- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Perspectivas de redução nos rendimentos da União Europeia.
Na última semana, entre os dias 5 e 9 de agosto, os preços futuros do trigo apresentaram leve alta. Após fechamento de US$ 539 cents/bushel na semana anterior, os preços valorizaram cerca de 0,65%, sendo cotados no patamar de US$ 542,50 cents/bushel na última sexta-feira (dia 09). Observou-se uma movimentação de tomada de posições por integrantes do mercado, na véspera do relatório World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE), com a publicação programada para esta segunda-feira (dia 12). Além disso, o ritmo da colheita do trigo vermelho de inverno e de primavera também teve sua influência sobre as negociações.
As expectativas são de que o relatório WASDE traga perspectivas de um aumento na produção e estoques finais dos Estados Unidos para a safra 2024/25. Por outro lado, espera-se que haja uma ligeira redução nas estimativas para os estoques globais do cereal.
Paralelamente, de acordo com dados reportados também pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita do Trigo de Inverno está 88% concluída no território estadunidense. Os dados apontam um avanço de 6% em relação à semana anterior, bem como um patamar superior ao registrado no mesmo período do último ano (85%) e da média dos últimos cinco anos (86%). Com relação ao Trigo de Primavera, o progresso da colheita recém iniciada foi afetado por uma frente fria na semana que se passou, por esse motivo, o total de 6% colhido no território nacional encontra-se abaixo do que havia sido computado para o mesmo período no último ano (8%) e da média dos últimos cinco anos (10%). Quanto às condições dos plantios de primavera, os números não se alteraram dos 74% em condições boas ou excelentes, contabilizados na semana anterior, mas chama a atenção o nível muito superior ao observado no mesmo período do ano passado (41%) e à média dos últimos cinco anos (52%), o que deve surtir efeitos positivos sobre a produtividade do trigo no país.
Ao que parece, a agência estatal de importação de grãos da Argélia (OIAC) efetuou, nos últimos dias, a compra de 630.000 toneladas de trigo, que serão entregues no mês de setembro. O volume elevado deve aquecer o comércio internacional do cereal, exemplo disso foi a elevação de 18% observada nas exportações de trigo do Canadá, para a semana que se encerrou no dia 31 de julho.


Na União Europeia, os preços futuros do trigo permaneceram estáveis na semana que se passou. A Bolsa de Paris registrou fechamento de 217 cents/bushel na última sexta-feira (dia 09), mesmo valor observado no fechamento de sete dias atrás. No entanto, apesar da tranquilidade demonstrada pelo mercado, a previsão é de que a União Europeia registre os menores rendimentos desde a safra 2018, segundo consultorias locais e instituições governamentais.
Os principais produtores, França e Alemanha, apresentaram fortes reduções na produtividade, o que deve afetar o montante produzido pela União Europeia. As perdas são desdobramento das chuvas persistentes para a região, que afetaram os plantios em períodos decisivos como no desenvolvimento das plantas e na colheita. Na França, por exemplo, o governo reduziu sua estimativa em 3,3 milhões de toneladas, que agora se encontra em 26,3 milhões de toneladas.
A redução nos números da União Europeia tem dado certo suporte aos preços internacionais do trigo, ainda assim, as perspectivas de colheita recorde nos Estados Unidos têm limitado os ganhos do cereal. Para os próximos dias, os investidores devem acompanhar as transações internacionais, que vão medir o quão aquecido está o mercado no momento.

O grande fato da semana na região do Mar Negro foi o avanço de tropas ucranianas na região de Kursk, dentro do território russo. O ataque, que pegou muitos observadores internacionais de surpresa, é o mais profundo dentro do território russo desde o início da guerra. Enquanto a incursão carece de maiores detalhes, principalmente quanto às intenções da Ucrânia e possíveis respostas da Rússia, resta especular. O que vem sendo dito é que a intenção do exército ucraniano se concentrava em desestabilizar a distribuição de tropas da Rússia, fazendo com que os frontes dentro da Ucrânia fossem enfraquecidos, auxiliando na recuperação de territórios previamente ocupados; outras interpretações apontam para a possibilidade de a Ucrânia buscar ocupar territórios russos para forçar o Kremlin para a mesa de negociações de paz. Essa última visão pode ser mais difícil de acreditar, uma vez que o exército russo segue sendo mais poderoso, e a recuperação da região deve ser apenas uma questão de tempo. De qualquer forma, a incursão militar pende para um fortalecimento relativo da posição ucraniana no conflito militar. Restará agora observar como o Kremlin retaliará.
Do lado dos fundamentos de trigo, a colheita de inverno se encaminha para os estágios finais, fazendo com que as estimativas encontrem território comum entre 82 e 84 milhões de toneladas para a Rússia e por volta de 23 milhões de toneladas para a Ucrânia. O número segue entregando um volume satisfatório para a safra do Mar Negro; em alguns momentos durante os problemas climáticos nos últimos meses, a preocupação do mercado era de que a colheita poderia render um volume agregado abaixo das 100 milhões de toneladas, o que seria altista para as cotações, uma vez que a colheita pequena poderia fazer com que a Rússia limitasse as exportações, tirando participação desse importante player exportador no mercado internacional. No entanto, conforme a colheita foi avançando, não foi o que se observou. Dessa forma, o mercado passou a olhar para o Mar Negro com menos preocupações, fazendo com que a safra norte-americana voltasse a ser o centro das atenções nas últimas semanas.
Ainda olhando para o clima, os impactos do calor e seca na safra de primavera da Ucrânia continuaram no radar do mercado, mas sem grandes atualizações que não estivesse contemplada nas últimas semanas. O grande fator climático que entrou no radar do mercado de trigo se deve à Rússia. O país passou a enfrentar quantidades de chuva significativamente maiores em algumas regiões produtoras de trigo de primavera. Chuvas acima da média histórica vêm sendo observadas nas regiões dos Urais e do Vale do Rio Volga, perto da fronteira com o Cazaquistão. O volume excessivo de chuvas vem trazendo preocupações com relação à produtividade e à qualidade do trigo produzido na região.






