- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
As cotações do trigo na Chicago Board of Trade (CBOT) registraram perdas pela quarta semana consecutiva, com o fechamento do dia 21 de junho apresentando recuo de 8,36% nos preços, no comparativo semanal. O movimento de queda sofre influência da pressão por vendas dos fundos de trigo, bem como o avanço rápido das colheitas nos Estados Unidos e condições climáticas favoráveis nas demais regiões produtoras no globo.
Nos últimos dias tem se observado uma retirada das participações nos fundos de trigo por parte dos investidores, o que tem contribuído ainda mais para a queda nos preços. Apesar dos estoques finais de trigo global estarem em seus níveis mais baixos desde 2007/08, os preços permanecem em baixa, dados os fundamentos atuais.
A colheita nos Estados Unidos tem avançado rapidamente, atingindo os 27% na semana passada, o que representa uma evolução de 15% em relação à anterior, segundo monitoramento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os números indicam uma vantagem em relação à média do mesmo período para os últimos 5 anos, que se estabelecia no nível dos 14%. No entanto, previsões de chuva para a planície sul devem desacelerar o ritmo nos próximos dias.
Outro fator que tem contribuído para ampliar a queda nos preços do trigo tem sido a melhora da previsão de oferta global, com aumento nas estimativas de safra russa e argentina. Por outro lado, novos contratos de compra têm surgido, o que contribui para manter a demanda mundial aquecida.


Na Europa, a Bolsa de Paris seguiu a tendência de queda do trigo mundial, com desvalorização de 5,17% no acumulado da semana que se encerrou em 21 de junho. As perdas decorrem da melhora nas perspectivas de produção, incluindo dados positivos para a região, bem como previsões de chuva que devem favorecer ainda mais a produtividade futura.
A associação europeia de comércio de cereais (COCERAL) elevou as estimativas de produção de trigo no continente em meio milhão de toneladas. A projeção de março apontava um montante de 295,5 milhões de toneladas, enquanto a mais recente indicou que a safra atual deve atingir 296 milhões de toneladas. Além disso, a evolução das colheitas na parte sul do continente tem se mostrado positiva, com potencial recorde de safra na Romênia, após chuvas na primavera beneficiarem os cultivos. Os ganhos produtivos do país, no entanto, devem compensar perdas na França e na Alemanha.

Os fundamentos vindos do Mar Negro na semana passada foram predominantemente baixistas. O que vem sendo falado agora é de que as preocupações climáticas foram exageradas em um primeiro momento. Houve expectativas de que os danos das secas e geadas na Rússia devem ter sido menores do que vinha sendo esperado, conforme notícias que deram conta de uma recuperação da produtividade e o replantio bem-sucedido em algumas áreas podem ter trazido algum respiro para o rendimento médio das lavouras. O fato foi reforçado com as estimativas de consultorias locais sendo ajustadas para cima. A IKAR, em sua estimativa mais recente, estimou a produção russa para 82 milhões de toneladas, 500 mil toneladas a mais do que o número anterior. Ainda assim, o país deve contar com uma colheita menor do que vinha sendo estimado no começo do ano.
No entanto, as notícias vindas do leste europeu ainda são relativamente escassas, com o mercado tendo que se apegar a muitos boatos e especulações antes de consultorias locais definirem direcionamentos mais claros. Nesse sentido, os agentes também observam com atenção como autoridades políticas podem reagir a um eventual novo momento altista para o mercado de trigo e os riscos inflacionários decorrentes disso. Do lado da Rússia, especulou-se que a oferta local menor e os preços maiores fariam o governo limitar exportações, o que seria um suporte significativo para os preços internacionais. Os boatos cessaram de uns tempos para cá, conforme os preços pararam de escalar, entregando ainda mais alívio para o mercado.
Do ponto de vista geopolítico, o conflito russo-ucraniano segue a todo vapor. Bombardeios em diversos alvos de infraestrutura da Rússia continuam sendo a tônica do lado ucraniano, mas, nos frontes, a batalha se acirra cada vez mais. Novos pacotes de ajuda militar dos países ocidentais devem ajudar na defesa da Ucrânia, mas o conflito não parece ter um fim tão próximo, fato reforçado pela falta de coordenação internacional apontados na última cúpula para a paz da Ucrânia, promovida na semana passada. Diversos países não apoiaram o documento final da cúpula, mas o fato principal é que a Rússia não demonstrou interesse em participar do evento, limitando os impactos reais do documento. Ainda assim, um eventual ingresso de Moscou nas negociações pode entregar algum otimismo no futuro, mas nada é garantido até o momento.






