- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
A trajetória dos preços futuros do trigo na última semana, entre os dias 22/07 e 26/07, indicou a permanência da tendência baixista para o mercado, que já é observada há algumas semanas. Após encerrarem no patamar de US$ 542,75 na semana anterior (dia 19), os preços futuros recuaram cerca de 3,68%, apresentando fechamento de US$ 522,75 na última sexta-feira (dia 26). Desta vez, a colheita adiantada e os indicativos em níveis elevados para as condições do trigo de primavera nos Estados Unidos atuaram pressionando os preços na Chicago Board of Trade (CBOT).
Segundo informações reportadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita do trigo de inverno avança em ritmo satisfatório no território estadunidense, atingindo os 76% em 21 de julho, contra os 71% na semana anterior e acima também dos 65% para o mesmo período do ano passado. Paralelamente, os cultivos de primavera também apresentam desenvolvimento positivo, com 77% classificadas como boas ou excelentes, mesmo nível observado na semana anterior, mas ainda muito superior ao observado na última safra, contabilizada em 49%. A junção de ambos os fatores aponta para uma maior disponibilidade de trigo no mercado, o que interfere sobre a pressão observada nos preços internacionais nas últimas semanas.
As perspectivas de produção para outros importantes players mundiais se mostram ainda incertas. No Canadá, algumas regiões das províncias de Saskatchewan e Alberta, duas das principais produtoras de trigo no país, apresentam alguns indícios de clima mais seco, com risco de perdas para a safra canadense. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires aponta um avanço adequado no plantio da safra 2024/25 de trigo, além disso, previsões de chuva para os próximos dias são bons indicativos para a produtividade do país, com as perspectivas sendo replicadas para a Austrália. No caso da China, um aumento da área plantada e da produtividade deve trazer recorde produtivo ao país asiático.


Na União Europeia, a maior disponibilidade de trigo no mercado internacional também pesou sobre as cotações do cereal na Bolsa de Paris. Os preços futuros do trigo atingiram a marca de US$ 217,00, após recuo de 2,80% no acumulado semanal. Em meio à trajetória de preços declinantes, o Departamento de Agricultura do governo francês atualizou a conjuntura dos cultivos do cereal no país.
Os números indicam uma redução nas lavouras classificadas como boas ou excelentes do país, posicionando-se em 52% na última semana, contra 59% na semana anterior e 80% para o mesmo período do último ano. Há preocupações quanto à qualidade dos cultivos também para a Alemanha e Polônia. Com relação à colheita, estima-se que 14% do trigo mole francês já esteja nos silos, no entanto, os valores ainda estão muito abaixo daquilo que se observou na safra passada, quando, no mesmo período do ano, a colheita no país já havia atingido os 51% do total.

A situação do Mar Negro se manteve amena na semana passada. Com menos preocupações com relação aos efeitos do clima quente e seco na Ucrânia conforme observou-se uma normalidade das condições climáticas, observou-se uma diminuição das manchetes do mercado de grãos que tratassem dos países do leste europeu. O clima adverso, conforme já falado em semanais anteriores, deve ter efeitos marginais na safra de trigo, uma vez que a maior parte do trigo nessa região é da safra de inverno, que, aliás, deve ter sua colheita favorecida por esse clima menos úmido. Os efeitos do clima nas últimas semanas, portanto, deverá ser mais sentido em outros mercados, como o milho, que deve ter redução de produtividade, uma vez que o clima adverso se deu no estágio de polinização dos milharais ucranianos. As temperaturas seguiram com maior normalidade no país ao longo dos últimos dias, mas o calor continua afetando algumas regiões no leste do país, bem como na região sul da Rússia, fato que faz com que o clima continue sendo uma variável de atenção nas próximas semanas.
No campo geopolítico, poucas foram as novidades. Alguns indicativos de que as conversas para a paz no conflito russo-ucraniano estão avançando foram dados após o ministro de relações internacionais da Ucrânia se encontrar com o seu homônimo chinês na última terça-feira; ainda assim, é difícil imaginar um cenário em que a Rússia aceitaria um acordo de paz com o retorno da disposição de fronteiras pré-invasão, o que não agrada a Ucrânia. Provavelmente as conversas, se existentes, só seguirão depois das eleições americanas, em novembro, o que pode movimentar a disposição de forças da geopolítica internacional, favorecendo um lado ou outro do conflito. Uma análise dos possíveis efeitos das eleições nos EUA para a região do Mar Negro foi feita no Resumo Semanal de Trigo da semana passada, que pode ser acessado clicando aqui, bem como deverá seguir sendo um fato importante de ser acompanhado nas próximas semanas.






