- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativas de maior produção global para a safra 2023/24 em relação a 2022/23;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA.
- Fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro
- Ataques do governo russo às regiões portuárias da Ucrânia
- Condições ruins para a safra HRW nos Estados Unidos, sobretudo no Kansas.
As cotações do trigo em Chicago terminaram a semana anterior em leve alta, após o rali de preços no início do período. O vencimento para setembro encerrou a sexta-feira (dia 28) em 704,25 por bushel, alta semanal de 1,0%.
A não renovação do acordo de passagem segura pelos portos do Mar Negro já tinha trazido bastante volatilidade ao mercado, situação que foi reforçada pelos primeiros ataques a instalações do Rio Danúbio, desde o início do conflito em fevereiro de 2022. Essa é uma rota muito importante para escoamento dos produtos ucranianos, principalmente na falta dos portos do Mar Negro.
Com isso, as cotações do cereal registraram um rali no começo da semana passada, mas os ânimos se acalmaram nas sessões seguintes, com a não ocorrência de novos ataques e com as notícias indicando que as exportações via Rio Danúbio não devem sofrer maiores prejuízos devido ao ataque ocorrido.
Por outro lado, a falta do corredor de exportações pelo Mar Negro preocupa mais. O Acordo Iniciativa de Grãos, que entrou em vigor em julho de 2022, foi fundamental para manter os níveis de exportação da Ucrânia (no acumulado anual) tendo sido embarcadas 8,9 toneladas de trigo pelos portos marítimos sob a “proteção” do acordo.
Passado o pânico inicial, após os ataques no Rio Danúbio, o mercado passou a olhar também para as alternativas, que poderiam “substituir”, pelo menos parcialmente, o trigo russo. Inclusive, o presidente Vladimir Putin afirmou a líderes africanos que a excelente safra da Rússia poderia substituir a falta do produto ucraniano.
Por mais que a situação da produção e das exportações ucranianas preocupe, o equilíbrio do balanço de oferta e demanda mundial de trigo depende de outros players importantes, como a própria Rússia, que é a maior exportadora do cereal. Atualmente, além da disponibilidade, o trigo russo está com preços baixos, e tem registrado descontos significativos em relação ao cereal norte-americano, por exemplo, mesmo com a alta recente.

Nos EUA, as perspectivas para a safra de primavera estão positivas, com as previsões climáticas para as próximas semanas ajudando. Por outro lado, as condições das lavouras do país registraram uma leve piora na semana encerrada em 23/07, com o percentual bom/excelente caindo de 51% para 49%.
Na Argentina, o plantio está quase finalizado, tendo alcançado 96,4% da área de 6 milhões de hectares, na última quarta-feira (dia 26), segundo a Bolsa de Buenos Aires. As condições das lavouras estão excelentes com 90% das plantas classificadas na categoria normal/boa. Com isso, por enquanto, as perspectivas para a safra do país são bastante positivas.
No Brasil, as safras do Paraná e do Rio Grande do Sul, principais produtores de trigo do país, também estão indo bem, o que alimenta a possibilidade de um novo recorde, estimado pelo StoneX, em 11,46 milhões de toneladas.

O fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro e o conflito entre Rússia e Ucrânia seguiram sendo os principais pontos de atenção dos investidores nesta semana. Na bolsa MATIF de Paris, o contrato com vencimento em setembro de 2023 registrou uma leve alta semanal de 0,2%, passando de EUR 247,25/t em 21/07 para EUR 247,75/t em 28/07.
Como comentado no último Resumo Semanal, a Comissão Europeia divulgou no início da semana o Boletim MARS referente ao mês de julho, relatório responsável por indicar as condições da região. Segundo as informações do órgão, a Europa vem enfrentando déficit hídrico e um clima quente, o que deve impactar o rendimento do trigo na região.
Para as atualizações semanais, o acompanhamento da safra francesa realizada pela FranceAgriMer foi atualizado contendo o período de 17 a 23 de julho. Para o trigo soft, a 29ª semana de levantamento mostrou que as condições muito ruins, ruins, suficientes, boas e excelentes foram de, respectivamente, 1%, 4%, 17%, 74% e 4%, não havendo mudanças significativas em relação à semana anterior. As lavouras permanecem em melhores condições em comparação ao mesmo período de 2022, quando as condições muito ruins, ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em, respectivamente, 2%, 12%, 23%, 60% e 3%.
Para o trigo duro francês, o documento indicou que 1% da safra está em condições muito ruins, 5% em condições ruins, 26% em condições suficientes, 57% em condições boas e 10% em condições excelentes. O trigo duro também exibe melhora em relação ao ano passado, dado que em 2022 cerca de 2% do trigo duro estava em condições muito ruins, 13% em condições ruins, 30% em condições suficientes, 54% em condições boas e 1% em condições suficientes.

Na segunda-feira (24), o anúncio do fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro completou 1 semana, e possibilitou que o trigo continuasse avançando na comparação semanal em Chicago. Os futuros do cereal exibiram forte alta no início de semana, principalmente pela intensificação dos ataques russos às regiões portuárias da Ucrânia, incluindo o rio Danúbio, o qual enfrentou o primeiro ataque à sua infraestrutura desde o início do conflito no começo de 2022.
A rota de exportação pelo rio Danúbio ganhou mais relevância para as embarcações ucranianas após o início do conflito provocar problemas de escoamento pelo Mar Negro. A situação havia sido amenizada pelo acordo de passagem segura desde julho de 2022, mas a não renovação acabou afetando a disponibilidade desta via. Além disso, os ataques russos permaneceram atingindo os portos do Mar Negro, com principalmente Odesa.
No meio da semana, foi possível observar uma ausência de novos ataques vindos da Rússia, mas os agentes continuaram a repercutir os possíveis desdobramentos dos problemas enfrentados pelos armazéns no Rio Danúbio. A Ucrânia seguiu afirmando que busca rotas alternativas para suas exportações, mas que ainda tenta manter a rota fluvial como uma opção. No entanto, tais sinalizações não foram capazes de apagar as preocupações relacionadas à ausência da passagem segura pelo corredor.
Do outro lado, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, buscou garantir a posição russa frente ao mercado global. Em uma conversa com líderes africanos, Putin afirmou o país projeta um recorde em sua safra, e que tal produção pode substituir os embarques ucranianos destinados ao continente.
Os ânimos se acalmaram no encerramento da semana, com ausência de novos ataques às regiões portuárias, o que contribuiu para enfraquecer o rali em Chicago e em Paris.






