norte-americana é o principal fator que pode trazer mudanças pelo lado da oferta atualmente e as condições continuam favoráveis. Na semana encerrada em 06 de julho, o USDA indicou que 66% das lavouras estavam em condições boas/excelentes, mesmo percentual de uma semana antes. Mesmo assim, a situação de umidade em algumas regiões, como em partes de Illinois está sendo monitorada. Cabe lembrar também que o mês de agosto é considerado determinante para a produtividade da oleaginosa no país, por concentrar a fase de enchimento de grãos, que necessita de um clima mais chuvoso.


O relatório mensal de oferta e demanda do USDA trouxe uma alteração marginal na estimativa de produção 25/26 dos EUA, que passou de 118,12 para 118 milhões de toneladas, devido ao pequeno ajuste de área plantada, após o dado divulgado no final de junho. Mesmo assim, houve um aumento na perspectiva para os estoques finais do país, que subiu para 8,44 milhões de toneladas, devido a ajustes no lado da demanda. O Departamento cortou as exportações 25/26 em quase 2 milhões de toneladas, ficando em 47,49 milhões de toneladas, o que não foi plenamente compensado pelo aumento esperado do esmagamento, para 69,13 milhões de toneladas. As perspectivas estão favoráveis para o processamento interno da oleaginosa, devido às políticas de biocombustíveis, com perspectivas de um aumento considerável dos mandatos e favorecimento de matérias-primas nacionais. Com isso, o óleo de soja tende a ganhar espaço, incentivando o consumo doméstico da soja.
Em relação à safra brasileira 24/25, a Conab atualizou seu levantamento mensal, trazendo um pequeno recuo na produção, que passou de 169,6 para 169,5 milhões de toneladas. De qualquer forma, esse número configura um recorde para o país, sendo resultado de boas condições climáticas na maior parte da área produtora, com exceção do Rio Grande do Sul, e dos avanços tecnológicos no campo.
Com essa safra recorde, o Brasil também deve exportar o maior volume de soja da história. Na semana encerrada em 04 de julho, os embarques da oleaginosa atingiram 1,9 milhão de toneladas, levando o acumulado desde janeiro para 66,9 milhões. Nesse contexto, destaca-se que as importações chinesas de soja continuam aquecidas, tendo alcançado 12,26 milhões de toneladas em junho, o maior nível já registrado para esse mês, e que representa um crescimento de 10,35% em comparação a junho de 2024. O país tem comprado muita soja brasileira, aproveitando a ampla oferta com a colheita de uma safra recorde por aqui, além de sempre haver a preocupação com possíveis acirramentos nas tensões comerciais com os EUA, que é o segundo maior fornecedor da oleaginosa. No último trimestre do ano, com a colheita da safra norte-americana, a soja do país tem seu melhor período de exportações, ficando mais competitiva. Contudo, caso haja um contexto de taxação, o produto pode acabar mais caro para a China, mesmo nesse período. Com isso, o país pode estar se precavendo, aproveitando para comprar bastante do Brasil.
Nesta semana, além do contexto geopolítico, o andamento da safra dos EUA deve continuar no radar, com as chuvas ocorridas neste final de semana tendo sido favoráveis para aumentar a umidade em parte de Iowa e Illinois. Algumas áreas mais secas ainda permanecem em regiões do próprio estado de Illinois, da Dakota do Norte, de Indiana e de Michigan. Destaca-se que as previsões indicam chuvas mais generalizadas no Meio Oeste do país a partir do próximo final de semana, o que deve melhorar as condições de umidade.





