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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Semana é marcada por queda de preços e expectativa positiva das Intenções de Plantio dos EUA
 
Nuria Brito
nuria.brito@stonex.com
Felipe Sawaia
fatores baixistas
  • Boas condições das lavouras europeias;
  • Ritmo lento de exportações;
  • Negociações de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia;
 
fatores altistas
  • Conflito entre Rússia e Ucrânia;
  • Fechamento de portos na Ucrânia;
  • Sanções ao comércio internacional da Rússia;
  • Nível do excedente exportável global.
 
 
ESTADOS uNIDOS

O mercado futuro de trigo na Bolsa de Chicago teve uma semana inteira abaixo do nível de fechamento da sexta anterior (25). Na segunda-feira (28), os futuros do trigo abriram a semana em uma queda abrupta, com variação negativa de 4,7%, alcançando a marca de US¢ 1.050,25/bu para o contrato de maio/22 na sessão principal. Ademais, também nos EUA, as Bolsas de Kansas City (KCBT) e Minneapolis (MGEX) registraram no contrato de maio/22 variação negativa no comparativo de sexta contra sexta, com a KCBT fechando a US¢ 1.103,00/bu (-8,8%) e a MGEX a US¢ 1.065,25/bu (-3,5%) na sessão principal.

Além disso, na semana encerrada no dia 24 de março, as inspeções de exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) registraram um total de US¢ 343,087 mil toneladas embarcadas de trigo e, pelo lado do acumulado, segue em déficit no comparativo anual, com uma diferença de 3,5 milhões de toneladas embarcadas (-17%).

Intraday | Preço Maio/22 – Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Na terça-feira (29), os futuros do trigo abriram em alta, mas despencaram ao longo do dia, encerrando 3,6% mais baixo que na sessão anterior da CBOT no contrato de maio/22, a US¢ 1.012,50/bu. Em partes este cenário reflete a condição de safras dos EUA divulgados com melhorias na região sul das Grandes Planícies, com Texas em alta de 1 ponto, Kansas em alta de 7 pontos e Colorado em queda de 8 pontos. As chances de chuva no curto prazo parecem favoráveis, mas o padrão de La Niña permanecem especialmente para as principais regiões produtoras.

Na quarta-feira (30), os mercados futuros de trigo em Chicago operaram com um pequeno suspiro, sendo o único dia com variação positiva de 1,75%. Como já era esperado, o mercado global busca se reconfigurar em novas rotas de fluxos comerciais de trigo. O Egito, maior importador deste grão, se aproxima cada vez mais de relações comerciais com a Índia, segundo maior produtor de trigo mundial e alternativa para problemas comerciais no Mar Negro.

Vale destacar a possibilidade da Rússia em exigir pagamento pelas importações de trigo e milho em rublo. Entretanto, frente à recusa do G7 de aceitar essa exigência para o mercado de gás natural, é muito provável que, caso implementada no mercado de commodities agrícolas, ela seja rejeitada, mesmo sendo um fator que limitaria ainda mais a oferta mundial de grãos, podendo gerar novos avanços nos preços. Os preços FOB para o trigo russo seguem USD 50/ton abaixo do HRW dos EUA, assim pressionando a decisão de importadores.

Na sessão seguinte, de quinta-feira (31), predomina o movimento de queda de preços, despencando mais 2,15%. O USDA divulgou as Intenções de Plantio para os EUA e o trigo tem perspectivas de aumento de 1% na área total do cereal frente a 2020/21, estimada em cerca de 19,2 milhões de hectares – se comparada aos dados da safra anterior. Se concretizada, será a quinta menor área plantada desde 1919, quando se iniciou o histórico de dados. Além disso, os estoques de trigo no início do mês passado chegaram a 30 milhões de toneadas, uma queda de 22% em relação ao ano anterior.

O destaque vai para uma maior área plantada de trigo de inverno, que, se confirmada, deve crescer até 2% em relação a um ano antes, com 14 milhões de hectares. Entretanto, a expectativa para o trigo de primavera para 2022 sofreu uma queda de 2% em relação a 2021, sendo estimado em 4,5 milhões de hectares. Por fim, para o trigo durum, se espera uma área plantada de 800 mil hectares, um aumento de 17% em relação ao ano anterior.

Outro fator que contribuiu para a tendência de queda foi o resultado mais uma vez abaixo das expectativas para a vendas semanais de trigo dos EUA (ano comercial atual, 2021/22). De acordo com o USDA, cerca de 95 mil toneladas foram vendidas, na semana encerrada no dia 24 de março, contra uma média dos últimos três anos de 342,58 mil toneladas no mesmo período. 

Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
 
Por fim, na sexta-feira (1), os preços fecham a semana no menor valor registrado neste final do mes, sendo cotado a US¢ 984,4/bu na CBOT, enquanto o mercado considera as negociações de paz entre Ucrânia e Rússia como um fator em progresso.
União europeia

Na semana passada, os futuros do trigo negociados na bolsa de Paris variaram em conjunto com Chicago. Então, na segunda (28) e na terça-feira (29) os contratos foram pressionados pelo avanço nas negociações entre Rússia e Ucrânia; recuaram na quarta (30) devido ao ceticismo dos líderes ocidentais quanto às promessas russas de arrefecimento dos bombardeios; e ficaram instáveis na quinta (31) e na sexta-feira (1) depois que o relatório de perspectivas de plantio nos Estados Unidos trouxe dados pouco esclarecedores. No agregado do período, pesaram as perdas do início da semana. Assim, o contrato com vencimento no mês de maio ficou cotado a EUR 366,00/t, uma desvalorização de EUR 15,25/t. Para os próximos dias, os investidores devem seguir atentos às atualizações da guerra, observando se as tratativas entre russos e ucranianos realmente levam a conversas de paz.

Além da questão dos preços, algumas atualizações importantes foram divulgadas nos últimos sete dias. No que diz respeito às condições da safra, o boletim MARS divulgado no dia 21 de março havia indicado que a safra europeia estava em boas condições. Entretanto, ele também tinha feito o alerta de que algumas regiões importantes, em especial, França e Romênia, estavam sofrendo com secas que, caso prolongadas, poderiam causar perdas de qualidade. Na última sexta-feira (1), a divulgação das condições de safra pelo ministério da agricultura da França indicou que 92% das lavouras de trigo do país estão em boas ou ótimas condições, mesma porcentagem da semana anterior. Portanto, pelo menos para a França, os alertas do MARS acabaram não se concretizando, um bom indicativo de que as lavouras europeias seguem em ótimas condições.

Uma outra atualização foi a das exportações do bloco. Com as dificuldades de adquirir o trigo russo e ucraniano, existia a expectativa de uma aceleração da demanda pelo produto da União Europeia. Entretanto, até agora tal tendência não se concretizou. Na última semana, deixou o bloco econômico apenas 106 mil toneladas, quando na semana equivalente de 2020 e 2021 as exportações foram de aproximadamente 1 milhão e 450 mil toneladas, respectivamente. No agregado do ano-safra 2021/22, as vendas no mercado internacional estão em 21,1 milhão de toneladas, volume similar ao de 2020/21, mas 27,7% abaixo do registrado em 2019/20.

 

Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
RÚSSIA E UCRânia
No final de março, teve início o plantio das safras ucranianas de primavera. Em meio a este assunto, ganhou notoriedade uma matéria da Reuters em que foram citadas fontes ucranianas que estimaram a área de produção em menos da metade do que antes se esperava: de cerca de 15 milhões de hectares para apenas 7 milhões. Embora o número seja impactante, é importante destacar que o volume de produção de trigo de primavera na Ucrânia é quase irrisório, o que faz com que essa perda de área não seja um fator para o balanço de oferta e demanda dessa commodity.

O que essa estimativa traz de novidades para o mercado de trigo é um visual sobre as condições do setor agrário da Ucrânia. Entre os principais fatores responsáveis pela redução foram citadas a escassez de fertilizantes, pesticidas e combustível. Com o trigo de inverno saindo da fase de dormência e voltando a requisitar cuidados mais diretos e com todos esses limitantes, é provável que a safra enfrente problemas. Em uma palestra para o Conselho de Negócios Estados Unidos-Ucrânia, Leonid Kozachenko, presidente da Confederação Agrária da Ucrânia, estimou as perdas em não mais do que 20%.

Na Rússia, a safra de primavera é mais significativa, contabilizando cerca de 3/10 da produção total, mas o plantio só tem início no mês de maio.

Além dos problemas enfrentados pelos fazendeiros ucranianos, um outro tópico importante no mercado de trigo do mar Negro são as exportações russas. Mesmo com as sanções econômicas e com a exclusão do país do sistema de pagamentos SWIFT, elas seguem bastante significativas, contabilizando 1,7 milhão de toneladas no mês de março, segundo divulgação da consultoria ProZerno. Para efeitos de comparação, as vendas no mesmo período de 2021 foram de apenas 1,1 milhão, embora tenha que se destacar que a comercialização neste ano foi impactada pela implementação de uma nova legislação de exportação. Em 2020, as vendas foram de mais de 3 milhões de toneladas.

Segundo a consultoria SovEcon, as perdas não foram tão significativas porque as sanções ocidentais só conseguiram causar forte diminuição das vendas no período imediatamente posterior à invasão. Já na segunda metade de março, as exportações começaram a acelerar conforme os desafios de pagamento e de segurança dos navios foram sendo resolvidos. Os principais destinos continuaram os mesmos de antes da guerra, com destaque para Turquia e Egito.

Apesar da notícia pintar um cenário menos altista do que se antes se imaginava, a ProZerno fez um alerta de que as novas vendas de exportação estão sendo bem menores do que as registradas em anos anteriores. Nesse sentido, os embarques atuais estariam relacionados com compras fechadas antes do início da guerra, devendo diminuir conforme a guerra vai se alongando.

Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
 

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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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