FranceAgriMer reporta início do plantio da safra de trigo de inverno no principal país produtor do bloco europeu
fatores baixistas
- Interrupção dos embarques pela região sul dos Estados Unidos, após passagem do furacão Ida;
- Embarques físicos e vendas de exportação estadunidenses abaixo do ano passado;
- Avanço do plantio da safra de inverno e previsão de condições climáticas benéficas nos EUA;
- Perspectiva de novas restrições sobre a exportação russa de trigo.
fatores altistas
- Redução da estimativa de exportação de grãos da Rússia;
- Acelerado ritmo das exportações de trigo da União Europeia;
- Crescimento anual das exportações ucranianas.
ESTADOS uNIDOS
Sem grandes notícias, na segunda-feira (4), os mercados futuros iniciaram a semana registrando leve alta – na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), o contrato de dezembro/21 foi cotado a 756,40 USD/bushel no fechamento da sessão principal. Os dados semanais de inspeção das exportações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) indicaram um volume de 611,6 mil toneladas de trigo embarcadas, na semana encerrada no dia 30 de setembro. Apesar de o volume registrado estar 10% abaixo daquele registrado no mesmo período do ano passado, no comparativo semanal foi registrado um avanço de 59,4%. O acumulado do ano comercial corrente é de 8.710.303 toneladas de trigo – cerca de 1,22 milhão de toneladas abaixo do mesmo período no ciclo passado.
Em relação aos dados de acompanhamento de safra, ainda na segunda-feira (4), o USDA apontou a taxa de plantio do trigo de inverno a 47%, ou 3 pontos percentuais abaixo do ano passado. Contudo, vale destacar que o ritmo de plantio segue em linha com a média dos últimos cinco anos (46%). No mais, o USDA estima que 19% da safra está em fase de germinação.
Intraday | Preço contínuo – Chicago (USD/bushel)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Na terça-feira (5), os futuros do trigo na CBOT recuaram frente aos rumores de novas restrições sobre a exportação de trigo russa, o que poderia resultar em um aumento das mesmas antes da entrada em vigor de tais mecanismos. Ao final da sessão principal, o contrato de dezembro/21 foi cotado a US¢ 744,60/bu, ou uma variação diária negativa de US¢ 11,60/bu. Na sessão de quarta-feira (6), os futuros do trigo em Chicago recuperaram parcialmente as perdas da véspera, com o contrato de dezembro/21 fechando a US¢ 746,00/bu. Apesar do movimento de queda registrado nos mercados futuros de milho, o resultado do trigo em campo positivo foi possível pela redução da estimativa russa para as exportações de grãos do país, agora podendo ficar entre 45-48 milhões de toneladas.
Quinta-feira (7), os futuros do trigo voltaram a fechar a sessão principal em campo negativo – na CBOT, o contrato de dezembro/21 foi cotado a US¢ 741,20/bushel no fechamento. Além de um relatório fraco de vendas de exportação dos EUA, os preços futuros também foram pressionados pela perspectiva de volumes benéficos de chuva nas regiões sul e norte das Grandes Planícies e nas regiões oeste e noroeste do Pacífico ao longo dos então próximos 15 dias. De acordo com os dados de vendas de exportação do USDA, as vendas de trigo totalizaram 333,2 mil toneladas – apesar de isso representar um avanço semanal de 15%, no comparativo anual, o volume registrado ficou 19% abaixo.
Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
A sexta-feira (8) marcou o fechamento da semana em queda para os mercados futuros de trigo. Em Chicago, o contrato de dezembro/21 registrou uma desvalorização de US¢ 7,20/bu, fechando a US¢ 734,00/bu.
Na União Europeia, o destaque no mercado de trigo foi o forte ritmo das exportações neste início de ano safra, impulsionadas pelo grande volume de produção do bloco econômico e pelos altos preços praticados pela Rússia. Segundo dados da Comissão Europeia, entre os dias 1 de julho e 3 de outubro as exportações foram de 8,07 milhões de toneladas de trigo
soft, enquanto para o mesmo período do ano passado as vendas foram de apenas 5,56 milhões - clientes StoneX encontram essas e outras informações sobre as exportações europeias na
matéria especial de trigo dessa semana.
Em relação aos preços praticados no Marché à Terme International de France (MATIF), principal bolsa de derivativos da Europa, a semana foi marcada por baixa volatilidade, com os contratos apresentando sensíveis valorizações. O de dezembro/21 fechou a semana com ganhos de 1,80% que impulsionaram sua cotação de 264,25 EUR/t para 269,00 EUR/t. A valorização foi impulsionada pela forte demanda mundial por trigo, mas contida pelo aumento da oferta spot com a finalização da colheita nos principais países produtores.
Outro destaque no noticiário de trigo da União Europeia foi o início da plantação de inverno. Segundo dados da FranceAgriMer, até o dia 4 de julho os agricultores do país tinham plantado em 4% da área esperada. Para os próximos dias, as previsões de tempo ensolarado trazem o prognóstico de rápido avanço.
Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
Na semana passada no mercado de trigo do Mar Negro, os destaques seguiram sendo o avanço da colheita e a qualidade da safra 2021/22, os números de exportação e o desenvolvimento do plantio do trigo de inverno para o ano safra 2022/23.
Começando pela colheita, o Ministério da Agricultura da Rússia anunciou que, até o dia 7 de outubro, a safra já havia rendido 75,6 milhões de toneladas de trigo, provenientes de 93,6% da área plantada. Apesar de realmente ser uma produção menor do que a do ano passado, esses números indicam que as estimativas do início da colheita foram demasiadamente negativas. A maioria das consultoras esperava cerca de 75 milhões de toneladas, enquanto em sua última divulgação o USDA estimou a safra russa em apenas 72,5 milhões. Com mais de 6% dos hectares de trigo ainda por colher, com certeza a produção da Rússia será maior do que a antecipada. Na Ucrânia, o Ministério da Agricultura do país corrigiu na última quarta-feira (6) sua estimativa de produção de trigo, agora estipulada em 31,55 milhões de toneladas (ajuste de 0,45 milhão de toneladas). No ano safra anterior, a produção foi de apenas 25,42 milhões.
Outra novidade foi a qualidade do trigo da Rússia, que está em patamares históricos. Segundo dados preliminares do Centro de Controle de Qualidade de Grãos, 87,5% da safra pode ser usada para farinha. Nos últimos cinco anos, a média foi de 73,5%.
Em relação as exportações russas, dados da Rusagrotrans apontam cerca de 4,2 milhões de toneladas de trigo para setembro/21, volume 16% menor do que o registrado em setembro de 2020. Do início do ano agrícola (1º de julho) até o final de setembro, as exportações totalizaram 11,4 milhões de toneladas, 11% menos que no ano passado. Na Ucrânia, por outro lado, as exportações cresceram na comparação com o ano passado, com os embarques entre o dia 1 de julho e 7 de outubro somando 10,05 milhões de toneladas em 2021 e apenas 9,32 milhões em 2020.
O principal motivo para o recuo de um país e o avanço do outro é a tarifa sobre as exportações implementada na Rússia, que reduz a competitividade do produto russo frente ao ucraniano. Nessa última semana, o imposto foi de US$ 53,50/t na segunda (4) e na terça-feira (5), subindo para US$ 57,80/t a partir de quarta-feira (6). Com isso, na última sexta-feira (8), o preço FOB do trigo nos portos da Rússia com embarque de curto prazo foi de cerca de US$ 315,00/t, enquanto na Ucrânia o valor foi de US$ 305,00/t.
Por fim, o avanço do plantio de inverno para 2022/23. Segundo dados do Ministério da Agricultura russo, até o dia 5 de outubro, o país plantou 11,95 milhões de hectares. A expectativa é que a área total seja de cerca e 17 milhões de hectares. Na Ucrânia, já foram plantados 3,0 milhões de hectares, de um total estimado de 6,5 milhões.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
Ao longo da última semana, a Argentina apresentou condições climáticas variadas sobre as diversas regiões produtoras de trigo. Enquanto no norte da área agrícola o aumento das temperaturas e falta de chuvas continuam acelerando o desenvolvimento da safra, que avança para as últimas etapas; na região central e sul, foram registradas geadas de intensidades variadas (entre leve e moderada) que podem vir a impactar negativamente a produção localizadas em lavouras consideradas mais avançadas. Ademais, houve também o registro de aumento da aplicação de fungicidas após alertas de novos focos de doenças, o que também pode levar a queda da produtividade da safra nessas regiões. Em relação aos dados de acompanhamento da evolução da safra, estima-se: desenvolvimento vegetativo, 76,6%; espigamento, 37,2%; enchimento de grãos, 7,8%; e maturação, 4,0%.
No Brasil, a Emater/RS também destacou a instabilidade climática sobre o estado do Rio Grande do Sul, onde foram registradas chuvas em grande parte das regiões do estado, que impediram avanço mais significativo da colheita. Em localidades específicas, foram registrados ventos fortes e granizo, causando danos em algumas lavouras. De acordo com os dados de evolução de safra, estima-se que 2% da safra ainda se encontrem em etapa de germinação/desenvolvimento vegetativo; 27%, floração; 45%, enchimento de grãos; 23%, maturação; e, por fim, 3%, colheita.
Em relação ao estado do Paraná, o Deral/PR estima uma safra mais avançada que a do estado de RS, com 58% da área colhida. Na área ainda por colher, o órgão estadual estima que 77% estejam em boa condição; 20%, condição média; e 3%, seja considerada ruim. O restante da safra que ainda se encontra em fase de desenvolvimento, apenas 5% estão em etapa de floração; 35%, frutificação; e 60%, maturação.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.