- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Melhora nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
- Avanço satisfatório no plantio do trigo de primavera.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Enfraquecimento do dólar no cenário internacional;
- Competitividade exercida pelo trigo da região do Mar Negro.
A semana foi marcada por novas baixas entre os preços futuros do trigo, cotados na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês). No acumulado semanal, o contrato futuro de maio/2025 se desvalorizou em 0,9%, alcançando fechamento de 521,75 cents/bushel na última sexta-feira (09). Os principais fatores que determinaram essa tendência de preços por mais uma semana consecutiva, se relacionam, principalmente, com uma melhoria considerável nas condições da safra e das previsões de chuva do trigo de inverno que se desenvolve nos Estados Unidos.
A ocorrência de chuvas nas principais áreas de cultivo nas regiões centrais e mais ao sul dos EUA contribuíram para a melhora das avaliações de qualidade da safra de inverno em pleno desenvolvimento no país. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 51% dos cultivos foram classificados como bons ou excelentes, um aumento de 2 p.p. em relação à semana anterior. O avanço da semeadura do trigo de primavera acima da média dos últimos cinco anos também contribuiu para que os futuros do trigo ficassem pressionados em Chicago.
Além disso, a competição persistente entre os fornecedores globais também contribuiu para pressionar os preços do trigo ao longo da semana, com o cereal de origem do Mar Negro se colocando como um dos mais atrativos.
Apesar da tendência geral de queda, houve elementos de suporte ao mercado, destacando-se uma demanda animadora por importação de Taiwan que trouxe certo otimismo ao mercado. Além disso, as vendas líquidas de trigo dos EUA para o ano safra 2025/26 atingiram a marca de 493.000 toneladas, acima das expectativas de analistas.
Ainda, nesta segunda-feira (12) o USDA publicou seu relatório mensal de oferta e demanda (WASDE). Conforme apontado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, as expectativas são de que haja um aumento da produção global, acompanhado por uma redução do consumo, o que deve se refletir em um aumento dos estoques finais, estimado em 1,7% no comparativo mensal, calculado em 265,21 milhões de toneladas, no agregado. Você consegue acessar o informativo completo clicando aqui.


Na União Europeia, a semana operou acima da linha de fechamento da semana anterior, encerrando a última sexta-feira (09) em alta, contrariando a tendência que se observou para Chicago. A Bolsa de Paris registrou ganhos de 1,73% ao longo da última semana, apresentando fechamento de 205,25 cents/bushel na sexta-feira(09). Apesar de ter conseguido alguns ganhos, estes foram limitados pela melhoria das condições de safra nos Estados Unidos, o que deve colocar mais trigo disponível no mercado.
Na França, as condições de safra permaneceram estáveis e, em sua maioria, classificadas como boas e muito boas, em 74% para o trigo mole, de acordo com os dados divulgados em 5 de maio. Apesar disso, algumas áreas da França e da Alemanha devem permanecer secar, sem previsões de chuva no curto prazo.
O desempenho das exportações da União Europeia, por sua vez, segue decepcionante. No acumulado anual, observa-se uma redução de 34% em relação ao que se exportou no ano comercial anterior. A forte concorrência, a qualidade do trigo europeu e o Euro mais forte têm sido os principais fatores que influenciaram nesta queda significativa.

Na região do Mar Negro, o que se observou na última semana foi uma continuidade da tendência de queda observada para os preços FOB russos – os que concentram a maior parte das negociações na região. Em meio a este cenário, os preços do trigo russo têm se tornado ainda mais competitivos no cenário internacional, exercendo forte pressão sobre as cotações do cereal em outros mercados, que disputam por uma parcela deste setor.
Apesar de ter se observado uma desaceleração das exportações russas na última semana, o país acumula 38,6 milhões de toneladas exportadas entre julho de 2024 e abril de 2025. O mês de abril foi marcado por uma forte performance das exportações russas, impulsionada pela demanda da Turquia e do Irã, que contribuíram para superar as estimativas iniciais sobre o fundamento. No entanto, para o mês de maio as expectativas não são animadoras.






