FranceAgriMer reduz em 660 mil toneladas a estimativa para produção francesa de trigo
fatores baixistas
- Interrupção dos embarques pela região sul dos Estados Unidos, após passagem do furacão Ida;
- Valorização do dólar estadunidense em meios às incertezas econômicas na China.
fatores altistas
- Cortes nas estimativas de produção da França e do Canadá;
- Baixa qualidade da safra francesa;
- Perspectiva de queda da área plantada para a safra de inverno de trigo na Rússia;
- Aumento da taxa de exportação russa sobre o trigo provoca diminuição da oferta global.
ESTADOS uNIDOS
Na segunda-feira (13), os mercados futuros de trigo iniciaram a semana operando em sentidos opostos. Em Chicago, os contratos de dezembro/21 fecharam em queda ao final da sessão principal, sendo cotados a 687,00 USD cents/bushel. De forma geral, os mercados ainda avaliavam os dados de Balanço de Oferta e Demanda (WASDE, na sigla em inglês), publicados na sexta-feira (10) anterior, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). Ademais, os dados de inspeção das exportações dos Estados Unidos (EUA), referentes a semana encerrada no dia 09 de setembro, o USDA registrou o embarque físico de 547,94 mil toneladas de trigo. Apesar de o valor registrado ter ficado acima da semana anterior, apresentando um acréscimo de cerca de 38,8%; no comparativo anual, o valor ainda está abaixo (-21,1%). O acumulado do ano corrente é de 7.066.057 toneladas de trigo.
Intraday | Cotação do contrato em Chicago – dezembro/21 (USD cents/bushel)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Na terça-feira (14), os futuros do trigo operaram em forte alta, com uma valorização de US¢ 13,60/bu sobre os contratos de dezembro/21, na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês) – no fechamento da sessão principal, a cotação foi de US¢ 700,60/bu. Os fatores principais que forneceram sustentação para os preços futuros foram os cortes sobre as estimativas oficiais de produção dos governos do Canadá e da França, que reduziram suas estimativas em 200 e 600 mil toneladas, respectivamente. Nos EUA, o plantio da safra de inverno segue avançando em linha com média dos últimos cinco anos. De acordo com os dados do USDA, até o dia 12 de setembro, a taxa de plantio chegou a 9%, sendo os estados mais avançados: Washington (42%), Colorado (28%) e Dakota do Sul (18%).
Na quarta-feira (15), os futuros seguiram em tendência de alta. Na CBOT, os contratos de dezembro/21 fecharam a US¢ 712,20/bu, uma variação diária de +11,40 USD cents/bushel. As notícias de uma menor safra francesa seguiram no radar dos agentes, com reflexos também sobre as exportações do principal país produtor da União Europeia. O FranceAgriMer reduziu em 900 mil toneladas a estimativa de exportações da França, tendo em vista a baixa qualidade da safra que coloca grande parte da produção fora dos padrões para moagem. Além disso, a SovEcon reduziu sua estimativa para a área plantada da safra de inverno na Rússia.
Após duas sessões consecutivas com ganhos acima de US¢ 10,00/bu, na quinta-feira (16), os futuros do trigo fecharam em campo positivo, porém com ganho mais modestos. Em Chicago, os contratos de dezembro/21 fecharam a US¢ 713,00/bu. De acordo com os dados de vendas de exportação do USDA, na semana encerrada no dia 9 de setembro, foram registradas 617,12 mil toneladas de trigo. Na maior alta do ano comercial corrente, o volume registrado apresentou um crescimento de 59% em relação à semana anterior.
Exportações semanais de trigo - EUA
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Na sexta-feira (17), os mercados futuros de trigo voltaram a fechar em queda, acompanhando os movimentos registrados nos futuros de outros grãos. Na CBOT, os contratos de dezembro/21 fecharam a US¢ 708,60/bu (variação: -4,20 USD cents/bushel). Nos EUA, os terminais portuários seguem avaliando as condições para normalização de suas operações, com o porto de Nova Orleans ainda fechado. Em relação ao clima, os modelos meteorológicos apontavam chuvas benéficas para a safra de inverno nos EUA ao longo dos então próximos 15 dias.
Na Europa, o grande destaque da última semana no mercado de trigo foram as revisões das estimativas de produção. Já na segunda-feira (13), o Ministério da Agricultura da França (FranceAgriMer) anunciou que as fortes chuvas e as baixas temperaturas registradas em junho e julho trouxeram para a colheita do país consequências antes ignoradas. Assim, de 36,7 milhões de toneladas, a nova estimativa passou a ser de 36,1 milhões. Apesar da queda ser sutil, ela anuncia mudanças nas estimativas para a União Europeia (UE) como um todo, já que a França é o maior produtor de trigo do bloco.
