- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA;
- Ucrânia encontra alternativas para garantir suas exportações.
- Ocorrência de chuvas na Austrália e na Argentina.
- Redução na estimativa da área plantada de trigo argentino;
- Projeção de cortes para a produção 2023/24 da Argentina, Austrália e Canadá;
- Registro de vendas de trigo dos EUA para a China.
As cotações do trigo negociado em Chicago terminaram a última semana no campo negativo, com o mercado refletindo fundamentos baixistas, tanto do lado da oferta quanto da demanda. O vencimento em dezembro encerrou a última sexta-feira (27/out) em 575,5 cents por bushel, o que baixa de 1,8% no período.
Os dados refletiram uma perspectiva de melhora em algumas condições de safra no mundo. Na Argentina, a falta de precipitação resultou em condições ruins de safra, similar ao ocorrido no ciclo passado. No entanto, novas chuvas parecem ter aliviado parte do pessimismo do mercado. Ainda assim, a situação das lavouras argentinas de trigo deve continuar sendo monitorada. Para além do país sul-americano, a Austrália também foi beneficiada por um momento de chuvas vantajoso, favorecendo as perspectivas de produção na safra de inverno do país.

Os dados de exportação dos EUA trouxeram também pressão baixista pelo lado da demanda para os contratos operados em Chicago. O relatório de Vendas de Exportação do USDA trouxe um resultado abaixo da média na semana encerrada em 19 de outubro. O volume de carregamentos também foi menor do que a média recente. A demanda pelo trigo norte-americano acaba sendo prejudicada pelo fortalecimento do dólar, que prejudica a competitividade do grão com origem nos EUA no mercado internacional, principalmente em um contexto de trigo russo extremamente competitivo e com a oferta folgada.
Um fato importante que pode ser destacado no relatório de Vendas de Exportação do USDA é o volume vendido para a China no período. A compra de Trigo norte-americano pelo gigante asiático está 200 mil toneladas maior do que o mesmo período do ano passado, mesmo com uma safra “normal” no país. A demanda chinesa deve ser monitorada nas próximas semanas.

De acordo com dados divulgados pela Comissão Europeia no dia 24 de outubro, a UE exportou 372,75 mil toneladas de trigo soft na semana encerrada em 22 de outubro, 19% a mais que uma semana antes, mas 31% abaixo da média das 10 semanas anteriores e 42% a menos que o registrado na semana equivalente de 2022. No acumulado, 9,3 milhões de toneladas foram exportadas durante a temporada 2023/24, volume 22% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo passado. O pior desempenho do bloco ao longo deste ano safra pode ser explicado pela forte concorrência com o cereal russo, que tem sido oferecido a um preço mais atrativo. Em meio ao ritmo observado até o momento, a Comissão Europeia reduziu na última quinta-feira (26) sua estimativa de embarques do bloco para 31 milhões de toneladas, 1 milhão a menos que seu número anterior.
Pelo lado das importações, o cenário é o oposto. Na semana encerrada em 22 de outubro, entraram no bloco 243,6 mil toneladas de trigo soft, um aumento de 68% no comparativo semanal e de 28% em relação à média das últimas 10 semanas. Por outro lado, o volume ficou 20% abaixo do registrado na mesma semana do ano passado. No acumulado, a UE importou 2,7 milhões de toneladas desde o início da temporadas, 37% a mais que no mesmo período do ciclo anterior. A Comissão Europeia estima que o bloco importará 6,5 milhões de toneladas até o final do ciclo 2023/24.

Olhando para o Mar Negro, o mercado esteve atento à situação do corredor de escoamento de grãos. Houve rumores de um bloqueio do canal após aviões russos terem supostamente soltado objetos no mar, que poderiam ser minas, ao longo do corredor. A informação logo chamou atenção dos agentes de mercado e deu suporte às cotações de trigo do mundo. No entanto, o rumor foi logo desmentido pelo governo ucraniano, que endossou que o corredor operava sem maiores problemas, o que fez com que o mercado rapidamente se normalizasse.
Do lado da oferta, foram divulgadas novas revisões da safra de grãos da Rússia pelo Ministério de Agricultura do país. Quando se olha para o caso do trigo, a revisão posiciona a safra russa no nível de 93 milhões de toneladas. O último Relatório de Oferta e Demanda do USDA trouxe uma previsão de 85 milhões de toneladas do grão para o país. Assim, o mercado deve estar atento a novas revisões, mas essa possível oferta maior já movimenta as perspectivas de oferta global do grão e pesa sobre os preços.
Ainda, novas chuvas esporádicas parecem ter sido registradas nas regiões centrais da Ucrânia, o que contribuiu para um otimismo com a produção, mas o cenário de relativa seca se mantém. O fato, no entanto, não parece mais repercutir tanto no mercado de trigo, por já estar precificado.






