- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA;
- Ucrânia encontra alternativas para garantir suas exportações;
- Aumento da produção australiana e canadense pelo USDA.
- Redução na estimativa europeia, principalmente na França;
- Aumento na demanda chinesa.
O início da semana continuou com uma forte demanda chinesa por trigo estadunidense, que tinha se iniciado em dias anteriores. O efeito disso foi um aumento nos preços para o contrato de março/24, com picos observados entre a quarta e quinta-feira, quando a máxima semanal observada foi de 644,5 cents/bushel. Porém, a tendência altista não conseguiu ser mantida, tendo terminado a semana com uma nova diminuição que fechou e preço em 631,75 cents/bushel.
O efeito da China se refletiu no último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), onde as exportações estadunidenses foram corrigidas para cima, passando de 19,05 milhões de toneladas em novembro/23 para 19,73 toneladas em dezembro/23 (aumento de 3,6%).
A Rússia continua dominando o mercado, com preços mais competitivos e um novo recorde produtivo a ser confirmado (seriam 90 milhões de toneladas). Desta forma, observando os dados do USDA, pode-se concluir que, para 2023/24, a perspectiva global para o trigo indica que haverá maior oferta, consumo e comércio, principalmente após as produções da Austrália e do Canadá também terem sofrido um ajuste para cima.


Contrariamente ao observado no mercado estadunidense, os mercados europeus do trigo futuro apresentaram baixa, se recuperando na sexta-feira somente para alcançar o mesmo patamar de semana anterior. Ainda existe excedente do cereal na União Europeia, que mesmo após um aumento semanal de 525 mil toneladas, não conseguiu aproximar seus embarques dos níveis registrados no ano anterior. Até o momento, foram registradas 12,5 milhões de toneladas exportadas, em comparação às 15,2 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado.
O plantio na França, longamente retardado pelas chuvas, parece estar terminando. Com quase 90% da área esperada para o trigo sendo semeado, foi a classificação que continuou caindo. As precipitações inundaram parte importante dos campos no oeste e norte do país, e o Ministério da Agricultura corrigiu o trigo considerado como bom ou excelente para 77%, em comparação aos 80% da semana anterior.
Apesar das perdas anunciadas para a França, maior produtor de grãos da União Europeia, o último relatório WASDE do USDA manteve estável a produção esperada de trigo para a região, com 134,3 milhões de toneladas esperadas.

Tempestades que aconteceram nas últimas semanas ainda continuaram afetando a logística de exportação, que ficou mais lenta. Há carregamentos esperando a melhora nas condições climatológicas, pelo que, caso o ritmo nos portos se normalize, é esperado um novo recorde de exportações em dezembro.
No caso da Ucrânia, o último relatório do USDA corrobora essa estimativa, esperando-se um aumento de 4,2% nas exportações ucranianas (12,5 milhões de toneladas).
Já para a Rússia, dados oficiais indicaram que entre julho e novembro foram exportadas 23 milhões de toneladas de trigo, o que representa um novo recorde em comparação ao mesmo período do ano anterior, onde tinham sido exportadas 19,4 milhões de toneladas.
O USDA indica que se espera um aumento de 5,3% nas exportações anuais russas de trigo. Finalmente, as projeções climáticas para a semana indicam que uma frente fria entrará na Rússia Central, enquanto chuvas são anunciadas no sul do país.






