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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Mercado de trigo segue em patamar alto de preços, mas com menor amplitude de movimentos
 
Nuria Brito
nuria.brito@stonex.com
Felipe Sawaia
fatores baixistas
  • Boas condições das lavouras europeias;
  • Ritmo lento de exportações;
  • Negociações de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia.
 
fatores altistas
  • Conflito entre Rússia e Ucrânia;
  • Fechamento de portos na Ucrânia;
  • Sanções ao comércio internacional da Rússia;
  • Condições de safra nos Estados Unidos;
  • Nível do excedente exportável global.
 
ESTADOS uNIDOS

Os mercados futuros de trigo iniciaram a semana em forte tendência de alta, com os preços sendo puxados pela continuidade do conflito no Mar Negro. Na segunda-feira (21), o contrato de maio/22 fechou a US¢ 1.116,75/bu, na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), um aumento de 5% em relação a sessão principal anterior.

Além disso, as inspeções de exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), encerradas no dia 17 de março, reportaram um pequeno aumento semanal de 18,2 % de embarques físicos de trigo – o Departamento reportou a saída de 333,970 mil toneladas.

Intraday | Preço Maio/22 – Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Na terça-feira (22), a situação entre Rússia e Ucrânia seguiu no centro das atenções do mercado, levando o contrato de maio/22 a US¢ 1.120/bu de fechamento da sessão principal na CBOT. Nas demais bolsas estadunidenses, a KCBT fechou a US¢ 1.116,4/bu, enquanto a MGEX a US¢ 1.095/bu.

Os preços FOB russos registraram mais alguns dólares de queda neste dia, após a redução de USD 10/ton na segunda-feira. Os valores do trigo HRW FOB dos EUA estavam USD 50/ton acima do russo. Assim, o trigo russo pode chegar ao Ocidente mais barato que o trigo americano, caso os países dispensem as incertezas impostas a partir das sanções que afetam o comércio da Rússia.

Na quarta-feira (23), o mercado segue reagindo a continuidade do conflito no Mar Negro. Os futuros do trigo negociados em Chicago encerraram a sessão principal em queda. No fim do período, o contrato para maio/22 era negociado a US¢ 1.104,75/bu, cotação 1,36% abaixo em relação a sessão anterior.

Segundo o ex-ministro da Agricultura da Ucrânia, que renunciou ao cargo na semana passada, o plantio de grãos de primavera deverá sofrer uma redução de mais de 50% este ano. Pelo lado da Rússia, o maior país exportador de trigo, as exportações tendem a sofrer queda, dado que poucos países estão concretizando negócios em decorrência de sanções e incertezas de seu mercado. Os EUA e seus aliados avaliam a permanência da Rússia no G20 e as Nações Unidas pretendem criar uma moção contra a atual crise humanitária.

Na quinta-feira (24), as vendas semanais dos EUA sofreram um pequeno aumento, sendo capaz de influenciar uma amplitude menor na queda dos preços, em que o fechamento registrado foi: CBOT, US¢ 1.085,75/bu; KCBT, US¢ 1.095/bu; e MGEX, US¢ 1.082/bu. De acordo com o USDA, na semana encerrada nesta mesma quinta (24), as vendas de exportação para 2021/22 chegaram a 341,191 mil toneladas de trigo, enquanto no mesmo período no ano anterior foram registrados 301,167 mil.

Do ponto de vista da demanda, o maior comprador de trigo global, o Egito, está em negociações com Argentina, Índia e EUA, o que pode ser um avanço para posicionar de forma positiva os exportadores dos EUA, principalmente. Vale lembrar que no ano passado, 80% das importações de trigo do Egito eram de origem da Ucrânia e Rússia.

Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
 
A semana se encerra, na sexta-feira (25), com movimentos mais contidos, com uma pequena variação positiva de 0,55% na Bolsa de Chicago para o contrato de maio/22. Os preços FOB do trigo HRW dos EUA permanecem em torno de USD 50/ton acima das ofertas russas, que por sua vez, segue embarcando trigo. Os investidores aguardam o cenário de Plantações Prospectivas que será divulgado pelo USDA na próxima semana. 
União europeia

A última semana foi mais uma de ganhos para os futuros do trigo negociados na bolsa de Paris. Ocorreram perdas na quinta-feira (24), mas a valorização dos outros dias mais do que compensou esse movimento. Assim, o contrato para maio/22 encerrou o período cotado a EUR 381,25/t, um ganho de EUR 19,50/t. Como vem sendo recorrente, esse movimento foi impulsionado pela guerra na Ucrânia e a perspectiva de forte diminuição na oferta internacional de trigo decorrente disso. 
Além das questões de preço, essa última semana foi importante para o mercado europeu de trigo, pois nela ocorreu a divulgação do boletim MARS, relatório mensal da Comissão Europeia em que são analisadas as condições da safra no continente. Ele reforçou a análise de que o inverno foi ameno e que isso permitiu o bom desenvolvimento do grão em quase todas as regiões. Portanto, o trigo europeu entra na primavera em boas condições.

