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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Preços na Bolsa de Chicago retomam ganhos após não haver avanços na negociação entre Rússia e Ocidente e com redução da oferta global
 
fatores baixistas
  • Avanço do plantio da safra de inverno nos EUA;
  • Estimativa recorde para a safra 2022/23 da Rússia;
  • Possibilidade de abertura de um corredor comercial no Mar Negro.
     
 
fatores altistas
  • Condições desfavoráveis para o clima da safra 2022/23 nos EUA, Índia e França;
  • Requisitos para concretização do acordo entre Rússia e Ocidente;
  • Redução das estimativas para a produção da Índia.
ESTADOS UNIDOS

O mercado futuro de trigo iniciou a semana em alta, mas com certa estabilidade de preços ao oscilar pouco ao longo da segunda semana de junho, fechando com uma variação de cerca de 3% em relação ao encerramento da sessão principal da sexta-feira anterior. Os novos dados de estimativas de oferta e demanda global divulgados pelo USDA foram importantes para o suporte dos preços na conclusão da semana, o que pode ser visto com mais detalhes na matéria especial sobre o WASDE de junho

Na segunda-feira (6), os dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) indicaram que as condições para o trigo de inverno dos EUA alcançaram 30% como bom/excelente até a semana encerrada no domingo (5) - ganho de 1 ponto percentual graças às chuvas registradas na semana passada nas Planícies do Sul. Os primeiros dados para a colheita do trigo de inverno indicaram 5% de atividade para a temporada de 2022, acima dos 3% registrados no mesmo período em 2021. 

Para o trigo de primavera, a diferença do progresso de plantio com a média histórica continua contrastante, registrando apenas 82% plantado, abaixo da média de 97%, o que reflete os atrasos principalmente em Dakota do Norte e Minnesota. A evolução dos dados para o plantio e condições da safra podem ser vistos pelo relatório de Acompanhamento de Safra de Trigo da StoneX.

Além disso, as inspeções de exportação divulgadas pelo USDA, encerradas na quinta-feira (2), indicaram quantidade semelhante em relação à semana anterior, registrando 352,8 mil toneladas.

Intraday | Preço para o contrato de julho/22– Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Na terça-feira (7), o EMATER/RS anunciou que o trigo obterá um aumento estimado de 12,5% na produção (cerca de 3,9 milhões de toneladas contra 3,5 milhões em 2021), consequência do acréscimo de 15% na área cultivada, equivalente a 200 mil hectares (totalizando 1,4 milhão de hectares). Caso se concretize, a produtividade média deve ficar 2,17% menor (2,82 ton/ha) em relação ao ano anterior (2,88ton/ha).

Na quarta-feira (8), em Istambul, na Turquia, representantes russos compareceram à reunião intermediada pela ONU para a tentativa de acordo com o Ocidente. Vale ressaltar que o trigo está diretamente ligado a preocupação com a segurança alimentar e o conflito no Mar Negro agravou a escassez deste cereal. O Kremlin – sede do governo russo - anunciou que nenhum acordo com a Ucrânia foi alcançado para liberar suprimentos de grãos presos no Mar Negro.

No hemisfério sul, a Bolsa de Cereais da Argentina anunciou que irá plantar cerca de 6,2 milhões de hectares de trigo para a safra 2022/23, uma queda de 2% em relação às últimas estimativas. Isso poderá levar a uma colheita de 18,5 milhões de toneladas em 2022/23, frente às 20 milhões projetados pelo USDA. 

Na quinta-feira (9), os dados de vendas dos EUA para o ano de comercialização 2021/22 encerrado em 31 de maio totalizou cerca de 18,7 milhões de toneladas no acumulado, 25% abaixo do total do ano anterior de 24,8 milhões de toneladas. As 212 mil toneladas de trigo registradas nos dias 1 e 2 de junho foram principalmente para o México com 62,7 mil toneladas e Filipinas com 57,9 mil toneladas. 

Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

A semana se encerra na sexta-feira (10) com os preços subindo após o relatório de estimativas para o balanço de O&D global divulgado pelo USDA. A perspectiva para a safra de 2022/23 dos Estados Unidos é de aumento da oferta, uso interno estável, exportações inalteradas e maior volume de estoques. A oferta é estimada com um pequeno aumento de aproximadamente 200 mil toneladas. As projeções para o trigo divididas por classificações para a safra 2022/23 começarão a ser publicadas a partir do próximo relatório, em 12 de julho.

