- Diminuição da demanda mundial;
- Preços competitivos dos trigos ucraniano e russo;
- Novos recordes mínimos dos preços do trigo-russo.
- Redução na estimativa europeia, principalmente na França;
- Possível aumento na demanda dos mercados asiáticos.
Após um começo de semana estável em Chicago, a quarta-feira foi o início do declínio nos preços, que fechou a sexta-feira com 560,5 cents/bu, que quando comparados aos 596,75 da semana anterior, indicam uma desvalorização semanal de 6,07%.
Observando as vendas semanais estadunidenses, elas apresentaram, relativamente, pouca variação, porém houve uma queda de 8% em relação à semana anterior, tendo-se sido enviadas 349 mil toneladas. Em relação aos destinos, não houve um grande novo comprador, e as exportações se dividiram entre a Ásia e a América Central.
A semana foi marcada pelo Fórum Agrícola anual, evento organizado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), e que traz as expectativas iniciais para a oferta e demanda dos agricultores em relação à próxima safra. Em relação ao trigo, se espera uma menor área plantada em 2024/25, com 19 milhões de hectares. Porém, mesmo assim, a produção do país subiria para 51,7 milhões de toneladas por aumentos na produtividade.
Desta forma, a manutenção nas projeções em relação a uma oferta folgada do cereal, além da forte competição atual pelos excedentes na região do Mar Negro, acabou puxando o preço para baixo na finalização da semana, atingido o preço mais baixo registrado nos dois últimos meses e meio. Se bem todos os contratos sofreram cortes, os valores futuros para março foram os de maior diminuição.


Apresentando a mesma tendência que a estadunidense, porém com menor queda, na Europa a desvalorização semanal foi 2,75%. A semana (dia 16) fechou com 203,25 euros/tonelada, comparados aos 209 euros/tonelada no fechamento da sexta-feira anterior (dia 09).
Em relação à comercialização do trigo ucraniano, que se encontra competindo diretamente com os grãos europeus, o Ministro da Agricultura e do Desenvolvimento Rural da Polônia, disse que estavam na fase final das negociações para um acordo bilateral com a Ucrânia. No entanto, os protestos dos agricultores, tanto poloneses como europeus, continua em escalada, pelo que os próximos dias deverão mostrar se um anúncio do tipo indicado poderia frear as manifestações.

No comando das tendências internacionais dos preços, a região do Mar Negro continua em destaque, principalmente a Rússia, uma vez que os valores pautados pelos principais exportadores mundiais estão captando a maioria da demanda. Os principais destinos nos últimos dias foram Egito, Indonésia, Paquistão e Turquia.
Na semana anterior, a dúvida encontrava-se em relação a quanto estariam dispostos os russos a diminuir os preços, uma vez que já tinham atingido um mínimo de 223 dólares/tonelada. Porém, registrou-se um novo patamar de 220 dólares/tonelada, mostrando que, inclusive, posam-se registrar novos recordes históricos de baixa.
Quanto às perspectivas locais na Rússia, é indicado que se esperam 93 milhões de toneladas em produção e 70 milhões de toneladas para exportações para a safra 2023/24. Esses resultados estão acima do divulgado até o momento pelo USDA, que indica 91 e 51 milhões de toneladas para produção e exportações, respectivamente. Pelo atual excedente, o Ministério da Agricultura indicou que, possivelmente, deva-se aumentar a cota habilitada para exportações, dada pressão nos estoques.






