- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Rumores de queda nos preços de exportação russos.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Postura protecionista da Rússia sobre a comercialização de trigo do país.
O mercado do trigo demonstrou forças baixistas no acumulado da última semana. Entre os dias 18 e 25 de outubro os preços futuros do cereal recuaram 0,65% na bolsa de valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês), como demonstração da influência das condições climáticas nas Grandes Planícies dos Estados Unidos e no cinturão do trigo na Rússia sobre a dinâmica do mercado, bem como alguns rumores sobre a dificuldade de pagamento de algumas compras feitas pelo Egito no mercado russo.
O clima mais ameno tem impulsionado o progresso do plantio do trigo de inverno nos Estados Unidos. Na última semana, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, para a sigla em inglês) informou que 73% do plantio já estava concluído, um avanço de 9% em relação à semana anterior e acima da média dos últimos cinco anos, que é de 76%. Em geral, observa-se um adiantamento das atividades nos estados mais ao norte, enquanto nos estados do sul a conclusão do plantio deve ocorrer tardiamente, uma dinâmica típica para as atividades no país, com os dados atuais em linha com a média de anos anteriores. Para mais detalhes sobre o andamento e as condições das safras de trigo e outras commodities nos Estados Unidos, acesse o nosso relatório interativo de Acompanhamento de Safra – EUA.
A semana foi marcada por um novo período de valorização do Dollar Index, que mede o desempenho do dólar americano em relação a uma cesta de moedas fortes. Desde o início de outubro, o índice acumulou um avanço de 3,64%, alcançando 104,1 pontos ao final da última semana. O tema pode ser compreendido com maiores detalhes acessando a última edição do Panorama Semanal de Câmbio. No mercado de trigo, a valorização do dólar torna as exportações dos Estados Unidos mais caras e, portanto, menos competitivas no cenário internacional. Como resultado, os contratos futuros de trigo enfrentam pressões de queda, visando compensar parte das perdas na competitividade do cereal no mercado externo.


No mercado europeu de trigo, as pressões baixistas na última semana se intensificaram, levando os preços a uma queda de 4,52% em relação ao fechamento de 18 de outubro. Entre os principais fatores que influenciaram a dinâmica dos preços na Bolsa de Paris, no período entre os dias 21 e 25 de outubro, destacam-se a concorrência com o trigo disponível em outras importantes praças de negociação pelo mundo, bem como o desempenho das exportações europeias, que ficaram aquém das expectativas do mercado.
A comercialização do trigo europeu tem enfrentado desafios devido aos preços altamente competitivos oferecidos por países como Rússia, Ucrânia e Austrália. Além disso, a qualidade do cereal produzido na Europa foi prejudicada pelo excesso de chuvas durante fases críticas do desenvolvimento das lavouras. Como resultado, as exportações da União Europeia registraram uma queda de cerca de 31% na safra 2024/25 em relação ao ano anterior, até o momento, refletindo a demanda enfraquecida e contribuindo para o recuo nos preços futuros.

Na região do Mar Negro, especulações sobre uma possível redução nos preços de exportação do trigo russo movimentaram as demais praças de comercialização. Reconhecido por sua alta competitividade no cenário internacional, o trigo russo exerce influência significativa na dinâmica dos mercados globais de trigo, e os rumores sobre preços mais baixos geraram apreensão entre outros exportadores, que temem que essa queda nos preços futuros russos represente uma ameaça à competitividade de suas próprias exportações.
Nesse cenário, as exportações de trigo russo mantêm um ritmo acelerado, registrando um aumento de 3% em relação ao volume exportado na semana anterior. A forte demanda de países do Oriente Médio e norte da África, como Egito, Argélia e Iêmen, impulsionou as vendas nos últimos dias. No entanto, rumores de que o Egito estaria enfrentando dificuldades para pagar pelo trigo adquirido da Rússia em um leilão internacional pressionaram os contratos futuros de trigo, levando-os às mínimas de 30 dias no pregão da última sexta-feira, 25 de outubro.
Com relação às condições climáticas, o tempo predominantemente quente e seco nos cinturões de trigo na Rússia contribuíram para um avanço da colheita em áreas como o sul da Rússia. No entanto, a permanência destas condições por um tempo prolongado, semelhante ao padrão observado em 2020, pode comprometer o desenvolvimento do trigo vermelho de inverno, cuja semeadura deve se iniciar em breve no país.






