- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nos EUA;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Preços do trigo russo continuam em alta.
No intervalo entre os dias 20 e 24 de maio, os preços futuros do trigo registraram valorização acumulada de 7,06%, de acordo com as cotações da bolsa de valores de Chicago, com picos que alcançaram as máximas nos preços de 10 meses. Diante desta conjuntura, o bushel encerrou a sexta-feira (24/05) negociado no patamar de 697,25 cents.
Os ganhos da semana passada se devem, mais uma vez, às preocupações com as condições climáticas nas principais regiões que abastecem o mercado internacional de trigo, com destaque para a seca no Kansas e no Mar Negro. No caso do Kansas, as regiões que enfrentam escassez de chuva já corresponderiam a cerca de metade do estado, área superior à observada no mesmo período do ano passado, segundo estimativas. No entanto, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) classificou em 49% a safra de trigo de inverno em condições boas a excelentes, no país. O índice, apesar de menor que a semana anterior, ainda é o melhor entre os últimos anos.
Paralelamente, as preocupações com a produção na Rússia de fato sustentaram os preços elevados ao longo da semana, após novas reduções nas estimativas por instituições russas. Além disso, a Austrália indicou que a precipitação abundante na região mais à leste deve aumentar a produção do cereal no país.
Por fim, a atualização das Exportações Semanais de Grãos dos EUA informou um saldo líquido de 17,8 mil toneladas exportadas para a safra atual (2023/24). O volume relativamente menor se deve ao momento de reta final da safra, o que tende a desacelerar as negociações. Para a próxima (2024/25), o montante ficou no patamar de 288,4 mil toneladas. Clique aqui e confira o relatório completo


Seguindo a tendência internacional, a semana também foi de valorização para o trigo na Europa. Assim, a Bolsa de París registrou um aumento de quase 6% nos preços, que fecharam na última sexta-feira em um patamar de 261,25 euros/tonelada (em comparação aos 246,75 euros/tonelada do fechamento anterior).
No começo da semana, alguns agentes do mercado atualizaram as suas projeções para os países da União Europeia, indicando que poderiam se esperar 130,9 milhões de toneladas, dada uma melhora nas condições climáticas em países como Romênia, Bulgária e Espanha. Lembrando que o valor divulgado pelo USDA continua sendo maior, dado que na última publicação do relatório de oferta e demanda (WASDE), no começo de maio, foram indicados 134,15 milhões de toneladas para a safra 2024/25.
Na França, o principal país produtor da região, o Ministério da Agricultura indicou que, até a semana concluída em 17 de maio, 64% das plantações de trigo se encontravam em condições boas ou excelentes, mesmo nível reportado na semana passada, e ainda inferior aos 93% registrados no mesmo período do ano anterior.
Avançando na semana, as últimas estatísticas da Comissão Europeia indicaram que, até a primeira semana de maio, as exportações acumuladas de trigo foram de 27,4 milhões de toneladas, o que indica uma queda de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já pelo lado das importações, o volume registrado foi de 10,3 milhões de toneladas, o que indica um aumento de 11%, quando analisado o mesmo corte temporal do ano passado.
Finalmente, na sexta-feira, dados tanto da França como do Reino Unido, indicaram que cerca da metade das terras cultiváveis nos países tinham registrado o período mais chuvoso, entre fevereiro e maio, desde 1981. Assim, se confirmaram as previsões climáticas que já apontavam a possibilidade de tal fenômeno se manifestar, mantendo em alta o mercado climático que deve continuar por mais algumas semanas.

As forças vindas da região do Mar Negro no mercado de trigo foram predominantemente altistas, mesmo em uma semana sem danos de infraestrutura que pudessem afetar a capacidade de exportação de Rússia e Ucrânia. O fronte militar continua aquecido, com novas disputas de território na porção leste da Ucrânia.
O principal fator de sustentação aos preços continuou sendo o clima em importantes regiões produtoras. As condições de relativa seca não cessaram e continuaram inspirando revisões para baixo nas estimativas de importantes consultorias para a oferta russa de trigo. Além disso, a ocorrência de geadas mais ao norte também vem deixando os agentes mais apreensivos com a capacidade de produção robusta que se vinha esperando até poucas semanas atrás. Fato é que o mercado já passa a precificar uma produção russa menor, o vem dando força aos preços internacionais do trigo, conforme pôde ser observado na semana passada.
Em segundo lugar, também foi um momento de fortalecimento relativo do rublo no mercado internacional. Novas discussões sobre medidas de controle de capitais no maior país do mundo trouxeram uma expectativa para os agentes de uma política de juros mais agressiva no futuro próximo, fazendo com que a moeda sofresse uma boa valorização no período. Como a Rússia é o maior exportador de trigo do mundo, uma valorização da divisa do país tende a tornar o produto russo mais caro no mundo, pressionando sua competitividade. Dessa forma, algum suporte pode ter sido auferido ao mercado de trigo pelo movimento da divisa.






