Na semana que encerra o mês de março, os preços do trigo encontraram uma brecha no mercado futuro em Chicago e obtiveram variação de sexta contra sexta de 0,6%, indicando uma semana com algum alívio para o patamar de preços que está ainda muito limitado.
Intraday | Preço para o contrato de maio/23– Chicago (USD cents/bushel)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
A especulação sobre a possibilidade de suspensão das exportações de trigo continua pairando sobre o mercado, ainda sem anúncio oficial ou maiores comentários de autoridades russas. Invariavelmente, a incerteza sobre essa oferta cria risco ao mercado físico e futuro. Os valores FOB russos negociam em cerca de USD 275/ton, USD 100/ton abaixo do trigo HRW dos Estados Unidos.
As inspeções de exportação dos Estados Unidos continuam dentro da média histórica, com 390 mil toneladas reportadas. O ano-safra terminará no dia 1 de junho e o acumulado do ano comercial segue em linha com as projeções do USDA.
As condições de safra com o percentual bom/excelente do trigo de inverno dos EUA por estado foram divulgadas na segunda-feira (27). O trigo do sul das Grandes Planícies obteve melhora no Colorado, Mississipi e em Oklahoma. Por outro lado, Arkansas e Luisiana indicaram queda expressiva de 9 pontos percentuais em relação a semana anterior.
Na sexta-feira, o USDA reportou que a estimativa para a área plantada com todas as variedades de trigo ganhou 400 mil hectares em relação a estimativa do mercado. Cerca de 20,19 milhões de hectares são esperados, com a área de trigo de inverno passando de 13,48 no ano passado para 15,18 milhões de hectares. O aumento é concentrado de modo geral no Texas, Oklahoma, Kansas e Colorado (com incremento de 1,01 milhão de hectares). Apesar do aumento, é válido destacar que essa área é a que está sob condição de seca e com menor probabilidade de recuperação no atual ciclo.
As vendas de exportação de trigo dos EUA entre os dias 17 a 23 de março ficaram no nível histórico, com 150 mil toneladas. O total de compromissos de venda dos EUA estão 900 mil toneladas abaixo do ano passado, em linha com as estimativas do USDA.
Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
As condições da safra francesa foram atualizadas, com dados do período de 20 a 26 de março. De acordo com a FranceAgriMer, 6% do trigo soft se encontra em condições suficientes, 89% em condições boas e 5% em condições excelentes, não havendo mudanças significativas em relação à semana passada. Para o mesmo período do ano passado, a décima segunda semana de levantamento trouxe 1% em condições ruins, 7% em condições suficientes, 90% em condições boas e 2% em excelentes.
Para o trigo duro, cerca de 8% estão em condições suficientes, 80% em condições boas, e 11% em condições excelentes. Com isso, o trigo duro francês apresenta uma melhora em relação ao mesmo período de 2022, quando as condições ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em 1%, 13%, 84% e 3%, respectivamente.
Além disso, a Comissão Europeia divulgou os dados atualizados referente às exportações do trigo europeu no geral. Com dados até o dia 26 de março, as exportações do trigo soft da safra 22/23 totalizaram cerca de 22,66 milhões de toneladas – avanço de 8,5% ante o mesmo período de 2022. Com isso, as exportações do trigo soft aumentaram, aproximadamente, 208,8 mil toneladas em uma semana.
Por sua vez, as exportações do trigo duro chegaram a 664 mil toneladas acumuladas, representando um volume 7,2% inferior ao observado no mesmo período do ano passado (715,4 mil toneladas). Em relação à semana anterior, verificou-se um aumento de 5,6 mil toneladas exportadas.
A semana foi marcada pela pressão sob os preços do trigo, dada a possibilidade de aumento da oferta da União Europeia. Em sua nova projeção, a Comissão Europeia elevou a produção de trigo soft da região em 1 milhão de toneladas em relação ao estimado no mês passado, fazendo com que a projeção para o ciclo 2022/23 esteja em 127 milhões de toneladas. Com isso, espera-se também um aumento nas exportações ante o mês anterior, podendo atingir 36 milhões de toneladas exportadas – contra as 32 milhões de toneladas anteriores.
Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
Na Rússia, a atenção foi sobre o anúncio de que a trading global de commodities, Cargill, deixará de exportar os grãos russos a partir de 1 de julho. Vale lembrar que a data marca o início da nova temporada de comercialização do trigo no país.
O mercado repercutiu sobre a possibilidades de que a empresa processe apenas 5% dos embarques de trigo da Rússia em 2022/23. Caso isso se confirme, o volume restante deve ser absorvido por outras exportadoras na Rússia.
Por outro lado, em entrevista à Reuters, o Ministério da Agricultura da Rússia afirmou que tal notícia não afetará as atividades de exportação do país, assegurando que, independentemente do responsável pela administração, as atividades continuarão a ser operadas.
A consultoria Sovecon aumentou a sua projeção para as exportações do trigo russo em março, passando de 4,2 milhões de toneladas projetadas na semana anterior, para 4,3 milhões de toneladas atualmente. Em contraste, as estimativas da consultoria IKAR apontam para um volume de 4,8 milhões de toneladas exportadas em março.
Para a Ucrânia, dados do Ministério de Agricultura do país mostraram que as exportações de grãos nesta semana foram de 1 milhão de toneladas, com o trigo sendo responsável por 322 mil toneladas. Com isso, a temporada atual conta com 12,8 milhões de toneladas do trigo ucraniano exportado.
As consequências do conflito entre Rússia e Ucrânia não estão agradando os demais países europeus. Os primeiros-ministros da Polônia, Hungria, Bulgária, Eslováquia e Romênia se juntaram em uma carta destinada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pedindo que medidas sejam tomadas em relação à comercialização de produtos ucranianos.
Recentemente, os gargalos logísticos referentes ao conflito entre Rússia e Ucrânia fizeram com que parte do volume dos grãos ucranianos ficassem na região central da Europa, o que prejudicou os preços da agricultura local, visto que seus preços são maiores em relação à produção ucraniana. Com isso, a carta afirma que, se medidas não forem tomadas para suavizar as distorções referentes às importações ucranianas, os países em questão irão reintroduzir tarifas e cotas para a entrada de tais produtos, de forma a defender a produção local.
Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.