- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Elevada competitividade do trigo russo;
- Colheita ampla nos países exportadores do hemisfério sul, Argentina e Austrália;
- Estoques globais menos apertados, segundo USDA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Novos impostos sobre as exportações do trigo russo.
As cotações do trigo em Chicago oscilaram entre altas em baixas na semana anterior e terminaram o período com leves ganhos. O vencimento para março encerrou a sexta-feira (dia 17) em 538,75 cents por bushel, alta de 1,51% no período.
O mercado do cereal não registrou grandes novidades pelo lado dos fundamentos nesta última semana, mas destacam-se os dados mais aquecidos de vendas de exportação dos EUA. Na semana encerrada em 09/01, as negociações líquidas da safra 24/25 alcançaram 513,4 mil toneladas, volume acima do teto das estimativas, que iam de 150 a 400 mil toneladas. Destaca-se, ainda, que esse volume ficou bem acima do que vinha sendo reportado nas semanas anteriores, trazendo algum ânimo para o mercado.
Ademais, o clima nos EUA deve estar no radar, com o USDA tendo indicado um aumento de 280 mil hectares na área do cereal, o que significaria um aumento da produção de quase 1 milhão de toneladas, mas esse aumento dependerá também das condições climáticas. A produção dos EUA continua protegida por uma boa cobertura de neve na maior parte do leste do cinturão de milho e do sul das Planícies, mas a onda de frio enfrentada pelo país é acompanhada de perto.
Outro ponto a se destacar é que os fundos especulativos têm mantido suas posições liquidamente vendidas, considerando as três bolsas norte-americanas, e, apesar de alguns ajustes, está é uma sinalização de que não se esperam altas significativas das cotações.


No Brasil, a semana anterior foi de pouca movimentação, com a demanda, no geral, ainda fraca. Com isso os preços ficaram praticamente estáveis.
Por outro lado, a balança comercial deve ficar no radar, com dados de agências marítimas indicando que as exportações do cereal brasileiro podem superar 500 mil toneladas, considerando a programação de navios para as próximas semanas.
Destaca-se, também, que o câmbio tem ficado mais próximo de USD 6,00, sem novas altas significativas, situação que reduz o espaço para altas de preços no mercado interno, pois “prejudica” um pouco a competitividade, mesmo com a demanda externa se mantendo aquecida.
Na Argentina, a colheita do trigo está finalizada, mas destacam-se relatos de produtividade muito boas na província de Buenos Aires. Por enquanto, a estimativa da Bolsa de Buenos Aires está em 18,6 milhões de toneladas, com uma produtividade média de 3,04 toneladas por hectares, o que representa um aumento de respectivamente 7% e 6%, em comparação à média de 5 anos.
Preço Cepea - contínuo (R$/tonelada)

Fonte: Cepea. Elaboração: StoneX
O trigo Matif foi pressionado pelo fortalecimento do euro, que em algumas sessões pesou sobre os preços do cereal europeu.
Destaca-se que as estimativas de exportação de trigo soft da França para fora da União Europeia estão em 3,5 milhões de toneladas, menor nível das últimas décadas. Os embarques totais de trigo soft francês estão estimados em 9,74 milhões de toneladas, 42% menos que na safra anterior. Além das perdas de safra durante o ciclo 24/25, o trigo Europeu continua concorrendo com o cereal de origem no Mar Negro.

Na região do Mar Negro, o mercado ainda apresentou uma baixa movimentação, após o período de feriados, com os preços do trigo russo FOB ficando ao redor de US$ 203/240 por tonelada nas últimas semanas.
Além de a Rússia ter reduzido sua cota de exportação de trigo para a segunda metade da safra 24/25, sazonalmente são as exportações com origem na Argentina que devem ganhar mais espaço nesse período do ano.
De qualquer forma, o andamento da safra da região também está no radar, com um clima, no geral, mais quente que o normal no momento. Essa característica leva o mercado a especular sobre a possibilidade de ocorrência de ondas de frio e se o cereal estaria bem-preparado para resistir, considerando uma cobertura de neve mais fina. Nesse período, costuma haver um prêmio de risco até meados de fevereiro, quando os riscos de danos pelo frio extremo diminuem. De qualquer forma, tudo indica que a maior parte da região do Mar Negro continua com condições boas de safra, o que, não havendo nenhuma ocorrência de frio extremo nas próximas semanas, poderia levar a resultados na média ou mesmo acima da média para a produção.
Em relação à guerra, há grande expectativa sobre como o novo mandato de Donald Trump, empossado nesta segunda-feira, 20 de janeiro, reagirá à situação.