No dia seguinte, a COCEREAL, associação europeia que representa os interesses de comerciantes ligados a uma série de atividades, anunciou uma queda na sua expectativa de produção para a UE: de 131,0 milhões de toneladas para 128,6 milhões. Seguiu-se a isso a divulgação da consultora Strategie Grains, que cortou sua previsão de 131,5 milhões para 129,1 milhões. Esses prenúncios de menor oferta de trigo impulsionou os valores da commodity no mercado futuro. No Marché à Terme International de France (MATIF), o contrato para dezembro/21 foi alavancado de 237,75 EUR/tonelada na sexta-feira (10), para 247,75 EUR/t na sexta-feira (17) seguinte, um ganho de 4,2%.
Além das revisões na produção, também vale a pena mencionar que o FranceAgriMer cortou suas estimativas para as exportações da França para fora da União Europeia: de 10,5 para 9,6 milhões de toneladas. Caso isso realmente ocorra, irá afetar as vendas externas do bloco econômico europeu. Desde o dia 1º de julho, 5,79 milhões de toneladas de trigo deixaram a UE.
Intraday | Cotação do contrato em Paris – setembro/21 (EUR/tonelada)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
No mercado de trigo do Mar Negro, segue sendo reportado que os altos preços FOB da região estão desincentivando importadores, o que resulta em baixa demanda nos portos. Isso é especialmente verdadeiro para o trigo russo, com os contratos acertados para outubro sendo negociados por aproximadamente US$ 310,00/tonelada, valor similar ao do trigo alemão, mas relativamente maior que o da França e da Ucrânia. Essa situação apenas agrava um cenário que já é considerado ruim para os exportadores russos, pois, entre o início do ano safra 2021/22 e o dia 9 de setembro, 8,9 milhões de toneladas deixaram a Rússia, volume 9% menor do que o registrado na safra anterior.
Um dos grandes culpados pela forte alta do trigo russo é a tarifa sobre as exportações. Na semana passada, ela passou de US$ 46,50/t para US$ 52,50/t. Além do acréscimo direto sobre o valor final, a tarifa também impulsiona os preços externos por inibir os negócios entre produtores e exportadores. Isso porque a diminuição das margens de lucro com as vendas para fora do país incentiva os fazendeiros a negociar com as empresas que distribuem o trigo internamente, resultando em escassez de trigo para as exportadoras.
Em relação à colheita, o Ministério da Agricultura russo anunciou que até o dia 15 de setembro haviam sido colhidas 70,8 milhões de toneladas de trigo. No mesmo período do ano passado, já tinham sido colhidas 82,0 milhões. Mais que indicar um atraso, esse dado mostra que a safra atual será significativamente menor que a anterior. Com isso, a consultora IKAR mais uma vez cortou sua estimativa para a produção russa em 2021/22: de 77 milhões para cerca de 74-75 milhões. Em relação a qualidade, para o trigo russo é bastante positiva, mesmo com a baixa produtividade.
Por fim, falando sobre a Ucrânia, o Ministério da Agricultura do país anunciou que a colheita está completa, tendo sido retiradas do solo 33,0 milhões de toneladas. Esse volume ficou em linha àquele estimado pelo USDA em seu último relatório WASDE e bastante superior ao do ano passado, de 24,9 milhões de toneladas.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
Na Argentina, com os volumes de chuva registrados na primeira quinzena do mês de setembro/21, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA) estima que 67% da área apresente condição hídrica adequada/ótima. Em relação a condição de cultivo, observou-se um aumento do percentual bom/excelente nas áreas agrícolas central e ao sul – acréscimos de 5 e 12 pontos, respectivamente. Por outro lado, os produtores acompanham a evolução das previsões climáticas, sobretudo para as áreas no extremo norte do país, onde safra avança sobre a etapa de enchimento de grãos e a falta de chuva deve comprometer a produtividade. Nas regiões Nordeste e Noroeste, estima-se que 98% da área apresenta condição hídrica regular/seca. Em relação aos dados de evolução de safra, clientes StoneX encontram atualizações semanais em nosso relatório
Acompanhamento de Safra de Trigo - Argentina.
No Brasil, no estado de Rio Grande do Sul, a Emater/RS destaca os novos volumes de chuva, que em geral contribuíram com o desenvolvimento da safra. Contudo, em algumas regiões onde foram registradas chuvas mais fortes e granizo, os produtores rurais avaliam danos às lavouras. Em relação aos dados de evolução da safra, na semana encerrada no dia 16 de setembro, estima-se que a taxa de germinação/desenvolvimento vegetativo era de 32% da safra, enquanto as de floração e enchimento dos grãos computavam 39% e 29%, respectivamente.
Por fim, no estado brasileiro de Paraná, a colheita do trigo ainda está muito no começo, com apenas 2% da safra, ou 22.736 hectares. O percentual da área considerada boa é de 56%, enquanto média e ruim é de 32% e 12%, respectivamente. Em relação aos dados de evolução da safra, estima-se que 40% tenham atingido a fase de maturação. Apenas 7% ainda se encontra em fase de desenvolvimento vegetativo; 15%, floração; e 38%, frutificação.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.