As mudanças maiores estão no mercado global, em que a pressão sobre a oferta de trigo para 2022/23 causa preocupação. A produção mundial sofreu redução de 1,4 milhão de toneladas, passando de 774,83 para 773,43 milhões de toneladas. 

A corrida por novas rotas comerciais de trigo provavelmente manterá os preços em patamar elevado, principalmente após avanços nas negociações entre Rússia e Ocidente estarem cada vez mais distantes no horizonte.
 

EUROPA

Na semana que se estendeu do dia 6 ao 10 de junho, os futuros do trigo na bolsa de Paris não atuaram com uma tendência definida. Importantes ganhos ocorreram na segunda, perdas significativas na terça e depois variações menos acentuados no restante da semana. O grande fator por trás dessas movimentações foram as notícias acerca do possível corredor de exportação pelo Mar Negro: quando um acordo parecia mais próximo, os futuros eram pressionados; já quando as negociações esfriavam, os futuros eram impulsionados. Pela análise da StoneX, a probabilidade real do estabelecimento desse corredor é muito baixa, o que deve manter a oferta de trigo bastante limitada e, portanto, os preços em patamares bastante elevados. Ao final do período, o contrato com vencimento em setembro/22 ficou cotado a EUR 391,75/t, um ganho semanal de EUR 13,50/t.

Sobre as lavouras do continente europeu, persistem os problemas para os agricultores. Na França, principal produtor da União Europeia, a seca fez o ministério da Agricultura diminuir pela sexta semana consecutiva a estimativa de qualidade do trigo. Agora, apenas 66% se encontra em condições ótimas/boas, frente a 81% no mesmo período do ano passado.

Com os problemas nos campos romenos e búlgaros, outros dois importantes produtores europeus, se somando às dificuldades francesas, começou a ocorrer uma redução nas expectativas para a safra 2022/23 da União Europeia. Na sexta-feira, a importante consultoria Stratègie Grains cortou sua estimativa de trigo soft de 126,2 milhões de toneladas para 124,4 milhões. No mesmo dia, o USDA reduziu sua previsão de 136,5 milhões de toneladas para 136,1 milhões. Apesar de marginais, as quedas podem se acelerar caso não ocorram melhorias na umidade do solo. Lembrando que essa diferença importante entre as estimativas se dá pelo fato da Stratègie Grains analisar apenas a produção de trigo soft, enquanto o USDA traz a perspectiva para todos os tipos de trigo.

As expectativas para as exportações também estão sofrendo variações importantes. Logo que a guerra na Ucrânia estourou, se esperava um forte crescimento nas vendas europeias, já que o consenso era que os produtores do continente ocupariam o espaço deixado por russos e ucranianos. Entretanto, o que aconteceu foi que o trigo ficou muito caro, resultando em queda na demanda global. Assim, não só a Europa, mas também os Estados Unidos e a maioria dos outros países exportadores viram seus volumes de vendas recuar, o que acabou mudando as perspectivas futuras. Agora, o USDA estima as exportações em 2021/22 em 29,5 milhões de toneladas, frente a perspectiva anterior de 31,0 milhões; e a consultoria Stratègie Grains estipula 28,0 milhões, frente ao valor anterior de 29,9 milhões. Faltando quatro semanas para o fim do ano agrícola, os dados oficiais da União Europeia mostram que 27,0 milhões de toneladas de trigo já deixaram o continente, das quais 25,3 milhões são de trigo soft. Os principais destinos são Argélia, Egito e China.

Para 2022/23, o Departamento norte-americano manteve a estimativa de exportação para a União Europeia em 36,0 milhões, mas a consultoria foi menos otimista, reduzindo as 30,8 milhões de toneladas para 30,3 milhões. 

Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
MAR NEGRO

No dia 8 de junho, ocorreu em Ancara a aguardada reunião entre os ministros das relações exteriores da Rússia e da Turquia onde foi discutida a proposta da ONU de criação de um corredor de exportações através do mar Negro. Ambos os países se mostraram favoráveis ao plano, com os russos afirmando que permitiram a existência do corredor e os turcos dando garantias de que organizariam a segurança. O grande problema é que o governo da Ucrânia não participou da reunião e se recusou a ratificar o acordo. Isso porque os russos estabeleceram como condição para a realização do acordo o fim de uma série de sanções e a remoção das minas atualmente colocadas próximas ao porto de Odessa, termos que não podem ser aceitos pelos ucranianos. Assim, se mantém o impasse e a Ucrânia segue com sua capacidade de exportação bastante limitada, o que mantém a oferta mundial de trigo extremamente restrita.

Sobre a situação nos campos, as condições na Rússia seguem bastante positivas, trazendo a perspectiva de uma safra robusta em 2022/23. Segundo estimativa do USDA, o país eslavo produzirá 81,0 milhões de toneladas, volume já bastante elevado (apenas 76,0 milhões em 2021/22), mas que é conservador quando comparado com o de algumas consultorias. A StoneX, por exemplo, estima uma safra de 86,5 milhões de toneladas. Além do bom desenvolvimento da safra de inverno, ajuda neste número o rápido avanço do plantio de primavera, com 97% dos mais de 13 milhões de hectares já possuindo trigo no solo. Dos grandes países exportadores, a Rússia é o único que não enfrenta problemas para a safra 2022/23. As estimativas de exportação estão na casa das 40 milhões de toneladas.

Sobre a Ucrânia, a Comissão Europeia divulgou recentemente um relatório analisando as condições da safra de trigo 2022/23. Segundo o boletim, os campos do oeste do país sofreram bastante ao longo da primavera com falta de chuva e com temperaturas menores que o usual. Assim, ocorreram danos nas lavouras dessa região, diminuindo a produtividade e o potencial de colheita do país. No leste, as condições climáticas foram boas para o cultivo e, portanto, permitiram um bom desenvolvimento do trigo. Infelizmente para os ucranianos, bem a região leste é a que está sob controle dos invasores russos, limitando o volume à disposição dos agentes do país. O boletim estima que foram plantados 6,54 milhões de hectares e que eles possuem produtividade de 4,11 ton/ha, o que resulta em um potencial de produção de 26,88 milhões de toneladas. É claro que as dificuldades impostas pela guerra podem fazer com que a colheita seja significativamente menor que isso. O USDA, por exemplo, estima a produção em apenas 21,50 milhões de toneladas. Sobre as exportações, as estimativas se mantém em torno das 10 milhões de toneladas.

Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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5 de agosto – Os mercados de ações dos EUA estão em chamas nesta semana, com tanto o Dow Jones quanto o S&P 500 estabelecendo novas máximas históricas ontem, com os futuros indicando novos ganhos novamente hoje; o mercado permanece otimista quanto a um acordo com o Irã, apesar de nenhuma evidência disso até o momento. O petróleo bruto trabalha em uma máxima e uma mínima mais baixas hoje, mas permanece ligeiramente no lado alto na sessão, enquanto o dólar recua de volta em direção à mínima de quase dois meses de segunda-feira. O título de dez anos está estável a mais baixo nesta manhã (embora solidamente mais baixo até agora neste mês), em 4,605%, enquanto o índice VIX continua a se recuperar no meio da semana, com uma leitura de quase 17 pontos nesta manhã.

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4 de agosto – O índice de referência Dow Jones Industrial Average disparou no fechamento de ontem para terminar quase 700 pontos mais alto, em um fechamento recorde de 53.178 pontos – superando facilmente o topo anterior de quase um mês atrás. O S&P 500 está à beira de seu próprio recorde também, enquanto o índice NASDAQ está aquém das máximas de junho, mas trabalhando em uma forte alta de três sessões. Todos os três apontam para aberturas positivas hoje. A Palantir (uma empresa de software dos EUA) reportou lucros melhores do que o esperado ontem à tarde, após o fechamento, impulsionando o setor de tecnologia, embora uma série de outras empresas também tenha reportado lucros fortes. O título de dez anos continua recuando da máxima de sexta-feira, agora em 4,67%, com o dólar no lado alto do patamar de paridade, enquanto o índice VIX, agora abaixo de 16, mostra volatilidade reduzida.

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