Entretanto, alertas foram feitos para os agricultores de algumas regiões. Em especial, foi destacado que a falta de chuvas está sendo um fator no sudoeste e no centro-leste do bloco, regiões que comportam países de baixa produção de trigo, como Espanha, Itália, Eslovênia e Croácia, mas também dois países importantíssimos, França e Romênia. Por enquanto, a seca pouco impactou o rendimento da safra, que ainda está em seus estágios iniciais de desenvolvimento. Porém, caso não volte a chover no curto prazo, as lavouras devem começar a sofrer.

Uma outra atualização importantíssima trazida pelo relatório foi a primeira estimativa de produtividade da safra de inverno da União Europeia. Os formuladores do relatório fizeram questão de destacar que os dados foram em grande parte baseados em tendências históricas, já que os grãos ainda estão em estágios muito preliminares de maturação. Mesmo assim, existiam grandes expectativas quanto à divulgação. Segundo a Comissão, o trigo soft terá uma produtividade de 6,02 toneladas por hectare (t/ha), valor menor que as 6,04 t/ha registradas em 2020/21, mas ainda sim bastante superior à média dos últimos cinco anos de 5,84 t/ha.

Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
RÚSSIA E UCRânia
As exportações de trigo de origem russa e ucraniana seguem praticamente estagnadas. Na Ucrânia, a maioria das cidades portuárias estão sob ataque, com algumas inclusive tendo sido conquistadas pelos russos. Kherson é o principal exemplo. E na Rússia, o embargo econômico do bloco ocidental inibe compradores. Ademais, com a desinformação e a confusão que se tornou preponderante desde o início da guerra, poucas notícias concretas decorrem do mercado da região.

Uma das poucas novidades foi trazida pelo boletim MARS. Apesar de ser um relatório da Comissão Europeia, ele traz também estimativas para as condições da lavoura russa e ucraniana. Para a primeira, foi indicado que o trigo está em boas condições, tendo se beneficiado de chuvas acima do normal ao longo do mês de março. Para a segunda, também foi indicado bom desenvolvimento. Entretanto, foi feito o adendo de que a manutenção da qualidade dos campos depende da adição de fertilizantes e da prevenção de doenças, condições que podem não ser atendidas dada a invasão russa.

Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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5 de agosto – Os mercados de ações dos EUA estão em chamas nesta semana, com tanto o Dow Jones quanto o S&P 500 estabelecendo novas máximas históricas ontem, com os futuros indicando novos ganhos novamente hoje; o mercado permanece otimista quanto a um acordo com o Irã, apesar de nenhuma evidência disso até o momento. O petróleo bruto trabalha em uma máxima e uma mínima mais baixas hoje, mas permanece ligeiramente no lado alto na sessão, enquanto o dólar recua de volta em direção à mínima de quase dois meses de segunda-feira. O título de dez anos está estável a mais baixo nesta manhã (embora solidamente mais baixo até agora neste mês), em 4,605%, enquanto o índice VIX continua a se recuperar no meio da semana, com uma leitura de quase 17 pontos nesta manhã.

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4 de agosto – O índice de referência Dow Jones Industrial Average disparou no fechamento de ontem para terminar quase 700 pontos mais alto, em um fechamento recorde de 53.178 pontos – superando facilmente o topo anterior de quase um mês atrás. O S&P 500 está à beira de seu próprio recorde também, enquanto o índice NASDAQ está aquém das máximas de junho, mas trabalhando em uma forte alta de três sessões. Todos os três apontam para aberturas positivas hoje. A Palantir (uma empresa de software dos EUA) reportou lucros melhores do que o esperado ontem à tarde, após o fechamento, impulsionando o setor de tecnologia, embora uma série de outras empresas também tenha reportado lucros fortes. O título de dez anos continua recuando da máxima de sexta-feira, agora em 4,67%, com o dólar no lado alto do patamar de paridade, enquanto o índice VIX, agora abaixo de 16, mostra volatilidade reduzida.

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