- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
O trigo encontrou uma semana agitada, após tantas tranquilas anteriormente. Os preços futuros do trigo, cotados na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês) apresentaram considerável valorização na última semana, com o fechamento da última sexta-feira, 22 de novembro, no patamar de US$5,44, colocando-se 1,44% acima do fechamento da sexta-feira anterior, 15 de novembro. Entre os principais motivos que levaram essa dinâmica mais turbulenta ao mercado do trigo, destacam-se os temores relacionados aos conflitos bélicos entre Rússia e Ucrânia, que serão mais bem explorados na sessão do Mar Negro, abaixo. Por outro lado, fundamentos climáticos e de demanda também tiveram influência sobre a trajetória preços futuros do trigo estadunidense, na última semana.
Na região Meio-Oeste dos Estados Unidos, as condições climáticas favoreceram o avanço da colheita de outros grãos, como a soja e o milho, no entanto, para o trigo, o clima seco e a ausência de chuvas podem prejudicar o desenvolvimento das plantas. Até o momento, não foram constatados prejuízos às lavouras, mas a situação deve permanecer sob o monitoramento dos agentes do mercado, para que seja possível avaliar os riscos à produção.
Do lado da demanda, os números mais recentes divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) demonstraram um aquecimento na procura de trigo estadunidense para compra. As vendas líquidas semanais de trigo dos EUA, referentes ao período de 7 a 14 de novembro de 2024, representaram um aumento de 45% em relação ao volume informado na semana anterior, o equivalente a 549.600 toneladas do cereal. Para ter acesso aos dados completos, acesse nosso relatório de Exportações Semanais de Grãos – EUA. A Associação de Farinha de Taiwan (FMA) se colocou em importante posição de aquisição do trigo americano, adquirindo 80.000 toneladas do cereal, que deve ser embarcado em breve.


Em movimento semelhante ao observado nos mercados estadunidenses, o trigo europeu também acumulou ganhos durante a semana. A Bolsa de Paris registrou valorização de 1,15% para o contrato futuro do trigo, com fechamento na casa dos US$ 2,19 na última sexta-feira, 22 de novembro. Pode-se dizer que o movimento altista se deve aos fatores internacionais do mercado, tendo em vista que as condições internas para as negociações do trigo não demonstram tendências de valorização.
Por mais uma semana consecutiva, as exportações de trigo da União Europeia encontram-se em baixa. Até o momento, o acumulado exportado no ano comercial de 2024/25 deve atingir 8,79 milhões de toneladas, representando uma queda de 31% em relação ao montante comercializado até o mesmo período do ano anterior. O recuo das exportações na França já ultrapassa os 50%, com a ausência da Argélia como um comprador chave sendo um dos principais fatores que têm influenciado para a queda, juntamente com uma perda na qualidade do trigo disponível para comercialização e os preços do trigo francês pouco competitivos.

A região do Mar Negro, como mencionado anteriormente, foi a grande responsável por retirar o mercado do trigo da monotonia que vinha se estendendo ao longo das últimas semanas.
No início da semana, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, permitiu o uso de mísseis estadunidenses de longo alcance pela Ucrânia, em seu conflito contra a Rússia, dando início a um novo capítulo para a guerra, que completou 1000 dias na terça-feira, 19 de novembro. Após a liberação, foram relatados alguns ataques ucranianos contra o território russo utilizando mísseis de longa distância fabricados pelos EUA e pelo Reino Unido. Em contrapartida, a Rússia utilizou o míssil Oreshnik, que, segundo afirmou Putin, possui “carga útil hipersônica não nuclear”, o que foi um marco pelo primeiro uso em combate de um míssil desse tipo.
A escalada nos conflitos aumentou as preocupações entre os agentes do mercado de trigo. Ao longo da semana, rumores de que as tensões crescentes poderiam impactar a logística e o escoamento das exportações dominaram as discussões nas principais praças de negociação do cereal. Em consequência disto, os mercados futuros devem acrescentar alguns prêmios de risco de guerra, enquanto isso, os mercados à vista não foram muito afetados.
No campo produtivo, imagina-se que os agricultores russos plantem menos trigo de primavera para o próximo ciclo. As medidas devem ser adotadas como um esforço dos produtores em adquirir maiores ganhos do que o trigo trouxe neste ciclo. Além disso, temores relacionados a possíveis perdas no trigo de inverno antes que ele atinja seu estágio de dormência podem limitar a continuidade do plantio.






