- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativas de maior produção global para a safra 2023/24;
- Renovação do acordo Iniciativa de Grãos.
- Condições ruins para a safra HRW nos Estados Unidos, sobretudo no Kansas.

O mercado futuro em Chicago iniciou a semana pressionado pela renovação do acordo entre Rússia e Ucrânia, que traz otimismo e expectativa de maior previsibilidade para o fluxo comercial das exportações ucranianas.
O Ministério da Agricultura da Índia diz que produzirá uma safra recorde, com cerca de 5 milhões de toneladas a mais do que registrado no ano anterior, devido ao aumento da área plantada e rendimentos ligeiramente melhores. De acordo com o USDA, a safra estimada de 2022/23 foi de 104 milhões de toneladas, com aumento mais otimista de 6 milhões para a estimativa 2023/24.
A pressão sobre os preços pelo lado da oferta também vem da América do Sul, em que a safra de trigo da Argentina para o ciclo 2023/24 é estimada em 18 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Vale lembrar que a safra anterior enfrentou uma quebra como efeito do clima seco severo, com um volume de produção ficando em 12,4 milhões de toneladas. O país é um importante exportador de trigo e um parceiro comercial para a demanda brasileira, o que pode favorecer o movimento de importações.
No Acompanhamento de Safra dos EUA de segunda-feira (22) com os dados registrados até o domingo (21), o trigo foi relatado com condição em avanço favorável, com 31% de suas lavouras com classificação de boa/excelente (+2 pontos percentuais em relação a semana anterior). O Kansas, principal produtor, tem apenas 9% da safra classificada como boa/excelente, o que apesar da melhora num quadro geral do país, ainda gera preocupação.
Quanto ao progresso do plantio de trigo de primavera, cerca de 64% do cereal está em solo, avanço de 14 pontos percentuais em relação a semana anterior.
Os preços no comércio internacional continuam limitados, dada a oferta vantajosa verificada para importantes players como a Rússia, o que se reflete sobre os volumes de vendas registradas nesta reta final do ano comercial.
As vendas de exportação dos EUA entre os dias 12 à 18 de maio para a safra 2022/23 indicaram mais uma semana fraca. Cerca de 42 mil cancelamentos foram registrados, de acordo com o USDA. No acumulado do ano comercial, o país negociou uma diferença de -600 mil toneladas em relação ao mesmo período para a safra anterior, mas ainda em linha com o estimado pelo USDA, que aguarda 21,09 milhões de toneladas na safra.

A semana se iniciou com a divulgação do o Boletim MARS de maio na segunda-feira (22), documento responsável por analisar as condições das lavouras da região.
De acordo com a Comissão Europeia, entre o período de 1 de abril e 14 de maio, as lavouras da Europa foram afetadas por condições climáticas contrastantes, mostrando condições mais úmidas ou mais secas do que o normal. Ainda assim, de acordo com o relatório, é esperado rendimentos razoáveis em grande parte das regiões, com exceção da Península Ibérica, a qual exibiu uma piora das condições por conta da seca.
Por outro lado, outras regiões da Europa experimentaram condições de umidade que permitiram uma melhora na umidade do solo, ao mesmo tempo em que causaram o atraso na semeadura das safras de verão.
Assim, os dados de rendimento indicados pelo Boletim mostram que o rendimento do trigo total europeu deve ser superior à média dos últimos 5 anos, sendo projetado um rendimento de 5,79 toneladas/hectare, contra 5,59 toneladas/hectare referentes a média de 5 anos.
Especificamente para o trigo soft, estima-se um rendimento de 6,01 toneladas/hectare, contra a média de 5 anos de 5,81 toneladas/hectare, enquanto as estimativas para o trigo duro estão em 3,48 toneladas/hectare, contra a média de 5 anos de 3,50 toneladas/hectare.
Sobre os dados atualizados semanalmente, as condições da safra francesa mostram dados do período de 15 a 21 de maio. De acordo com a FranceAgriMer, 7% do trigo soft se encontra em condições suficientes, 85% em condições boas e 8% em condições excelentes, não mostrando mudanças significativas em relação à semana passada. Para o mesmo período do ano passado, a vigésima semana de levantamento trouxe 2% em condições muito ruins, 8% em condições ruins, 21% em condições suficientes, 66% em condições boas e 3% em excelentes.
Para o trigo duro, cerca de 2% estão em condições ruins, 11% em condições suficientes, 72% em condições boas, e 14% em condições excelentes. Além disso, o trigo duro francês também avançou em relação ao mesmo período de 2022, quando as condições ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em 9%, 23%, 65% e 2%, respectivamente.
Além disso, a Comissão Europeia divulgou os dados atualizados referente às exportações do trigo europeu no geral. Com dados até o dia 21 de maio, as exportações do trigo soft da safra 2022/23 totalizaram cerca de 27,99 milhões de toneladas – avanço de 12,6% ante o mesmo período de 2022. Com isso, as exportações do trigo soft aumentaram, aproximadamente, 390,9 mil toneladas em uma semana.
Em relação ao trigo duro, o acumulado está em 682,8 mil toneladas, com um aumento de 24,7 mil toneladas na semana em questão. Com isso, o valor acumulado exibe um recuo de 26% ante o acumulado no mesmo período de 2022 (922,8 mil toneladas).

Para o trigo russo, as condições climáticas favoráveis ao sul do país contribuem para que a consultoria Sovecon permaneça projetando a produção da nova safra em 88 milhões de toneladas. Tal estimativa difere da produção projetada pelo USDA de 81,5 milhões de toneladas, além das 78 milhões de toneladas estimadas pelo próprio governo russo.
Seguindo a perspectiva de melhores condições, a consultoria IKAR elevou a sua estimativa para a produção da nova safra russa de 84 milhões de toneladas projetadas anteriormente, para 86 milhões de toneladas produzidas. Além disso, a consultoria também aumentou sua projeção para as exportações do país, passando de 42 milhões de toneladas, para 44 milhões de toneladas.
Para o cultivo de primavera, o Ministério da Agricultura russo indica que serão plantados cerca de 42,6 milhões de hectares, sendo um avanço de 4,1% ante o observado em 2022.
Na Ucrânia, o Ministério da Agricultura ucraniano afirmou que 97% da semeadura referente aos grãos de primavera está completa, atingindo os 5,3 milhões de hectares. As condições climáticas do país não exibem problemas, indicando um panorama benéfico para o plantio.
Em relação às exportações semanais ucranianas, foram exportadas cerca de 640 mil toneladas de grãos. Desse total, o trigo foi responsável por cerca de 241 mil toneladas, elevando o acumulado do ciclo atual para 15,3 milhões de toneladas.
O porto de Pivdennyi, um dos maiores referentes ao corredor do Mar Negro, permaneceu com as operações interrompidas, prejudicando os embarques ucranianos e adicionando incertezas. No próximo dia 2, completará 1 mês que o porto está com as atividades paradas.
Para amenizar o cenário problemático para as exportações de produtos agrícolas ucranianos, a União Europeia confirmou a isenção de impostos para tais embarques a partir de junho, com duração até junho de 2024, visando facilitar a demanda pelos fluxos ucranianos.






