- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- França e Alemanha apresentam recuo de produção devido às adversidades climáticas.
Os preços futuros do trigo enfrentaram semana de baixa entre os dias 16 e 20 de setembro, interrompendo a sequência de três semanas consecutivas de ganhos. Os preços declinaram 4,41% no comparativo semanal, apresentando fechamento de 568,5 cents/bushel na última sexta-feira (dia 20). Fatores como o avanço da colheita do trigo de primavera nos Estados Unidos e os preços do trigo russo em patamar muito competitivo internacionalmente, limitaram os ganhos do cereal ao longo da semana. No que tange às exportações, os dados do país norte-americano indicaram uma desaceleração na última semana.
De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a colheita do trigo de primavera nos Estados Unidos havia sido 92% concluída até o dia 15 de setembro, um avanço de 7% em relação à semana anterior, e pouco a frente do registrado para o mesmo período do último ano. Diante desse cenário, há maior oferta do cereal no mercado interno, o que contribuiu para limitar os ganhos do trigo no mercado interno estadunidense.
Além disso, uma das principais hipóteses para a queda de 48%, em relação à semana anterior, nas exportações semanais de trigo estadunidense, são os preços do trigo russo muito competitivos para o momento atual, forçando níveis mais baixos também para as demais praças.
No entanto, apesar da queda observada nos preços futuros para o contrato de dezembro/24 na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês), as condições climáticas para importantes regiões produtoras têm gerado preocupações entre os traders que operam no mercado trigueiro. Em partes da Argentina, Austrália e Europa o clima seco tem causado quedas nas estimativas de safra. Para avaliar os impactos dessas circunstâncias sobre a produção mundial, a situação deve continuar sendo monitorada nas próximas semanas.


A dinâmica dos preços na União Europeia se assemelha à observada nos Estados Unidos, com os preços futuros do trigo registrando queda de 3,89% na Bolsa de Paris, com fechamento de 216,25 cents/bushel para o contrato de dezembro/24 na última sexta-feira (dia 20). Da mesma forma que observado nos EUA, o trigo do Mar Negro gerou uma pressão competitiva, que só não teve maiores efeitos devido às condições climáticas estarem afetando a oferta no mercado europeu.
Diante desse cenário, as exportações francesas foram impactadas negativamente. Nesse sentido, a agência do governo francês FranceAgriMer reduziu em mais de 6 toneladas as estimativas de exportações totais do país para o ciclo 2024/25, uma queda de 39,2% em relação à previsão inicial, evidenciando uma fraca demanda para o trigo francês.
Como mencionado anteriormente, as condições climáticas adversas atrapalharam o andamento da colheita em algumas regiões, como foi o caso da Alemanha. Algumas chuvas e tempestades podem ter gerado desafios para o progresso da colheita, mas os impactos sobre a safra ainda não foram mensurados.

O trigo negociado na região do Mar Negro foi responsável pela dinâmica dos preços internacionais observada ao longo da semana que se encerrou. Os países da região, especialmente a Rússia, estiveram ofertando seu trigo sob preços inferiores aos oferecidos em outras importantes praças, como na Europa. O momento reflete a pressão contínua que os grãos do Mar Negro exercem sobre os preços internacionais, com os exportadores da região buscando constantemente captar participação no mercado global, particularmente em destinos asiáticos e africanos.
A colheita do trigo na Rússia avança, com as atividades em 78% da área plantada já concluídas. O volume colhido tem sido visto com bons olhos, sugerindo que o montante exportado em setembro atinja patamares recordes. No entanto, em regiões como a Sibéria, o cenário não é visto com o mesmo otimismo, as chuvas intensas registradas devem prejudicar a qualidade e o volume colhido na região. A Rússia ajustou ligeiramente a taxa de exportação de trigo para o período de 25 de setembro a 1 de outubro. A adoção desta política de tarifas oferece um certo grau de flexibilidade aos exportadores russos, tornando-se mais um fator para que se mantenham competitivos no mercado internacional.
Com relação ao clima, a ausência de chuvas ao longo da semana favoreceu o avanço da colheita. Entretanto, os baixos níveis de umidade no solo devem representar um desafio para o plantio do trigo de inverno nas próximas semanas, podendo ser prejudicial à germinação do cereal. No que tange ao cenário geopolítico, a situação não apresentou grandes desdobramentos, embora alguns desafios logísticos permaneçam presentes.






