- Safra russa de trigo se mantém forte;
- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Estoques estadunidenses em alta, de acordo com posição semestral.
- Vendas de exportação semanais dos EUA em bons volumes
- Continuidade de bombardeios a infaestrutura energética e portuária na Ucrânica;
- Embora em patamares historicamente baixos, preços do trigo russo continuam subindo.
Em uma semana mais curta pelo feriado da Páscoa, o trigo negociado em Chicago registrou uma recuperação no acumulado da semana. Sem operações na bolsa no último dia da semana, o fechamento na quinta-feira (dia 28) foi de 560,25 cents/bu, 1% superior aos 554,75 cents/bu da semana anterior (dia 22).
Sobre a demanda, houve uma recuperação no saldo líquido das exportações de trigo, após um resultado negativo na semana anterior, onde envios tinham sido cancelados. Neste sentido, até a semana concluída no dia 21 de março, foram registradas 339 mil toneladas, superiores com os envios de 83 mil toneladas de duas semanas atrás. Os valores enviados também são mais que o dobro do exportado na mesma época do ano anterior, quanto tinham sido enviados 142 mil toneladas. Acesse o resumo das exportações semanais de grãos dos EUA clicando aqui.
Um acontecimento importante na semana foi a divulgação do relatório de intenções de plantio do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), publicado na quinta-feira passada, antes do feriado. Nele, foi informado um aumento na área plantada, maior do que divulgado no Fórum Agrícola. De 19,02 milhões de hectares projetados no começo do ano, a nova divulgação indicou que se esperam agora 19,22 milhões de hectares para a safra 2024/25. A relevância deste dado se encontra em que parte importante da produção local vai para o consumo interno, e o excedente é exportado.
Desta forma, a posição dos estoques estadunidenses é importante, e foi indicado que também houve um aumento em comparação aos níveis do ano anterior. Enquanto em março de 2023 o balanço indicava 26 milhões de toneladas, para março de 2024 essa posição subiu para 29,60 milhões de toneladas. Lembrando que o USDA indicou no seu último relatório de oferta e demanda que se esperam exportações de 46,81 milhões de toneladas para a safra 2023/24, e importações de apenas 0,82 milhões de toneladas, devendo atualizar nos seus próximos relatórios as expectativas para a próxima safra 2024/25. E, contribuindo para esse balanço folgado, as últimas notícias da Europa no começo da semana indicam que, apesar das perdas na produtividade potencial, a safra esperada continua estável.
Acesse a Posição Trimestral dos Estoques e o relatório de Intenções de plantio dos EUA clicando aqui.


Na semana encurtada pelo feriado de sexta-feira, os resultados do trigo europeu tiveram um encerramento semanal em sentido oposto ao que foi auferido em Chicago. No velho continente, os contratos de trigo encerraram a semana em baixa, com o vencimento de maio/24 sendo negociado em Paris a 203,75 euros/ton, uma queda acumulada de 1,7%. A queda também vem apesar de um trigo russo que veio se encarecendo nas últimas semanas, o que teoricamente deveria oferecer suportes aos preços europeus; fato é que, ainda com a alta no curto prazo, os preços russos se mantêm em patamares historicamente baixos, contribuindo para que haja alguma pressão baixista para os futuros. Ainda, a valorização significativa experienciada na semana passada pode ter contribuído para alguma pressão vendedora do ponto de vista técnico.
Boatos de uma dificuldade logística nos embarques russos (mais bem explorado na seção de Mar Negro) poderia ter entregado algum otimismo para o trigo europeu, mas não foi o que se observou, embora possa ter ajudado a entregar um otimismo no primeiro pregão da semana, com o vencimento de maio chegando a 210,50 euros/ton na segunda-feira, maior patamar desde o começo de fevereiro, antes de fechar em baixa.
O fato é que até o dia 23 de março a União Europeia havia exportado 22,8 milhões de toneladas de trigo no acumulado da safra, 2% a menos do que na safra anterior. Em compensação, estimativas de uma consultoria especializada na região do Mar Negro dão conta de um mês de março que deve contar com 5 milhões de toneladas exportadas pela Rússia, um volume recorde.
Assim, mesmo com os preços do leste apresentando altas no passado mais recente, as altas vistas na penúltima semana de março podem ter sido excessivas. A demanda pelo trigo europeu parece não encontrar muita ressonância no mundo, o que deve continuar limitando ganhos, mesmo com a oferta sendo prejudicada com condições climáticas adversas nas lavouras do velho continente.

Indo para o leste do continente europeu, os preços do trigo russo continuaram ficando mais caros no mercado internacional, se afastando da resistência psicológica de US$ 200/ton e encerrando a semana a US$ 208/ton. Os preços, ainda assim, se colocam em patamares baixos em relação à média da história recente, o que continua pressionando, em algum grau, os preços internacionais.
Um importante fato da semana foi a informação de que uma importante empresa exportadora do trigo russo teve problemas em realizar embarques ao não corresponder a exigências de segurança e controle de qualidade de países importadores. O fato seria altista para as cotações de trigo fora da Rússia. No entanto, os informes ao longo da semana deram conta de um ritmo relativamente normalizado de exportações do país, com a dificuldade de embarques do principal exportador sendo apenas marginal no volume total. Ainda assim, as informações são escassas, devendo se refletir ao longo das próximas semanas.
De qualquer forma, o volume de exportações russas deve se manter em patamares recordes, o que vem exercendo pressão nos preços internacionais nos últimos tempos. Os bons volumes exportados vêm na esteira de um clima favorável, conforme um regime mais quente vem sendo observado ao longo da safra de inverno nos países do leste europeu; além disso, a região central da Ucrânia registrou bons volumes de chuva nas últimas semanas, e alguma precipitação pode ajudar a região sudeste do país, bem como a região do Vale do rio Volga, garantindo condições favoráveis para as lavouras.
Do lado geopolítico, as trocas de ofensivas entre Ucrânia e Rússia se mantém centradas em infraestruturas essenciais, como o setor energético e portos dos países. No entanto, o mercado observou o conflito com mais calma ao longo dessa última semana. O foco geopolítico esteve em conversas entre autoridades da Polônia e da Ucrânia, que visavam encontrar um acordo que pudesse satisfazer as demandas dos produtores poloneses, que tentam garantir competitividade com o trigo importado da Ucrânia, sem prejudicar as exportações do país em guerra. As conversas parecem não apresentar ainda algum resultado satisfatório, devido a uma grande pressão de setores agrícolas na política interna polonesa. Por último, autoridades europeias alcançaram um acordo para estender a livre importação de bens primários da Ucrânia, devendo passar pelo parlamento europeu nas próximas semanas; embora o acordo tenha sido alcançado, ele foi muito mais limitado em comparação com os últimos tratados.






