- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nos EUA;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Preços do trigo russo continuam em alta.
Os preços futuros do trigo apresentaram um recuo acumulada de 5,17% nas negociações da Bolsa de Valores de Chicago, para a semana passada, com o bushel sendo cotado no patamar de 652,25 cents. Por mais uma vez, as condições climáticas chamaram a atenção do mercado, no entanto, prevaleceram os indícios de recuperação para a safra do trigo na semana que passou.
Em tais circunstâncias, a ocorrência de geadas nas regiões produtoras do cereal na Rússia gerou pressões altistas e levou os preços ao seu patamar máximo nos últimos nove meses. Analistas reportaram uma redução nas estimativas de produção e exportação de trigo no país, após perdas causadas pelo clima gelado. No entanto, a expedição anual pelas plantações de trigo no Kansas - Kansas Wheat Tour – demonstrou otimismo em relação à safra do cereal no estado, que detém a maior produção do país, com perspectivas de produtividade superior à média dos últimos cinco anos, gerando alívio entre os negociadores e favorecendo quedas nos preços futuros do cereal.
Por outro lado, a demanda mundial se mantém aquecida, com contratos de importações anunciados em alguns países, como Egito, Jordânia, Japão e Tailândia, que acaba por instigar uma competição entre os principais players exportadores de trigo no mercado internacional.
Para a semana que se encerrou no dia 17 de maio, a Secretaria de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontou 50% das lavouras de trigo em condições boas a excelentes. Trata-se do mesmo nível em que se encontravam na semana anterior, mas, ainda assim, abaixo das expectativas de analistas.
O saldo líquido de exportações da safra atual (2023/24) de trigo estadunidense ficou no patamar de 71,5 mil toneladas. Os números, apesar de maiores que os da semana anterior, indicam um montante de negócios reduzido, devido ao período de reta final da safra atual. Nesse sentido, a maior parte dos contratos se concentra na nova safra, que iniciará em breve. Acesse o resumo das exportações semanais de grãos dos EUA clicando aqui.


Em uma semana marcada pela instabilidade, o balanço foi negativo para os preços negociados na Bolsa de Paris, onde a desvalorização foi de 1%, com 246,75 euros/tonelada (frente aos 249,25 euros/toneladas registrados na sexta-feira anterior). A surpresa foi pelo fato de, na segunda-feira, o mercado ter fechado com o trigo sendo negociado em 258,25 euros/toneladas, um dos valores mais altos do período recente. Assim, uma semana que se iniciou positiva acabou recuando, principalmente no último dia das negociações.
Se bem as preocupações com a produção russa constituíram-se como o principal fator de alta nos mercados internacionais, na Europa, um aumento em estimativas para a próxima safra de trigo mole incidiu nas baixas observadas. Com aumentos na produtividade da Espanha, Roménia e Bulgária, espera-se que a produção da União Europeia fique em 123,5 milhões de toneladas.
Ao mesmo tempo, foi alertado que níveis de chuvas acima da média poderiam impactar na produção esperada. Principalmente na França, que justamente é o maior produtor da região, é onde maiores chuvas são esperadas, desde os últimos dias de maio até o final de junho. Desta forma, o mercado climático continuará bastante ativo nas próximas semanas, onde os agentes seguirão de perto as atualizações em relação a possíveis impactos devido aos níveis pluviométricos registrados.

A semana no Mar Negro foi marcada por novas tensões no front militar. Após a substituição do comando da campanha militar russa na Ucrânia, houve uma intensificação do conflito na região de Kharkiv, no leste ucraniano, que era a segunda maior cidade do país antes da guerra. O avanço russo se expressou na dominação de cidades vizinhas, mas a conquista de Kharkiv propriamente dita envolve maior cautela. Além disso, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o avanço na região envolve mais a criação de uma “zona tampão” perto da fronteira após ataques ucranianos à região de Belgorod, do lado russo. Segundo Putin, a continuidade desses ataques forçaria uma reação defensiva russa, que envolveria a criação de uma zona de segurança, permitindo a neutralização de ataques ucranianos dentro dos limites russos.
Do lado dos fundamentos de grãos produzidos na região, os fatores destacados na semana passada se mantêm. Preocupações com a ocorrência de geadas em regiões produtoras de trigo na Rússia inspiraram uma série de revisões para baixo nas estimativas de produção do país. Alguns números de consultorias russas apontam para uma colheita de trigo que deve se aproximas mais das 86 milhões de toneladas; o número mais recente do USDA aponta para 91,5 milhões de toneladas.






