- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- França e Alemanha apresentam recuo de produção devido às adversidades climáticas.
Os preços futuros do trigo, negociados na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês) avançaram um pouco mais pela segunda semana consecutiva, após longo período de acúmulo de perdas. O fechamento da última sexta-feira (dia 06/09) estabeleceu os preços futuros do cereal no patamar de 567 cents/bushel, representando uma valorização de 2,81% em relação à sexta anterior (dia 30/08), de acordo com a cotação para o contrato futuro de dezembro/2024.
O mercado parece ter sustentado a tendência altista por mais tempo do que os traders imaginavam. O movimento, por muitas vezes ao longo da semana, foi associado a um “pulo do gato morto”. A expressão é utilizada por integrantes do mercado financeiro para descreverem uma breve recuperação nos preços do ativo, que se encontravam em queda. Na prática, acredita-se que o mercado de trigo obteve seu momento de recuperação, mas não deve se estender por muito tempo.
Pelo lado da demanda, os preços extensivamente baixos há algumas semanas podem ter motivado novas compras. No entanto, os valores ofertados pelos países do Mar Negro têm se mostrado assiduamente competitivos e absorvido a maior parte dos novos negócios que surgem.


Os contratos futuros do trigo, negociados da Bolsa de Paris, não seguiram a mesma tendência observada nos Estados Unidos. Os preços variaram em torno do fechamento da semana anterior (dia 30/08), mas na sexta-feira (dia 06/09) apresentaram maior declínio, consolidando-se no patamar de 198,75 cents/bushel, uma desvalorização de 3,17% no comparativo semanal.
Os prejuízos causados pelas condições climáticas adversas à safra europeia de trigo ajudaram a sustentar os preços internacionais do cereal por mais uma semana, mas não foram suficientes. O excesso de chuvas em períodos decisivos para o desenvolvimento das plantas e na colheita levou a um ajuste nas estimativas de produção para a região. As safras da França e Alemanha, principais países produtores da União Europeia, tiveram fortes reduções nas perspectivas de colheita para o ciclo 2024/25. No entanto, a ampla oferta mundial foi mais que suficiente para compensar as perdas no velho continente.

Na região do Mar Negro, o conflito entre Rússia e Ucrânia parece ter iniciado uma nova fase, após um período sem grandes desdobramentos. Na semana que se passou, os ataques se acentuaram de ambos os lados, chegando a um de seus estágios mais intensos desde o início da guerra. A ofensiva da Ucrânia da região de Kursk continua, enquanto a Rússia marcha em direção à Donetsk. Um ataque de mísseis no território ucraniano vitimou 47 pessoas, o que se tornou o ataque mais mortal do ano até o momento. Do lado russo, uma refinaria de petróleo e usina de energia foram danificadas após incursão de drones executada pelas forças ucranianas.
No que se trata das variáveis que influenciam o mercado internacional de commodities, o clima seco deve ganhar mais destaque entre as manchetes da região do Mar Negro. Novas atualizações sobre o tema deverão ser acompanhadas ao longo do mês de setembro, considerando que a região é a principal responsável por abastecer o mercado internacional de trigo, podendo interferir na oferta global do cereal.
Com relação à demanda, o trigo do Mar Negro continua sendo o mais competitivo do mercado, o que explica a maior parte das vendas registradas recentemente na região. No entanto, preocupações com a qualidade do trigo de primavera podem afastar possíveis compradores.






