- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- França e Alemanha apresentam recuo de produção devido às adversidades climáticas.
Aparentemente, o mercado trigueiro apresentou reações na última semana, após meses seguidos de recuos nos preços futuros do trigo. É interessante manter a atenção na dinâmica dos próximos dias, para verificar se as altas serão sustentadas por mais tempo além da semana que se passou. A Chicago Board of Trade (CBOT) registrou valorização de 4,01% entre os dias 23 e 30 de agosto, nos preços para o contrato futuro de dezembro/2024, apresentando fechamento no patamar de 551,5 cents/bushel na última sexta-feira (dia 30/08).
Nos Estados Unidos, o andamento da safra 2024/25 de trigo tem se demonstrado positivo, com perspectivas de ampla oferta pelo país. O trigo de inverno encontra-se 96% colhido, encaminhando para o encerramento das atividades por lá. Nos estados do Oregon e Washington, 89% e 85% das lavouras de trigo já foram colhidas, respectivamente. Já em Montana e Idaho, o progresso da colheita é de 75% e 72%, na devida ordem. Nos demais estados, as atividades já foram concluídas.
Com relação à safra de primavera, o momento requer a observação do desenvolvimento vegetativo dos cultivos. Conforme relatado nas últimas semanas, as condições de safra têm chamado a atenção por se encontrarem satisfatoriamente acima da média dos últimos anos. Apesar do recuo de, no último comparativo semanal, as lavouras classificadas como boas ou excelentes apresentarem recuo de 4 p.p., a classificação de 69% ainda se encontra acima do valor registrado no ano passado (37%) e da média dos últimos cinco anos (61%). Para acompanhar mais informações como estas, acesse o nosso relatório interativo de Acompanhamento de Safra para os Estados Unidos.
Alguns traders acreditam que a demanda pode ter sido favorecida pelo momento de baixos níveis nos preços, com as exportações semanais de trigo dos Estados Unidos atingindo níveis mais elevados recentemente. No entanto, apesar da conjuntura, à primeira vista, favorável, ameaças à oferta europeia de trigo, atuaram como principal fator altista na última semana.


Os países produtores de trigo da União Europeia estiveram sob os holofotes dos agentes que negociam no mercado internacional de trigo ao longo da última semana. Conforme mencionado anteriormente, ameaças à oferta de trigo europeu atuaram como o principal fator altista dos últimos dias. Com isso, a Bolsa de Paris acumulou ganhos de mais de 5,5% na última sexta-feira (dia 30/08), atingindo o valor de 205,25 cents/bushel.
Os rumores de que a colheita de trigo havia sido comprometida na França e Alemanha, os principais países produtores de trigo da União Europeia, devido ao excesso de chuvas, já circulavam há alguns dias. No entanto, as estimativas favoráveis em outras regiões do globo e a demanda relativamente baixa nas últimas semanas limitaram os ganhos que este fator pudesse oferecer.
Na quinta-feira (dia 29/08), a Comissão Europeia de Agricultura atualizou as estimativas de produção para a safra 2024/25 de trigo da União Europeia, que agora encontra-se em 116,1 milhões de toneladas, cerca de 4,7 milhões de toneladas a menos do que apontava a estimativa divulgada no mês anterior. Apenas na Alemanha, a redução prevista é para cerca de 13%.

Na região do Mar Negro, as forças seguiram as tendências observadas em outras praças pelo mundo, com os preços futuros do trigo se valorizando após semanas seguidas declinando. Da mesma forma em que nas demais praças, as reduções nas estimativas de produção para países da União Europeia exerceram maior influência sobre a apreciação do cereal.
Paralelamente, o clima também tem afetado a produção em partes da Rússia e Ucrânia. Na Rússia, chuvas excessivas atingem os plantios de primavera nas proximidades de Omsk, na Sibéria, atrasando as colheitas locais. De modo oposto, o calor incessante na Ucrânia deve antecipar as colheitas, agitando as ofertas de safra nova no país.
Ao que parece, a demanda pode ter sido beneficiada pelos níveis de preços reduzidos nos últimos tempos. As exportações russas de trigo para o mês de agosto se estabeleceram próximas das 5,5 milhões de toneladas, número visto positivamente pelos investidores do mercado, resta saber se manterá assim para o mês recém iniciado.
No contexto geopolítico, os conflitos armados na região não apresentaram grandes mudanças em relação ao que foi observado na semana anterior. Ataques continuam sendo registrados de ambos os lados, sem muitos avanços nas negociações de paz. Não houve, entretanto, registros de ataques que atingissem estruturas logísticas e de armazenamento de grãos recentemente, não havendo interferência do conflito na dinâmica dos preços internacionais do trigo nos últimos dias.






