- Fatores baixistas
- Produção mundial 25/26 ainda superando o consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Argentina encerra safra 24/25 acima de 50 milhões de toneladas;
- Boas condições de lavouras nos EUA nos EUA;
- Clima favorável nos EUA.
- Fatores altistas
- Queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- EPA anuncia aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Aprovação do crédito 45Z nos EUA, que deve favorecer o óleo de soja;
- Avanço nas negociações entre China e EUA;
- Aumento da mistura de biodiesel no diesel no Brasil.
As cotações da soja registraram queda em Chicago na semana passada, com o contrato mais próximo, o de agosto, encerrando a sexta-feira (dia 25) abaixo de USD 10,00, em 998,75 cents por bushel, queda de 2,8% no período.
As perspectivas de uma safra cheia nos EUA continuam pesando sobre os preços, mesmo com o cenário positivo para os biocombustíveis no país, com a previsão de aumento considerável dos mandatos no ano que vem. Além disso, o mercado acompanha as tensões geopolíticas e a questão tarifária ao redor do mundo, mas sem impactos diretos sobre o segmento da soja, pelo mesmo por enquanto, com as preocupações relacionadas mais à aversão ao risco que acaba prejudicando a busca por commodities.
Na semana encerrada em 20/07, o percentual bom/excelente das lavouras 25/26 dos EUA caíram de 70% para 68%, quando o mercado apostava em um aumento de 1 p.p. Os principais responsáveis por essa queda foram os estados de Illinois, Indiana e Missouri. De qualquer forma, mesmo coma queda inesperada, o nível de 68% ainda está 6 p.p. acima da média de cinco anos e é o oitavo melhor resultado para o período desde 1986. Ademais, caso o percentual bom/excelente se mantenha acima de 66% no começo de agosto, a probabilidade e uma produtividade acima da média aumenta de forma significativa, com a correlação entre essas duas variáveis se tornado relevante.


Pelo lado da demanda, como ressaltado, o consumo doméstico norte-americano de soja deve ficar aquecido para atender a necessidade crescente esperada de óleo de soja para biocombustíveis. Contudo, a combinação de uma oferta favorável com preocupações pelo lado das exportações pode ofuscar o aumento do esmagamento. Além disso, a questão de um desbalanço entre a demanda para biocombustíveis e alimentação continua no radar, uma vez que a elevada integração do segmento de combustíveis renováveis pode acabar dificultado o acesso a óleo de soja refinado, necessário para a indústria alimentícia e consumo humano.
Em relação ao farelo, um aumento do esmagamento de soja tende a direcionar volumes maiores do derivado proteico para o mercado externo, situação que também está acontecendo no Brasil nos últimos anos, com o aumento da parcela exportada. Por mais que a tendência seja de continuidade de crescimento do consumo de farelo de soja ao redor do mundo, havendo muito espaço para introdução de proteína animal na dieta da população, não existe um ponto fora da curva nesse progresso da demanda, como vem ocorrendo com os programas de biocombustíveis. Nesse contexto, a demanda chinesa também está no radar, com o país sendo o maior importador da oleaginosa, mas com seu consumo avançando mais lentamente. Autoridades chinesas reafirmaram a intenção de continuar reduzindo o uso de farelo por animal, além da realização de cortes no tamanho do rebanho suíno nos próximos anos, que estaria enfrentando uma situação de sobre oferta.
No Brasil, as exportações de soja na semana encerrada em 18/07 alcançaram 3,1 milhões de toneladas, levando o acumulado do mês para 7,4 milhões. Desde o início de janeiro, já foram embarcadas 72,4 milhões de toneladas.
Na Argentina, o presidente Javier Milei anunciou a redução da rentenciones (tarifas sobre as exportações) sobre produtos agropecuários do país. No caso da soja em grão, a taxa será reduzida de 33% para 26%. Já os percentuais cobrados sobre o farelo e o óleo caíram de 31% para 24,5%, lembrando que o país concentra seus embarques nos derivados.
Ainda em relação à Argentina, foi noticiado que a China rejeitou 300 mil toneladas de soja do país por suspeita de fraude, com o produto sendo, na verdade, de origem norte-americana. O nível de proteína declarado do produto levantou suspeitas e testes demostraram que os produtos não tinham origem na Argentina. Esse incidente aconteceu em maio, quando as tarifas entre China e EUA estavam em níveis altíssimos e acendeu o alerta para a possibilidade de novas ocorrências em meio ao contexto de guerra tarifária.
Nesta semana, o andamento da safra dos EUA deve continuar no radar, com as lavouras entrando na fase chave de enchimento de grão. A StoneX divulgará números de safra para o Brasil na sexta-feira (dia 01/08). Além do mais, a entrada em vigor das tarifas sobre o Brasil está sendo acompanhada, assim como as tentativas de negociação.





